Citações

Como é difícil, às vezes fazer com que os outros acreditem em nós! E como é impossível, às vezes, para os outros, acreditar! (Jane Austen)

Chá com Maçãs

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Georgiana

Naquela tarde Georgiana decidiu que faria a prima Anne a visita que há tempos havia lhe prometido.
 

 A carruagem estacionou em frente a suntuosa Rosings Park  pontualmente as 13 horas conforme haviam combinado.

 

Com a ajuda do cocheiro, Georgiana desceu cuidadosamente exibindo seu rosto angelical emoldurado pelo grandioso chapéu. Estava uma tarde ensolarada.
 

Anne assim que avistou a prima, pela varanda onde estava, veio ao seu encontro mesmo sob as reclamações da mãe que não permitia que ela andasse ao sol sem proteger a cabeça com seu gigantesco e esquisito chapéu.

 

- Georgiana! – Exclamou Anne antes mesmo de tocar a mão da prima e a seguir envolve-la num abraço caloroso.

 

- Anne!  Quanto tempo. – Retribuiu Georgiana com o mesmo gesto de carinho.

 

Anne segurou-a pela mão e a beijou na face delicadamente.

 

- Venha. – Conduziu a prima em direção a varanda onde se encontrava a mãe e uma criada que lhe servia brioches e chá nas requintadas porcelanas.

 

Lady Catharine cumprimentou a menina sutilmente e logo apontou o lugar na varanda na qual ela deveria ocupar. Georgiana, conhecedora do gênio tempestuoso da tia, não ousou sequer pensar em outra opção para sentar-se. Assentiu.

 

- Como tem sido os dias em Pemberley... Na companhia de seu irmão? – Iniciou a senhora diretamente.

 

- Muito agradável minha tia. Darcy é um irmão amável e muito generoso...

 

- Disso eu já sei. – Interrompeu virando-se com desgosto. – Espero que seu espírito generoso se estenda a vir visitar a mim e a sua noiva. – Olhou para a filha e a presenciou  baixar a cabeça em silêncio, ruborizada. – Há muito tempo ele não vem nos ver.

 

- Com certeza ele virá em breve, minha tia.

 

A elegante senhora apenas sorriu de forma forçada e iniciou um outro assunto qualquer, porém não de menos importância para ambas.

 

As horas em que passou na companhia de sua desconfiada tia foram um tanto desagradáveis para a jovem Georgiana que, longe da companhia de seu irmão, sentia-se pouco instruída para conversar e responder as perguntas afiadas de Lady Catharine. Mesmo assim, conseguiu responder a todas com a delicadeza que lhe foi dada ao nascer. Mas só teve o total alívio quando a tia permitiu que ela e Anne passeassem pelos jardins, mas sempre na condição de que não se afastassem muito da mansão e que estivessem de volta para o chá das 17 horas.

 

Por um instante Georgiana pode ver-se livre da imagem rancorosa da tia.

 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

 

As duas andavam lado a lado e aproveitavam o sol, o ruído dos pássaros.

 

- Vamos ao pomar? – Perguntou Anne com um sorriso pouco visto antes.

 

- Vamos. – Respondeu a outra um tanto confusa.

 

Ao chegarem no pomar deslumbraram-se com a imensidão de árvores abarrotadas de frutos recém amadurecidos que esperavam pela colheita.

 

Anne aproximou-se da árvore, esticou o braço na tentativa de alcançar algum fruto. Saltou. Procurou algum galho ou haste que pudesse usar, mas não encontrou. Olhou em volta e agachou-se.

Georgiana ficou curiosa e estampou um sorriso divertido ao ver as tentativas frustradas da prima em apanhar uma maçã. Mas se apavorou ao vê-la descalça levantando o vestido e prendendo as pontas deste nas meias que iam até o joelho.

 

- Anne? – Exclamou com energia. – O que pretende?

 

Anne voltou-se para ela, pôs as mãos na cintura e mostrando-se muito decidida replicou:

 

- Subir na árvore ora!

 

- Prima você está doida? Claro que não vai fazer isso... Titia nunca permitiria...

 

- Por acaso prima Georgiana, está vendo minha mãe por aqui? – Sorriu girando a cabeça por todos os lados.

 

- Não. – A menina deu de ombros com uma expressão falida.

 

- Então como achas que ela vai me impedir? – Sorriu.

 

Georgiana riu e Anne voltou-se para a árvore.

 

Subiu e logo alcançou seu topo escalando os galhos como se fosse uma alpinista.

 

- Pega aí. – Gritou lá do alto jogando algumas frutas para Georgiana.

 

Georgiana juntou as frutas e ria divertida da situação que estavam. Pois ela nunca havia suspeitado que a prima fosse tão travessa ou que algum dia na vida tenha subido em árvores. Para ela, Anne tinha sempre uma aparência cansada e doentia, parecia trincar ao mínimo toque.

Neste dia descobriu que tal aparência era apenas um disfarce para se livrar das possíveis exigências que a mãe teria com ela caso fosse uma moça “normal”.

 

Após apanhar algumas frutas, Anne desceu da árvore, calçou os sapatos e ajeitou o vestido.

 

- Venha. Precisamos lavar essas maçãs... Vamos até o riacho.

 

Georgiana concordou com um menear de cabeça e seguiram juntas até o riacho.

 

- Há quanto tempo sobe em árvores? – Perguntou a prima ainda embasbacada com o que  acabara de ver.

 

- Desde muito tempo... Ou melhor, sempre que sinto vontade de comer maçãs.

 

- Mas você não precisa vir apanhar, é só pedir que titia as providencie para você... – Respirou fundo. – E se alguém lhe vir e contar para sua mãe?

 

Anne riu com energia.

 

- Georgiana você é tão delicada... Gosta de ser bajulada não é?

 

Georgiana corou o rosto, entendeu aquele comentário como uma afronta.

 

- Claro que não. – Respondeu sem nenhum sorriso no rosto.

 

Anne a olhou e percebeu sua indignação. Desculpou-se e tentou ser mais clara.

 

- Não quis ofendê-la, apenas sugeri que você gosta de ser poupada de qualquer coisa, gosta da vida caseira que leva... Ficar em casa bordando e esperando tudo acontecer.

 

- Ora, e você não gosta? – Respondeu com naturalidade.

 

- Não. – Disse a outra decididamente e afastando-se da prima numa passada mais rápida.

 

- Ora! Então... O que você espera da vida? – Perguntou Georgiana ao longe.

 

Anne parou, fitou o horizonte onde via um cavaleiro cruzando o campo em grande velocidade, voltou o rosto para a prima e disse gravemente:

 

- Queria decidir minha vida... Ser como eles. – Apontou para o cavaleiro ao longe. – Que vão onde querem e decidem suas vidas. Não queria ficar em casa esperando tudo acontecer e só dizer sim. Quero ter um sobrenome para defender e não um para procurar. Na verdade desejo ter os mesmos direitos... Poder montar num cavalo com uma perna de cada lado. Deve ser emocionante.

 

- Mas isto é um absurdo Anne, nunca vai ser assim. – Riu levemente. - Eu não quero sair por aí cortejando rapazes, seria uma vergonha.

 

- Pois sabe que eu não me incomodaria em nada se o mundo fosse assim? Queria poder apontar no meio da multidão exatamente para o homem com quem eu desejaria me casar.

 

Riram.

 

- Não tem como Anne, você não teria nada para oferecer-lhe.

 

- Eu sei, estou apenas sugerindo como eu gostaria que as coisas fossem.

 

- Então... Você também gostaria de vestir-se como um homem e...

 

- Não. – Riu. – O que eu gostaria mesmo é de saber o que eles fazem quando estão por aí.

 

 -Por aí?- Franziu as sobrancelhas. - Não entendo suas afirmações.

 

- Por aí prima, quando não estão em casa.

 

- Darcy me diz que vai a Londres a negócios e que estes assuntos não servem para mim.

 

- E você acredita?

 

- E não devo? Ele é meu irmão e só quer meu bem.

 

- Ele vai a Londres a negócios mesmo. Mas já tentou imaginar que tipos de negócios os levam a Londres seguidamente?

 

Georgiana pensou um pouco e negou com a cabeça.

 

- Mulheres. – Respondeu secamente. Parou, olhou para a prima e sussurrou. – Amantes.

 

- Amantes? Quem te disse que Darcy tem amantes em Londres? – Tentou sorrir.

 

- Todos têm. – Continuou a caminhada.

 

- Todos menos Darcy. – Replicou com energia. - Anne, Darcy é seu noivo, não deveria suspeitar dele... E também é meu irmão, meu único irmão na qual amo com devoção.

 

- Eu sei... Desculpe... Não quis ofender a ele nem a você.

 

Um breve silêncio e as duas seguiram a caminhada.

 

- Mas... – Iniciou Georgiana fazendo com que a prima a olhasse. – Você acha mesmo que todos eles tem “amantes” por onde vão. E depois de casados? Eles continuam tendo amantes?

 

- Alguns sim. – Respondeu com naturalidade.

 

- Mas como sabe dessas coisas? – Perguntou Georgiana com certa indignação.

 

- Não sei se posso te contar... Venha, o riacho é logo ali. – Apontou para o grande acúmulo de água que se formou diante de seus olhos.

 

Georgiana olhou ao redor e sentiu medo, afinal estavam longe de casa e ela temia a represália da tia.

 

- Anne, acho melhor não demorarmos e voltarmos logo... Estamos longe de casa e.. e... eu estou com medo.

 

- Medo? Do que? – Perguntou a outra puxando o vestido outra vez. – Vem, me dá tuas frutas que eu as lavo para você.

 

Georgiana jogou, uma por vez, as duas maçãs que carregava fazendo-as rolarem pelo chão até alcançarem a mão da prima. Pois ela preferiu não se aproximar da água.

 

Anne levantou a barra do vestido, descalçou os sapatos, tirou as meias e foi até e margem do riacho onde lavou as frutas. Trouxe-as de volta para perto da prima e antes de devolvê-las secou-as no tecido da roupa.

 

Sentaram-se na sombra sobre o tronco de uma árvore caída. Georgiana tomou uma fruta de cada vez e atracou uma mordida faminta em uma delas. Anne vestiu as meias, calçou os sapatos e enfim mordeu sua maçã.

 

- Anne?

 

- Hum. – Resmungou a outra ainda mastigando a fruta.

 

- Me conta as coisas que disse saber sobre os homens.

 

Anne olhou a sua volta, impressionou-se pela prima que nem teve coragem de olha-la direito. Pensou um pouco e disse:

 

- Vamos indo para casa... Conto-lhe no caminho.

 

As duas iniciaram a caminhada de volta a casa.

 

- Bem... – Iniciou Anne. - Sei que eles nos beijam na boca, e  quando fazem isso colocam a língua e mexem sem parar.

 

- Anne, isso é nojento... – Exclamou Georgiana com expressão de repugnância. - Claro que eles não fazem isso.

 

- Fazem sim... E até mais.

 

- Mais?

 

- Sim... – Mexeu no cabelo acomodando-o atrás da orelha. - Mamãe tem uma amiga cuja filha e eu crescemos juntas. Ela casou-se há pouco tempo e as vezes quando vem nos visitar me conta algumas coisas.

 

- Coisas? – Pareceu confusa.

 

- Sim. Coisas que acontecem quando um homem e uma mulher ficam sozinhos.

 

Georgiana tapou a boca. Apavorada.

 

- Quer que eu te conte? – Perguntou Anne.

 

Georgiana pensou um pouco e achou que não deveria saber de tais assuntos, mas a curiosidade foi maior e ela decidiu aceitar as revelações da prima.

 

- Está bem, pode contar... Mas por favor, não quero que Darcy saiba que sei dessas coisas ou que falamos sobre esses assuntos. Ele se aborreceria comigo e a última coisa que quero neste mundo é ver meu irmão aborrecido.

 

- Ele não saberá. – Tocou rapidamente a mão de Georgiana. - Eles nos beijam na boca, colocam a língua lá dentro e mexem sem parar... Nos abraçam e podem pôr a mão em qualquer parte do nosso corpo.

 

- Ai. – Exclamou a outra. – Tem certeza?

 

- Bem, certeza eu não tenho... Mas foi o que ela me disse.

           

- Mas isso só depois de casados é claro.

 

- Algumas pessoas fazem antes. – Anne deu de ombros.

 

Georgiana arregalou os olhos de espanto e disse num tom muito secreto:

 

- Mas não deve ter sido o caso desta sua amiga.

 

Anne percebeu que a prima estava horrorizada com as revelações, pois sua pele já havia mudado de tonalidade algumas vezes. Então decidiu acalmá-la:

 

- Claro que não. Com ela foi só depois do casamento. Ela me garantiu. – Sorriu cabisbaixa.

 

- Hum. – Concordou a outra aliviada.

 

- E por fim... – Disse Anne sorrindo levemente. - A parte mais intensa... Introduzem em nosso íntimo o que eles trazem entre as pernas. – Murmurou.

 

- Anne, que horror. Isso deve ser horrível. – Exclamou a outra com uma expressão de dor.

 

Um breve silêncio precedido pelo riso de ambas.

 

- Mas ela me disse que não é ruim, ao contrário, é muito bom.

 

A outra não disse nada e as duas ficaram em silêncio por um tempo, mordiscando suas maçãs.

 

- Sabe Georgiana, por muito tempo achei que você e o Charles, amigo de Darcy formariam um belo casal.

 

- É... – Pausou. – Muitas pessoas acham quem combinamos... Talvez porque temos temperamentos parecidos.

 

- Nunca houve nenhuma tentativa dele?

 

- Como assim? Suspeita que ele possa estar interessado?

 

- Não. Suspeitar eu não suspeito, mas ele pode estar interessado sim.

 

- Não. Charles não. Ele é como se fosse um irmão para mim, acredito que todo seu empenho para comigo seja fruto de sua amizade por Darcy e sua gratidão.

 

- É, pensando por este lado. – Arqueou as sobrancelhas. - E a irmã dele?

 

- Caroline?

 

- Sim.

 

- O que tem ela?

 

- Já desistiu do Darcy?

 

Georgiana riu. – Você também acha que ela tem interesse nele?

 

- Estou certa que sim, mas sinto que não é correspondida... Pobre Caroline, sua afeição por Darcy chega a ser estúpida... Humilhante.

 

- Eu até gosto de Caroline, mas não sei se gostaria de vê-la casada com meu irmão. Não acredito que ela o faria feliz. Caroline é dona de maneiras que Darcy desaprova em uma moça. Sinto que ela tenta manter, perante ele, uma postura que não lhe pertence.

 

Anne a fitou de canto, suspeita. Franziu a testa.

 

- E como deveria ser a moça que faria seu irmão feliz?

 

- Alguém como você.

 

Anne sorriu levemente, parecendo ter dó das palavras de Georgiana.

 

- Prima, gostaria de te contar uma coisa.

 

- Ainda tem mais surpresas por hoje? – Brincou.

 

- Sim, mas esta é sobre mim.

 

- Sobre você?

 

- Sim. – Mordeu a maçã. Engoliu. – Como sabe, estou noiva, ou melhor, prometida ao teu irmão desde que éramos crianças...

 

- Sim sei... E acredito que vocês serão muito felizes juntos...

 

- Pois é exatamente nisso que desacredito. – Interrompeu a fala da outra mantendo-se cabisbaixa. Olhou para a prima a seguir. – Acho que nem eu, nem Darcy merecemos tal destino... Almas devem ser compatíveis e este não é o caso.

 

- O que quer dizer?

 

- Quero dizer que não me sinto disposta a ser esposa de Darcy... – Respirou fundo. –

 

No fundo torço insaciavelmente para que ele se incline por outra moça e proponha casamento a ela fazendo com que se quebre esse elo insignificante que existe de nos verem casados.

 

- Anne! - Exclamou com energia. - Confesso que suas palavras me deixaram surpresa. Sempre presenciei tantas moças disputando as atenções de meu irmão que fica difícil crer que você as rejeite.

 

- Eu não as rejeito, apenas acho que ele não combina comigo.

 

- Quanta modernidade existe em você. Estou surpresa.

 

Mesmo surpresa, Georgiana sentiu-se aliviada, pois tinha a certeza de que o irmão não fazia questão alguma de unir-se a prima e ao saber que tal repulsa era recíproca, sentiu-se melhor, pois viu assim o fim de algo que seria o inicio do sofrimento. 

 

Anne riu e iniciou calmamente:

 

- Isto tudo tem um motivo maior. – Pausou e viu a prima franzir a testa parecendo confusa. - Eu amo alguém e tenho certeza que sou correspondida. – Completou. – E este alguém não seria seu irmão.

 

- Mas então quem é? – Saltou Georgiana na tentativa de saciar sua curiosidade.

 

- Alguém que selou meus lábios com um beijo e tomou meu coração por inteiro.

 

- Beijo? Você já beijou um rapaz mesmo sem ser comprometida com ele?

 

- Sim. – Ruborizou.

 

- Mas não foi daquele jeito que você me descreveu... Com a língua dele dentro da sua boca...

 

- Foi sim. – Interrompeu.

 

- Anne! – Georgiana tapou a boca e manteve-se em silêncio por um instante até soltar uma risada contagiando a prima também.

 

 - Juro-te.

 

- Tudo bem Anne. Eu acredito em você. – concordou mesmo parecendo contrariada.

 

- Obrigada!

 

- Mas quero saber quem é o felizardo que se adonou de seu coração.

 

Anne respirou fundo. Precisaria de forças para dizer a verdade a prima.

 

- Primo Fitzwilliam.

 

Georgiana cessou o riso repentinamente, baixou a cabeça e tentou manter sua postura natural.

 

- Primo Fitzwilliam. Ele é um bom rapaz. Mas admito que me deixou um pouco surpresa.

 

- Eu sei. – Disse a outra com energia.

 

- E... – Pnesou em como dizer. - Você o ama?

 

- Sim. Com todo meu coração. – Respondeu Anne com os olhos brilhantes, pupilas dilatadas.

 

- E ele já falou com sua mãe sobre o envolvimento afetivo de vocês?

 

- Claro que não. – Saltou a outra. –  Mamãe nunca aceitaria. – Riu.

 

- E como vai ser então?

 

- Ainda não sei.

 

Georgiana pôs a mão sobre o peito na tentativa de acalmar seus batimentos cardíacos. Sorriu levemente. Estava atônita com tantas revelações.

 

- Mas, me conte... Como aconteceu este encontro de vocês?

 

Anne olhou para frente onde já avistava a mansão se formar. Sorriu levemente.

 

- Isto eu lhe conto outra hora. Agora vamos que o chá já deve estar na mesa.

 

FIM

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