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Tonight the sky above
Esta noite, o céu acima
Reminds me of you, love
Me lembra de você, amor
Walking through wintertime
Andando através do inverno
Where the stars all shine
Quando todas as estrelas brilham
The angel on the stairs
O anjo na escada
Will tell you I was there
Irá lhe dizer que eu estava lá
Under the front porch light
Sob o alpendre frente a luz
On a mystery night
Em uma noite misteriosa
Londres, 2007
Charles corria pelas ruas apressado, precisava deixar seus materiais na república e ensaiar com sua banda. Estava frio e garoava, mas nada que o impedisse de correr o mais rápido que pudesse.
Faltando apenas uma quadra, Charles tropeçou num galho a sua frente, fazendo-o quase perder o equilíbrio, infelizmente deixando seus livros pesados caírem no chão. Nervoso, bufou e começou a juntá-los o mais rápido possível para não serem molhados.
Viu um par de sapatos. Parou a ação naquele momento passando a seguir o caminho da dona dos sapatos à sua frente. Era uma moça loira, sentada na escada de um prédio olhando-o docemente.
As feições delicadas, os cabelos longos levemente encaracolados nas pontas, um sorriso singelo, Charles pensou que fosse um anjo. De fato era.
- Precisa de ajuda? – Jane levantou-se e aproximou-se sem esperar pela resposta, ajudando-o a pegar os livros.
Charles fez tudo mecanicamente, ficara extasiado com a beleza daquela estranha moça, nunca vira na vizinhança. Sempre fora distraído, quantas vezes seus amigos achavam ruim por esse defeito, agora se culpava de sê-lo.
“Como não a notei”.
Jane ainda esperava por alguma resposta com um sorriso leve. Charles percebendo a cara de bobo que estava, logo se recompôs gaguejando um pouco.
- Obrigada. – Falou depois de engolir inúmeras vezes a saliva.
Ele parecia querer falar mais alguma coisa, na verdade desejava saber o nome dela.
- Jane. – Ela disse surpreendendo-o.
- Ch-Charles. – Jane sorriu mais, fazendo Charles observá-la melhor.
- Eu cheguei do interior e não conheço nada daqui. Será que você poderia me dizer se tem algum lugar para eu e minha irmã sairmos à noite? – Jane, nervosa, falou muito rápido.
- Claro. Tem um pub de um amigo meu e que toca minha banda todas as noites. Vocês podem ir lá.
Explicou a ela o caminho e o horário.
- Muito obrigada, Charles. – Jane sorriu largamente e entrou em casa.
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- Lizzy, levante e se arrume. – Jane entrou no quarto animada, abrindo o guardarroupa e selecionando alguns vestidos.
- Aonde vamos? – Perguntou sonolenta.
- Vamos sair.
- Jane, vamos amanhã. Estou muito cansada.
- Deixa de ser preguiçosa! Vamos nos divertir um pouco. – Jogou uma blusa na cara da irmã, com o pretexto de tirá-la da cama. – Conheci um rapaz que mora aqui perto e nos chamou para vê-lo tocar num pub pertinho daqui.
- Ah, Jane, então o motivo de sairmos tem nome. Quem é? – Lizzy levantou-se colocando a blusa que a irmã lhe jogou na cara.
- Charles. – Jane sorriu. – Ele é tão fofo.
- O que eu não faço por minha irmã? – Entrou no banheiro para terminar de arrumar.
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Charles guardava seu baixo, em duas horas estaria vendo Jane novamente, estava ansioso de encontrá-la, de conversar, de ouvir sua voz novamente.
- Você ficou mais distraído do que das outras vezes. – Aproximou-se William. – Aconteceu algo?
- O de sempre.
- Garotas... – Revirou os olhos.
- Mas essa é especial.
- Sim, como aquela do mês passado e a outra da semana passada. – Foi irônico. – Mais uma?
- Ela é diferente, você vai ver.
William não acreditou nas palavras do amigo e voltou a arrumar as suas coisas.
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Lizzy e Jane sentiam-se totalmente deslocadas num mundo que ainda não conheciam. Era tudo muito diferente da antiga cidade em que moravam, comparada a Londres. No interior daquele pub, era tudo diferente. A conversa, os sotaques, a roda de amigos, tudo isso passava bem longe do ambiente em que viveram anteriormente.
Sentaram-se numa mesinha perto da janela.
- E então? – Jane indagou a Lizzy, que olhava estranho ali dentro.
- Me sinto uma caipira. – Riram.
- Acho que a gente se acostuma.
- É.
Pediram uma bebida enquanto o local enchia ainda mais e o som do ambiente aumentava.
- Você está ansiosa para ver aquele rapaz de novo? – Lizzy percebeu que a irmã olhava muito para as pessoas tentando encontrar o rosto dele.
- Não. Não. – Lizzy arqueou as sobrancelhas. – Ok, eu desisto. Estou sim... Lizzy eu nunca senti uma energia tão diferente ao olhar para ele pegando os livros no chão, sei lá, como se o olhar dele tivesse um imã e como se a voz dele me confortasse. Posso dizer que é muito perfeito.
- Jane, você está sendo equivocada. Sabe apenas que ele se chama Charles e já acha que está apaixonada por ele.
- Não estou apaixonada. – Reclamou.
- Jane, mesmo se o ver apenas esta noite, por favor, não crie expectativas. – Lizzy falou preocupada.
- Ah, Lizzy, ele é apenas um amigo. Não precisa ficar toda preocupada comigo. – Falou alegre.
As duas sorriram, e Lizzy resolver deixar a preocupação de lado e curtir a noite.
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As luzes do ambiente diminuíram e a banda começou a tocar.
Jane pegou na mão de Lizzy e a levou até próximo ao palco. Apontou quem era Charles e ficaram ali escutando a banda cantando as músicas que fazia sucesso entre os jovens.
Charles procurava por Jane, mas tinha que dividir a atenção para tocar o baixo. Logo a avistou, estava mais linda do que na primeira vez que se viram. Apenas trocando olhares com ela, parecia que tudo em sua volta havia evaporado e estavam apenas os dois, uma cotovelada de William o fez voltar a prestar atenção na música. Mas, de vez em quando, trocava olhares com Jane.
Tocaram mais algumas músicas e terminaram a apresentação. Charles desceu do palco, abordando Jane com um sorriso largo.
- Que bom que veio.
- Como poderia perder? Vocês tocam muito bem.
- Obrigada.
- Bem... Essa é minha irmã, Lizzy.
- Prazer. – Charles estendeu a mão e Lizzy aceitou.
Conversaram por um tempo, até que William chamou Charles para ajudar a guardar os instrumentos.
- Já vamos indo. – Jane disse com pesar.
- Oh, não! Fiquem mais um pouco. – Charles pediu.
- Infelizmente não dá. Eu e Lizzy temos que acordar cedo.
- Tchau, Charles. Minha irmã não parou de falar sobre você, gostei de te conhecer. – Lizzy falou com um tom brincalhão.
As faces de Jane ficaram vermelhas de vergonha. Charles olhou curioso para Jane.
- Tchau, Charles. – Jane deu meia volta e foi em direção a saída.
Charles riu sozinho e foi ajudar os amigos. Havia ganhado a noite.
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Após aquele encontro no pub, a amizade entre Charles e Jane foi crescendo. Ambos foram se identificando com vários gostos em comum. Tanto Jane quanto Charles estavam encantados, mas tinham medo do novo sentimento que crescia entre eles, ia além da amizade.
Talvez, o que desencorajasse um pouco Charles de contar o que realmente queria com Jane não era apenas amizade, era a forma dela de ser muito reservada e pouco expressiva. Concluiu que tinha que driblar a timidez extrema de Jane para saber se o sentimento era recíproco.
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Jane andava rapidamente entre as ruas desertas. Era noite, o vento e a escuridão aumentavam ainda mais o medo da jovem de andar sozinha na rua.
Infelizmente fora pega de surpresa, mal sabia que seu trabalho em grupo levasse tantas horas para ficar pronto na casa de uma colega que morava do outro lado do bairro. Apenas ela tinha que atravessar o bairro para chegar à casa da tal amiga, tendo que voltar sozinha para casa.
Repetindo o caminho inverso da ida, resolveu cortar caminho por um beco. Piorando ainda mais sua visibilidade, aumentando mais ainda o pânico que sentia por dentro.
Um barulho entre umas latas a fez parar imediatamente de andar.
- Quem está aí? – Girou para ver se havia alguém atrás dela. – Quem está aí? – Falou mais alto ao ouvir o barulho novamente.
“Miau”. Jane colocou a mão no coração, respirando rapidamente, era apenas um gato. Após o susto, passou a andar mais rápido, faltavam poucos passos para sair daquele beco escuro.
Assim que saiu do beco, foi surpreendida por duas mãos grandes, uma tapando sua boca e outra a agarrando pela cintura.
Começou a se debater, mas sem sucesso, o homem era muito forte e a prensou contra a parede.
Jane não conseguia ver seu rosto direito, pois ele estava bem camuflado pela touca e um cachecol que cobria sua boca e seu nariz, conseguia ver apenas seus olhos castanhos e brilhantes.
O homem tirou a mão em volta de sua cintura, aumentando a pressão dela contra a parede com o corpo, atemorizando-a, pois sentiu uma leve pressão contra seu ventre. Provavelmente ele não queria roubá-la.
Com a mão livre, começou a puxar o zíper da jaqueta dela e acariciá-la ao mesmo tempo. Jane começou a chorar e tentou gritar, fazendo o homem apertar ainda mais a mão em sua boca.
Jane tentou chutá-lo, mas ele conseguiu conter suas pernas e num movimento, levou-a para o beco, lançando-a no meio de sacos de lixo.
Jane gritou.
- Pode gritar gatinha, ninguém vai te escutar. – Ele falou despreocupado, ajoelhando-se por cima dela.
Com essa deixa, Jane chutou as partes baixas. Ele caiu de lado gemendo de dor.
- Sua vadia! – Falou com dificuldade.
Jane levantou rapidamente e começou a correr. Atravessou a praça, olhou para trás e o viu próximo, tentou ser mais rápida, porém ele foi mais. Puxando-a pelos cabelos, jogou-a na árvore, imobilizando-a.
O pânico aumentou, quando o homem rasgou sua camisa que usava por baixo da jaqueta. Quando ele seguia a trilha até sua calça jeans, viu outra pessoa lançar sobre ele e rolarem para o lado.
Jane fechou a jaqueta e levantou-se assustada. O maníaco lutava com... Charles. Como ele havia aparecido ali? Jane se perguntava. Um golpe certeiro fez o homem desmaiar.
Charles aproximou-se de Jane e abraçando perguntou carinhosamente:
- Você está bem? – Jane apenas assentiu, pois chorava copiosamente, estava em estado de choque. – Acalme-se, quando a reconheci chamei a polícia e parti pra cima do cara. Logo a polícia chega e acaba toda essa angústia.
Charles deixou Jane sentada no banco e foi imobilizar melhor o homem, que ainda estava meio tonto pela sequência de socos que Charles lhe dera. Poucos minutos, a polícia chegou, prendendo o homem e levando Charles e Jane para a delegacia.
O tal homem, já era conhecido na polícia. Seu nome era George Wickham. Ele costumava atacar mulheres naquele mesmo local e naquela mesma hora todas as terças-feiras. Ele já havia atacado outras cinco mulheres e estuprado-as.
Jane agradeceu a Deus por não ter sido a sexta vítima daquele maníaco.
Foi a partir desse episódio que Jane viu que Charles seria essencial para sua vida. Se não fosse por ele, talvez ela nem estivesse viva.
Quando ele a deixou na porta de casa, Jane agradeceu mais uma vez.
- Muito obrigada, Charles. Você salvou minha vida!
- Jane, você não tem o que agradecer. Não acreditei quando te vi imobilizada por aquele canalha. – Uma pequena pausa. – Acho que não conseguiria mais ser feliz se eu a perdesse. – Abraçou-a apertado.
- Nem eu. – Jane deixou uma lágrima escapar.
Apesar de toda aquela atmosfera pedir para aquela noite terminar com um beijo, Charles ponderou que aquela ainda não era a hora. Jane ainda estava assustada com tudo que acontecera, e poderia não entender a atitude de Charles ao beijá-la, levando em consideração tudo o que havia acontecido.
Charles beijou a testa dela.
- Durma bem. – Falou com carinho.
- Você também. Sonhe com os anjos. – Jane retribuiu o carinho.
- Eu sempre sonho com um. – Charles falou ao descer as escadas, fazendo Jane rir sem jeito.
Ao entrar em casa, Jane teve que contar tudo o que havia ocorrido. Primeiramente, ouviu os sermões dos pais, do tipo: Você é louca? Andar num lugar escuro a essa hora da noite?... Depois aos elogios exagerados de sua mãe a Charles, de como ele era um menino bom e que via futuro entre ele e Jane.
Apesar da noite difícil, Jane dormiu bem.
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Não agüentando mais, Charles resolveu finalmente se declarar a Jane.
- É, pelo jeito aquela garota te encantou mesmo. – William falava com ironia ao amigo.
- Não te falei que ela era diferente, William? – Charles indagou sério.
- Sim, falou. – Ele respondeu no mesmo tom. – Eu acredito em você. Se ela gosta de você, vá em frente.
Charles seguiu o conselho do amigo, e daquele dia não passaria. Jane ia saber o seu verdadeiro sentimento por ela. Quando Charles não se apresentava a noite com a banda no pub, ele sempre ia visitar Jane, e ficavam conversando até tarde na escada.
Aquela era para ser um final de tarde qualquer para Jane. Eles conversavam animadamente, quando Charles pegou em suas mãos, ficando sério de repente, fazendo Jane estranhar.
- Jane, preciso te dizer uma coisa que estou guardando há muito tempo. – Ele pensou um pouco. – Desde a primeira vez que te vi, o seu jeito de falar, de andar, a forma que mexe os seus cabelos, enfim a sua beleza. – Jane ficou rubra. – Me fez gostar de você a cada dia que passa. E hoje, posso lhe dizer que estou perdidamente apaixonado por você.
- Oh, Charles. – Os olhos de Jane brilharam emocionados. Colocou uma de suas mãos na face de Charles e começou a sentir a barba pequena dele roçando em suas mãos. – Como sonhei em ouvir isso...
Ele não esperou mais tempo e colou seus lábios no dela. Foi um beijo inocente, mas que logo se tornou cada vez mais íntimo.
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A história de Jane e Charles passou a ser recontada a partir de então. Não eram apenas amigos, agora eram namorados que passaram a seguir no mesmo caminho.
Passado seis meses de namoro, Charles pensava em construir um relacionamento firme e mais sério entre ele e Jane. No final daquele ano, os pais de Charles chegaram em Londres para passarem um tempo com o filho e conhecer a moça que mudou completamente a vida do primogênito.
Sarah e Louis Bingley receberam muito bem Jane no jantar.
O jeito simples de falar e o modo de se comportar deixaram o casal satisfeito com a escolha do filho.
Porém, diante de toda a gentileza dos pais, Jane não contava com a mente maquiavélica de sua cunhada, Caroline.
Caroline, a irmã mais nova de Charles era uma menina mimada e arrogante. Tratou Jane com uma atenção exagerada, mas na verdade não gostara dos modos da namorada do irmão.
Após o jantar, Charles foi levar Jane em casa.
Louis degustava uma taça de vinho na sala de estar, não se cansava de elogiar a mais nova nora, sendo acompanhado pela esposa.
- Eu não gostei dela. – Caroline discordou dos elogios. – Jane não me engana. – Os pais a olharam sem entendê-la. – Está na cara de que toda essa educação simples que ela tem é uma máscara. Na verdade, ela está interessada na fortuna de nossa família.
- Caroline, julgar as pessoas sem conhecê-las direito é errado. – Sarah chamou sua atenção.
- Mamãe, será que a senhora não percebeu que ela é totalmente indiferente a Charles? Durante o jantar ela não retribuiu os carinhos dele, não olhou nos nossos olhos quando respondia as perguntas... Do que mais precisa para vermos que ela não passa de uma interesseira?
- Carol, você é muito jovem para entender isso. Estou exausta, vou dormir. – Beijou a testa da filha e foi seguida pelo marido.
- Boa noite, filha. – Ele parecia estar um pouco sério.
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Por causa das ótimas notas que Charles conseguiu no final daquele ano na faculdade, os pais resolveram lhe dar um presente: um apartamento novo, situado num dos bairros mais nobres de Londres.
Na primeira noite, Charles resolveu levar Jane até o apartamento para eles jantarem lá. Eles estavam em perfeita harmonia. O jantar romântico, o filme que passava na TV e a paixão que crescia ainda mais entre eles, fez daquela simples noite, a primeira vez do casal.
Apesar da inexperiência de Jane, Charles foi cuidadoso para com ela. No final, abraçou-a satisfeito por aquela noite.
- Muito obrigada. – Jane falou sonolenta.
- Eu te amo. – Ele falou ao beijar sua testa.
- Eu também. – Caiu em sono profundo.
Charles conseguiu cochilar um pouco, mas no meio da madrugada acordou novamente para contemplar o sono tranqüilo de Jane, e uma vontade de escrever passou incomodá-lo. Levantou-se divagar, abriu uma gaveta com um caderno velho, pegou uma caneta no criado-mudo, sentou-se na cama.
A memória de Charles começou relembrar de todos os momentos com Jane, desde vê-la sentada na escada até aquela noite, com o seu rosto repousando confortavelmente, os cabelos loiros espalhados nos travesseiros, mais uma vez a imagem de um anjo surgiu na mente de Charles, assim montando apenas uma estrofe, de um poema ou de uma música, não sabia, mas Jane era sua musa inspiradora.
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O tempo passou e Charles tinha certeza de que era com Jane que queria passar o resto dos seus dias. Porém, numa noite, recebeu uma visita inesperada.
- Mãe!
A Sra. Bingley entrou no apartamento com o rosto preocupado.
- Meu filho, quando soube fiquei muito preocupada. Tem certeza? – Indagou preocupada.
- Como nunca tive na minha vida, mãe.
- Charles, há alguns meses, Caroline me contou umas coisas que me deixou em alerta. – Charles tentou interrompê-la, mas não deixou. – Sei que pode parecer estranho ouvir Caroline, mas o que ela me disse, após um tempo, passou a fazer sentido e concordo com sua irmã.
- Espere um pouco, mãe. É sobre Jane? – Ela assentiu.
- Ela não parece gostar de você.
Charles riu ironicamente.
- Acredite em mim Charles, e me escute.
Ele ficou quieto e resolveu escutar a mãe.
Sarah defendeu todos os pontos de Caroline e os relacionou com o jeito que Jane se comportava. Charles escutava tudo aquilo enojado, não acreditava que sua irmã conseguiu envenenar a mãe com êxito.
- Talvez ela não seja interesseira, mas ela é indiferente a você.
- Desculpe, mas isso é besteira para mim.
- Eu só não quero que você sofra.
Um clima pesado pesou sobre os dois naquela sala, e a Sra. Bingley resolveu deixar o apartamento.
Charles precisava tirar uma duvida que sua mãe havia lhe botado. Pegou o casaco e foi até a casa de Jane.
Ao chegar, bateu fortemente, Jane o atendeu estranhando o horário. Ele mal esperou que ela falasse alguma coisa e segurou o seu rosto aproximando do seu e perguntou desesperado:
- Jane, você gosta de mim?
- Sim. – Ela estava assustada, pensou na possibilidade dele estar bêbado, mas apenas parecia transtornado.
- Você me ama?
Jane assustou-se ainda mais com o desespero de Charles, seu coração batia muito rápido, e demorou a respondê-lo.
- Eu sabia. – Falou desanimado, soltando o rosto de Jane e saindo dali.
Ela não entendeu nada, resolveu entrar e conversar calmamente com ele no dia seguinte.
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I've been sitting watching life pass from the sidelines
Estive sentado vendo a vida passar sobre mim
Been waiting for a dream to seep in through my blinds
Esperando um sonho entrar através das minhas cortinas
I wondered what might happen if i left this all behind
Gostaria de saber o que poderia acontecer se eu deixasse tudo isso para trás
Would the wind be at my back ? could i get you off my mind
Com o vento soprando ás minhas costas? Talvez eu pudesse te desligar da minha mente
This time
Desta vez
Charles olhava com tristeza Londres, enquanto o avião levantava vôo. Talvez fosse a última vez que veria esta cidade de novo.
Não conseguia pensar em mais nada, apenas chegar o quanto antes em Berlim, onde estava sua casa. Tentava acreditar que o amor que ainda sentia por Jane ficara no passado.
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Lizzy afagava a irmã, que chorava copiosamente na cama.
- Eu não sei o que deu nele. Ele estava tão esquisito naquela noite, fiquei tão assustada. – Limpava mais uma das grossas lágrimas que caíam em seu rosto. – E depois, não atendia às minhas ligações...
- Jane, não fique assim. Charles foi um idiota.
- Lizzy, não fale assim. Ele não foi idiota, eu que fui. Se ao menos eu tivesse falado que o amava, talvez ele não terminasse comigo dessa maneira.
- Me desculpe, mas é que a forma que te esnobou nesses últimos dias é para tirar qualquer um do sério.
Aquela conversa fez Jane chorar ainda mais. Não sabia por qual motivo o seu conto de fadas teve um fim inesperado, mas não encontrava as respostas.
Logo, soube que Charles foi embora. Isso foi um golpe muito grande para ela, restou a Lizzy reconfortar a irmã novamente.
Com o passar do tempo, Jane foi se acostumando a sua vida sem Charles. Torcia por sua irmã, que começara recentemente um curso universitário e para ela mesma, que encontrasse alguma coisa para se distrair.
Jane sempre se interessou por arte, sempre teve habilidades com pinturas a óleo, até que conseguiu uma bolsa de estudos para estudar na Itália. Era a realização de um sonho...
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Abril, 2010
The neon lights in bars
As luzes de neon dos bares
And headlights from the cars
E faróis dos carros
Have started a symphony
Teriam iniciado uma sinfonia
Inside of me
Dentro de mim
The things i left behind
As coisas eu deixaria para trás
Have melted in my mind
Teriam derretido em minha mente
And now there's a purity
E agora há uma pureza
Inside of me
Dentro de mim
Depois de dois anos, Charles nunca imaginara que voltaria a ver a sua tão amada Londres. Berlim não era a mesma coisa, sempre faltava algo que aquela cidade não tinha.
Também, não abandonou a expectativa de rever uma pessoa que ainda continuava viva em sua memória, Jane. Arrependeu-se de ter acreditado em algo que não tinha fundamento algum, agora que acreditava estar realmente amadurecido, decidiu voltar para reaver seu amor de novo.
No dia seguinte, não conseguiu mais se segurar, precisava ir a casa onde a família de Jane morava, tentar encontrá-la e tentar resolver toda a situação.
A casa não havia mudado nada nos últimos dois anos. Continuava com o seu aspecto simples e aconchegante, bem inglesa. Hesitou em bater na porta, mas tomado por coragem foi até o fim.
A porta foi aberta por uma moça morena, Charles demorou um pouco para reconhecer Lizzy, ela estava tão diferente do que da última vez que a havia visto.
- Pois não? - Lizzy não o havia reconhecido.
- Acho que não está me reconhecendo. Sou Charles namor... Ex-namorado de Jane. – Corrigiu.
- Oh, Charles! – Lizzy exclamou. – Está procurando Jane?
- Sim. Espero que não esteja incomodando.
- De forma alguma, mas Jane não está.
- Que falta de sorte. – Falou descontente.
- Quer dizer, ela foi embora daqui para estudar no exterior.
- Há quanto tempo? – Perguntou surpreso.
- um ano.
Ficaram em silêncio.
- Sabe, Charles, Jane ficou muito magoada da forma covarde que você terminou com ela. Ela estava à beira da depressão, quando surgiu uma oportunidade de ir embora daqui.
- Sinto muito. Odeio lembrar, mas sei que fui um covarde ao ir embora sem ao menos dar a ela uma explicação. Me manipularam, não sei como me deixei levar, mas fiquei cego e quando acordei, era tarde demais.
- Não é, Charles.
- Como assim? – Charles olhou surpreso mais uma vez a Lizzy.
- Ela nunca te esqueceu.
- Por favor, Lizzy, me fale onde Jane está?
- Na Itália.
- Me dê o endereço, quero ir o mais rápido possível para lá. – Charles parecia cada vez mais encorajado.
- Você a ama mesmo?
- Mais do que minha vida. – Lizzy viu o amor estampado nos olhos brilhantes de Charles. Romântica por natureza resolveu ajudá-lo.
Lizzy anotou no papel o endereço de Jane e entregou a Charles, desejou boa sorte para ele.
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Jane trabalhava arduamente em seu novo quadro. Havia se inspirado num sonho há duas semanas em que via um casal se abraçando, não via seus rostos, mas eles lhe passavam uma energia tão boa, parecia que o amor que havia entre eles a confortava.
No final da tarde, saiu do ateliê de sua amiga e foi andando pelas ruas de Florença. O sol estava se pondo e Jane resolveu observá-lo na Ponte Vecchio, umas das construções mais lindas de Florença.
Não era sempre que se via a beleza do alaranjado do sol misturar com o Rio Arno, para Jane uma nova pintura formava em sua mente.
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Uma sombra parou ao seu lado assoviando.
Poderia se passar mil anos, mas ela jamais se esqueceria desse assovio, de suas mãos colocadas ali no apoio, da altura, da cor dos cabelos, dos olhos... De Charles.
Jane ficou sem reação, não sabia se chorava ou se o abraçava. Charles esperou pacientemente a reação de Jane passar, para falar com ela.
- Me perdoe. – Tentava procurar as palavras certas. – Sei que fui errado em ter sumido dessa maneira.
- Dois anos, Charles! Dois anos! – Jane falava em meio às lagrimas.
- Sei que demorou, mas precisou passar por todo esse tempo para eu realmente ver a pior besteira que eu fiz na minha vida.
- Eu te amo, Charles. Mas você me magoou, feriu o meu coração...
- Por favor, Jane, vamos recomeçar. Eu também te amo, e você não faz idéia o tanto que sofri durante todo esse tempo.
- Meu coração está tão magoado, não sei se agüentaria se você me abandonasse mais uma vez sem me dar uma explicação.
- Eu nunca mais vou te abandonar. – Apertou-a num abraço.
Jane o soltou e ficou de costas.
- Não sei.
- Tonight the sky above. Reminds me of you, love. Walking through wintertime. Where the stars all shine. – Escrevi pensando em você, mostrou-lhe o caderno velho e Jane leu o que estava escrito.
Charles a abraçou fortemente e sussurrou em seu ouvido:
- Volte para mim, que farei tudo certo desta vez.
- Como dizer não... – Jane fitou-o nos olhos apaixonadamente. – Para a pessoa que mais amei e amo nesse mundo.
Charles sorriu e capturou cheio de saudade e desejo os lábios de Jane.
O pôr do sol foi testemunha do amor entre aqueles dois jovens, que por besteira se separaram, mas que o tempo e o sentimento mostraram que eles eram feitos um para o outro, e que o amor incondicional compartilhado era apenas mais um elemento para juntar suas vidas para sempre.
FIM














