Capitulo V
Ficaram ali, em silêncio, até o sol desaparecer de vez, e as luzes das ilhotas ao redor fossem acesas.
-Bom, eu vou me aprontar pro jantar – Edward quebrou o silêncio ao se levantar e anunciar que estava de saída – fique à vontade.
- Obrigada - ele saiu tão rápido que ela mal teve certeza que tenha lhe ouvido.
Lizzie secou os cabelos e os prendeu em um rabo de cavalo, colocou uma camiseta branca e um short lilás de algodão, com umas havianas da mesma cor. – “Afinal de contas não vamos ter um jantar formal e isso aqui é uma ilha”.
Ela deixou o quarto e foi em direção à cozinha. Não pode deixar de sorrir com o que viu.
Edward de avental tirando um peixe do forno, uma mesa posta, salada pronta.
-Não sabia que era um rapaz tão prendado? – brincou.
- Há! Você reparou que sou um rapaz? - ela lhe deu um olhar confuso, e ele começou a explicar enquanto levava o refratário à mesa. – Você fica de Sr.Darcy pra cá, Sr.Darcy pra lá, fazendo eu me sentir um velho.
Ela deu uma sonora gargalhada – Deixa seu pai ouvir isso, vai se sentir insultado. E de velho ele não tem nada, ele é um charme, nem parece que tem um filho com sua idade.
-Você entendeu o que eu quis dizer. Não estou chamando meu pai de velho, mas eu acabo me sentindo mais velho do que realmente sou. – de repente ele parou e olhou pra ela como se estivesse processando o que ela acabara de falar - Você acha meu pai um charme?
- Humhum – respondeu ela tranquilamente, enquanto lhes servia de vinho branco.
-Você tem preferência por homens mais velhos Lizzie? É isso?
-No momento eu tenho interesse nesse peixe que você não solta, se apegou a ele é?! – ela não respondeu de propósito, e tentou se esquivar de uma resposta direta.
Edward tomou seu vinho em um gole e tirou o avental. O percurso que ele fez de ir pendurá-lo próximo a pia e voltar à mesa, deu a ela um panorama completo daquele exemplar de Macho:
Usava uma camiseta azul que realçava seus olhos e um short que além de mostrar as coxas definidas, lhe dava uma bela visão de seu traseiro.
“Não Edward. Não me interesso por homens nem mais velhos nem mais jovens, eu me interesso por você”.
-Você disse alguma coisa? - perguntou ele.
- Não, eu não disse nada. – ela se assustou. “Será? Será que havia pensado em voz alta?”
-Tive a nítida sensação de que você disse alguma coisa.
-De maneira alguma.
-Se não disse, você pensou.
- O que foi agora Sr.Darcy? Resolveu controlar meus pensamentos?
-Não Lizzie, vamos comer em paz. - ele se sentou à mesa, seguido por ela - Quer que eu lhe sirva?
-Não, muito obrigada. Acho que posso me virar.
-Então se sirva, por favor.
Munutos depois:
-Nossa esse peixe está maravilhoso! Você é um gourmet de mão cheia Edward Darcy, uma revelação. Com quem aprendeu a ser tão prendado?- caçoou dele.
-Com minha tia Georgiana. Ela é uma Gourmet profissional.
-Como assim? Você ia mesmo pra cozinha com ela?! – estava impressionada.
- Não no trabalho dela. Mas nas comemorações de família, ela cozinhava pra todos, e eu sempre a ajudava. Uma coisinha aqui outra lá, sempre se aprende alguma coisa.
- E você cozinha? Qual sua especialidade? – Edward quis saber.
- Hum. Cozinho o trivial Sr.Darcy, o básico. Não tínhamos dinheiro para pratos sofisticados. – Edward enrubesceu imediatamente constrangido. Era até engraçado se não fosse trágico.
- Desculpe Lizzie, eu não queria... Eu não queria... – estava todo desconcertado.
-Relaxa!- e procurando um meio de mudar de assunto - E com quem você aprendeu a dançar?
-Com meus pais. Eles são uns pés de valsa, deixam os Bingley parecendo amadores.
– falava todo orgulhoso. - E você, onde aprendeu a dançar tango?
-Aprendi com um vizinho latino que tivemos. Ele dava aulas pra Feliz Idade, e eu acompanhava minha avó. E pra seu governo, eu não danço só tango. – ela falava alegrinha devido às taças de vinho.
Ele se levantou juntando os pratos e as taças. Ela foi ao seu auxílio no mesmo instante.
-Não precisa Lizzie, amanhã os empregados lavam, eu só vou deixar organizado. Vá pra sala e abra a porta de correr que dá pra Varanda, eu já estou indo em seguida.
- Tem certeza? Eu posso ajudar sem problemas.
- O que quer beber? Eu levo. Café, vinho...
- Margarita – ela disse sorrindo.
- Está bem, vou te levar Margarita.
Lizzie abriu toda a porta de vidro que dava pra enorme varanda da sala e fechou os olhos sentindo o vento lamber seu rosto.
Quando voltou a abri-los se deparou com um par de olhos azuis a centímetros dos seus.
- Sua Margarita – Ouviu uma voz rouca que a fez arrepiar-se.
Foram segundos, mas Lizzie sentiu afogar-se naquele olhar.
- O... Obrigada! – E rapidamente começou a andar pela varanda, falando em disparada com o intuito de quebrar o clima tenso – Adorei essa varanda, é enorme. E como está no sentido oposto dos quartos, posso concluir que daqui se vê o nascer do sol.
- Sim. Por isso é o local preferido da minha mãe, ela ama ver o nascer do sol.
Ele indicou as espreguiçadeiras, e eles se sentaram para apreciar o céu estrelado, o luar e a Margarita.
- Amanhã a maré estará perfeita – Ele disse – Poderemos acordar bem cedo e fazer esqui aquático, o que me diz?
- Sr. Darcy, estou aqui a trabalho, lembra? Não estou de férias.
- Mas, eu sou seu cliente lembra? Eu te libero pela manhã. – ele sorria com os olhos azuis brilhando intensamente. E que sorriso!
- Está bem, mas só pela manhã, quero começar logo esse trabalho. Como disse tenho pouco tempo. – Deixando-o de sobre aviso, aceitando o convite.
Uma música começou a tocar ao longe. Lizzie foi até o para-peito e olhou para uma ilhota toda iluminada e bem movimentada.
- Acho que seu vizinho está dando uma festa de arromba.
- Os Souza estão sempre dando festas, são muito alegres.
- Não são ingleses?
- São brasileiros.
- Nossa, se daqui dá pra ouvir, as pessoas lá devem estar surdas.
- Nem tanto. Como estamos no alto, o som chega aqui perfeitamente. – lembrando-se do que ela havia dito anteriormente, continuou – A senhorita me disse que dança outras modalidades. Boa hora para me mostrar suas habilidades.
- O quê? Você quer dançar Salsa?
- Está com medo?
Ela se dirigiu ao meio da varanda e o chamou com os dedos, e ele foi. Ele se posicionou ao redor dela e começaram a bailar...
Dançavam divertidamente, riam e sorriam, mas a música mudou de repente. E eles continuaram a bailar ao luar no ritmo lento da canção.
Envolveu-a com os braços, os dedos alisando os cabelos, a nuca, pedindo um beijo.
Podia sentir o desejo crescendo dentro dele, mas um desejo ainda controlado.
Ele a beijou arrebatadamente, trêmulo de paixão. Ela não conseguia mais resistir. “Tenho que parar aqui, isso está ficando perigoso. Só mais um pouquinho... ele é tão gostoso... eu já vou parar”.
Mas ela não percebeu que na realidade já estava sendo diferente. Impossível parar agora, voltar atrás. Tinha menosprezado que seus próprios sentidos correspondiam com delírio aos beijos apaixonados e demorados de Edward.
Nunca se julgara capaz de um desejo tão intenso. Seu corpo se consumia, enquanto a boca de Edward roçava seu rosto, pescoço, os dedos descendo pelo seu corpo, subindo sua camiseta, abrindo a parte frontal do seu sutiã, as mãos acariciando os seus seios, os dedos apalpando os bicos intumescidos.
Quando os lábios procuraram ávidos os seios de Lizzie, um gemido acompanhou o movimento do corpo se colando ao dele num convite ansioso. Ajudou-o a arrancar a camisa e abraçou-o mais forte, e num carinho provocante as mãos escorregaram pelas costas até chegar a seu bumbum e apertá-lo. “Nossa como isso é bom!” Com um gemido selvagem, ele a apertou nos braços, os lábios esmagando apaixonadamente os dela...
- Isso é loucura – Sussurrou Lizzie.
- Não, não é. – Ele retrucou.
Incapaz de raciocinar, só desejava aquele homem perfeito em cima dela. Nem chegou a escutar a porta da sala bater.
Edward também ouviu, e a muito contra gosto se desvencilhou dela para ver o que era.
– Um minuto eu já volto. – Avisou, indo com pressa em direção a sala.
Enquanto tentava readquirir o autocontrole, ajeitou o sutiã e vestiu a blusa. Tremia dos pés a cabeça quando Edward voltou, para perto dela, envergonhada e sem entender como pudera agir daquela maneira.
- Sinto muito, é que a srª. Mercedes voltou mais cedo e veio saber se precisávamos de alguma coisa. Como eu disse que não, ela já foi pra casa dela.
- Ela não tem um quarto aqui na casa?
- Não, ela e o marido, e também mais outro casal que trabalha aqui, tem suas próprias casas ao sul da ilha. Amanhã eu te mostro tudo.
- Humhum. – Nervosamente ela tomou o restante da sua margarita.
Ele se aproximou mais dela. – Onde paramos?
Ela se esquivou. – É melhor eu ir dormir, estou cansada, e terei muito trabalho pela frente.
- Tem certeza de que é isso que você quer? Dormir?
- Sim, tenho. – Lizzie respondeu sem olhar pra ele. – Obrigada pelo jantar, enfim, por tudo.
- Está bem. – Edward suspirou impaciente. – Eu não vou conseguir dormir agora, vou beber mais um drinque.
- Então, boa noite. – Murmurou levantando a cabeça e fitando ele.
Edward se limitou a erguer sua taça em direção a ela, respondendo o cumprimento com o gesto e tomando o que restava da bebida em um gole só.
Lizzie entrou em seu quarto e foi direto tomar uma ducha. “Eu prometo que não tomo álcool até sair desta ilha, preciso me manter sóbria”. Tentava uma justificativa para o seu comportamento tão inapropriado, e resolveu culpar a margarita e o vinho branco.
Foi para a cama. Tentou dormir, porém só fazia rolar de um lado para o outro.
Levantou-se angustiada. Abriu a porta de sua varanda, e sentiu a brisa da noite, e ouviu a música que vinha da ilha vizinha.
“Nããããoooo, isso é castigo”. A música que tocava era a mesma que escutara enquanto trocava beijos com Edward.
Para seu espanto percebeu uma movimentação pelo jardim, manteve-se imóvel alguns instantes, apenas observando. Então, reconheceu a silhueta de um homem... Não um homem qualquer, era Edward. Ele dirigiu-se ao mar, se despiu, revelando um corpo másculo e viril. Um verdadeiro espartano, banhado pela luz do luar. O que fez Lizzie quase parar de respirar.
“Mais uma noite sem dormir, Elizabeth idiota Bennet”. – pensou ela já em delírio.
Fim do Capitulo V.
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