Citações

Qualquer ser humano está cercado por uma multidão de espiões involuntários. (Jane Austen)

Beautiful Mess - Capítulo IV

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Capitulo IV

A campainha tocou exatamente no horário combinado: ás dez horas da manhã. Lizzie pegou sua bolsa, a maleta com o notebook, e a mala.

- Bom dia – Edward a cumprimentou sorrindo.

- Bom dia – ela respondeu de maneira seca. Não era nada fácil ter diante de si o homem que lhe roubava o sono.

Ele a olhou de cima abaixo, sem disfarçar.

- Por favor, não venha me dizer que a roupa que estou usando é inadequada para uma viagem.

- Posso lhe assegurar que você está muito bem de jeans. – confirmou Edward com o mais sexy sorriso torto que já lhe dera – E olha o que temos aqui? A cinderela resolveu usar sandálias. Quem diria! Pensei que só usasse tênis.

- Quer parar de me analisar? - ela pediu de forma ríspida.

- Não estou te analisando, Lizzie.

- Mas, é claro que está. Eu quero deixar uma coisa bem clara entre nós: para que eu faça meu trabalho direito e você não tenha maiores aborrecimentos, peço que você pare de me provocar. Entendido? Vamos nos comportar como adultos que somos.

Ele apenas a fitava parado, sem responder, sem atacar, parecia em transe.

- Como é? – disse ela impaciente – vai ficar aí parado ou será que desistiu da viagem?

- Jamais desistiria desta viagem, pode ter certeza. Podemos ir.

Durante o trajeto até o aeroporto, os dois não se falaram. O motorista particular dos

Darcys parou o automóvel no estacionamento do aeroporto.

- Obrigado, Joseph.

- Sempre ás ordens, senhor. Quer que eu leve a bagagem até o balcão da companhia aérea?

- Não, muito obrigado. Eu mesmo faço isso.

- E quando devo vir buscá-lo?

- Ainda não sei. Quando marcar a minha passagem de volta eu o aviso.

- Certo senhor.

Edward, então, olhou para Lizzie e perguntou com um olhar desafiador:

- E então? Pronta pra voar?

 

Lizzie, por sua vez, sustentou aquele olhar e respondeu:

- Eu sempre estou preparada para voar, Sr. Edward Darcy.

Lizzie e Edward se encontravam sentados, lado a lado, nas confortáveis cadeiras da primeira classe do avião que os levava da Califórnia ao Caribe. De lá, para chegar á Ilha de Pemberley, eles precisariam pegar uma lancha.

- Você conhece alguma ilha do Caribe?

- Não, é a primeira vez que vou até lá.

- Tenho certeza de que vai gostar. – Ele a fitou com atenção e quis saber -- Você viaja muito?

- Até bem pouco tempo nunca tinha saído da Califórnia, mas agora minha vida está mudando.

- E está contente com isso?

- Estou sim. – Lizzie estava com muito sono, devido à noite não dormida.

Continuaram conversando por mais um tempo. Depois mais uma vez o silêncio caiu entre eles. Lizzie começou a ler uma revista, mas durante a leitura acabou adormecendo.

Quando acordou, percebeu estar com a cabeça encostada no ombro de Edward. Então, tratou logo de se endireitar e desencostar dele. Levantou a cabeça para olhá-lo e quase entrou em choque com aquela boca tão perto da dela. Sentia sua boca ser atraída naquela direção, mas não podia ceder.

- Sonhou comigo? – ele perguntou de maneira insinuante a olhando de maneira profunda.

- Não costumo ter pesadelos, Sr.Darcy. – respondeu rápido e se desvencilhando dele.

- O que aconteceu? Resolveu me agredir de novo?

- De maneira alguma. E você? Dormiu? – desconversou ela.

- Dei uma cochilada, sim. – A aeromoça estendeu-lhe uma bandeja. – A comida chegou em boa hora. Estou morrendo de fome.

Outra bandeja foi oferecida a Edward.

Um clima mais ameno se estabeleceu entre os dois durante o almoço, e Edward fez questão de continuar a lhe contar sobre a Ilha de Pemberley.

 

-Agora me diga. - começou ele.

-O que você quer que eu lhe conte.

-Sobre a sua família.

-Não tenho muito o que contar sobre ela. – Lizzie deu de ombros.

-Vamos, me conte sobre a sua família – Edward insistiu. – Você tem vinte minutos.

-Vinte minutos? – Ela o fitou confusa.

-Isso mesmo. Daqui a vinte minutos estaremos aterrissando. Por favor, aperte o seu cinto de segurança.

Lizzie colocou o cinto e ficou em silêncio.

-Estou esperando.

-Vinte minutos é tempo demais pra eu falar sobre a minha família. Você já conhece a história de como meus pais se conheceram. Um amor de verão que não agüentou a pressão da realidade, e que gerou um fruto, que sou eu. Fui criada pela minha mãe com ajuda de minha avó, considero Charlotte mais que sócia e amiga, ela é como uma irmã nós nos conhecemos desde sempre, e então é isso.

-E como se chama sua mãe e sua avó?

- Minha mãe se chama Carey e minha avó Abigail, nós a chamamos de Aby - ela sorriu ao se lembrar da avó.

-Você parece gostar muito de sua avó, devem se dar muito bem. – Observou Edward.

-Sim. Apesar dela viver me acusando de teimosa e cabeça dura.

-Ela é uma mulher sábia, já gostei dela.

-Admito que sou um pouco geniosa, mas não sou cabeça dura.

-Claro que não é... - ele riu – Imagina se fosse!

- Eu já disse o que quis saber, agora é sua vez.

- O que quer saber? Minha vida é um livro aberto – afirmou ele.

-Sei que seus pais são Willian e Elizabeth Darcy, que é sobrinho de Charles e Jane Bingley, tem três primos. Me conte o restante.

-Sim, sou filho de Willian e Elizabeth Darcy, mas não sou filho único, tenho uma irmãzinha de 10 anos chamada Marianne. Por parte de pai tenho a tinha Georgiana que é casada com Richard Darcy, e que tem dois filhos, e por parte de mãe eu não tenho só tia Jane, tenho mais três tias e mais cinco primos.

- Nossa! Você tem seis tias, dez primos, uma irmã, é isso?

 

- Exatamente. Por que o espanto?

-O espanto não é por você ter uma família grande, é pela comparação. Enquanto você está rodeado de gente, eu, tirando minha avó, minha mãe e Charlotte, não tenho mais ninguém.

– Concluiu melancólica.

-Não Lizzie – disse Edward colocando sua mão sobre a dela – Não está sozinha. Você nos tem agora, somos sua família, esqueceu disso?

Antes que ela pudesse responder, a voz do comandante anunciou que estavam pra aterrissar.

Lizzie tirou sua mão das de Edward meio sem graça.

 

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Duas horas depois, Lizzie e Edward deixavam o cais a bordo de uma lancha.

Desembarcaram na ilha de Pemberley, em um ancoradouro de águas transparentes.

- Então essa é sua Ilha. – concluiu ela deslumbrada com a beleza que tinha diante de si.

-Essa é minha Ilha – disse ele concordando – Bem vida a Ilha de Pemberley, Srta Elizabeth Bennet.

-Realmente ela é maravilhosa, não tenho palavras pra descrevê-la.

-Que bom que você gostou. – Ele parecia muito feliz por ela ter se agradado do que via,
e em um impulso segurou-lhe a mão. – Venha!

Apesar de estranhar aquele gesto, Lizzie se deixou levar por Edward. Após subirem uma pequena elevação toda arborizada, a casa apareceu.

- Ela é imensa! E é linda!

-É verdade, acho que consegui finalmente construir a casa dos meus sonhos.

-As fotos que vi não fazem jus a casa, sabia?

- Muito obrigado pelo elogio – ele riu – Porque as fotos que você viu foram tiradas antes que eu fizesse as reformas que planejei.

 

Ele abriu a casa, que por sinal tinha uma sala pra lá de espaçosa, com janelas enormes que davam pra ver o oceano, e as ilhotas ao redor.

-A casa já está mobiliada?

-Sim, essa mobília ainda é da época de tia Katherine.

-Eu sabia pelas fotos, mas pensei que já tinha mandado tirar.

-Não tive tempo. Eu estava empenhado a convencer uma certa decoradora a vir pra cá.

-A mobília é boa. Se a casa fosse em um bairro urbano seria perfeita, mas na localidade em que estamos, realmente não condiz. É tudo muito sóbrio, austero, sério para um ambiente descontraído de praia. - continuou ela , fingindo não ouvir o comentário dele.

-Exatamente isso, por isso você está aqui. – disse ele animado.

- Me faz um favor então?

-O que você quiser Lizzie.

-Fica quieto só um pouquinho, eu gosto de sentir a casa.

-Ok, circule à vontade, vou pegar nossas malas.

-Pensei que tivesse empregados na Ilha – observou ela, não vendo movimentação de ninguém mais.

-E tenho. Mas eu dei o dia de folga pra eles. Desse jeito você pode sentir melhor a casa, e fazer seu trabalho, enquanto eu fico quietinho – e deu uma piscadela pra ela.

- Não estou gostando nada dessa história, Sr. Darcy.

-Por quê? – Ele a fitou, fingindo inocência.

-Algo me diz que, que isso tudo foi premeditado.

-Premeditado? Com que intuito?

-De me levar pra cama.

- Levar você pra cama? – ele riu balançando a cabeça.

-Não brinque, você sabe exatamente sobre o que estou falando.

-Para lhe dizer a verdade, até que gostaria, sim, de levá-la pra uma cama. Mas isso não tem nada a ver com a decoração desta casa.

Com essa resposta Lizzie resolveu abstrair essas idéias da cabeça, e tentar se envolver
com o trabalho que tinha pela frente, e que não seria pouco.

 

Vinte minutos depois, Edward voltou com as malas, e a deixou escolher o quarto que mais gostou, e coincidentemente era ao lado do dele.

-Eu preferi esse quarto porque gosto de assistir o pôr-do-Sol – Lizzie tentou se explicar.

-Eu também – ele sorriu pra ela concordando.

-É – disse ela sem graça.

-Bom, vou te deixar à vontade – disse encaminhando-se até a porta – Os empregados estão de folga, mas deixaram o jantar adiantado, vou terminá-lo e por à mesa....

-Quer ajuda? – disse rapidamente o interrompendo.

-Não será necessário, não se preocupe. Descanse. Eu te chamo quando estiver pronto - Ela assentiu balançando a cabeça e ele se foi.

Depois de um relaxante banho, vestiu um robe branco atoalhado, com seus cabelos ainda molhados, foi sentar-se na sacada para apreciar o pôr- do- sol.

A casa por ser no alto, lhe proporcionava uma visão privilegiada do pequeno arquipélago.

A paisagem que tinha diante de si era linda. De um lado algumas ilhas particulares com suas embarcações atracadas no cais e coloridas pelo sol. E do outro, um oceano azul-marinho, quase negro.

Deu um longo suspiro, e de repente ouviu as batidas na porta e a voz de Edward.

-Pode entrar, estou aqui na sacada.

-Eu vim lhe perguntar se poderia assistir o pôr-do-sol com você?- Edward perguntou, lhe estendendo um drink.

 

-Margarita? – ele assentiu com a cabeça. E ela aceitou a bebida levantando as sobrancelhas tentando entender o porque do drink.

-Sim. Pra você ir entrando no clima caribenho, no ritmo da Tequila. – explicou ele sentando-se em uma espreguiçadeira do outro lado da sacada.

-E vamos brindar a quê?

-A nossa trégua, o pôr-do-sol, a você, a mim, ao que você quiser.

-Brindaremos o pôr-do-sol então - e ergueu a taça na direção dele.

Ele correspondeu o gesto erguendo sua taça na direção dela também e perguntou:

-Porque apenas o pôr-do-sol e não a nossa trégua ?

-Ora , você acredita mesmo que vamos conseguir ficar um mês sem brigar?- perguntou ela.

Um lampejo divertido surgiu nos olhos de ambos responderam é uníssono:

-Nãaaaaaaaaaaaaaao – e caíram na gargalhada.

O silêncio se fez presente. Tanto Edward quanto Lizzie se deixaram envolver pelo espetáculo que a natureza lhes proporcionava.

Cada um absorto em seus devaneios, em seus mundos particulares.

Em pensar que o Sol que agora se punha, iria iluminar vidas e esperanças e algum outro local da terra.


Fim do capitulo IV

 

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