CAPITULO III
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Lizzie resolveu caminhar até sua casa, morava em um condomínio localizado no mesmo bairro da empresa, dessa forma tentaria tempo para por a cabeça em ordem, os nervos no lugar e se prepararia para o tal jantar, que tinha tudo pra não ser tão rápido.
Depois de tomar um banho rápido, se enrolou na toalha e seguiu para o quarto.
Escolheu a primeira roupa que viu pela frente. Em menos de dez minutos estava pronta.
A companhia tocou, e ela sabia que era Charlotte.
- Lizzie, você ainda não se arrumou? – Charlotte já entrou reclamando.
- Eu já estou arrumada. - respondeu Lizzie tranquilamente.
- O quê? Você ta maluca? – perguntou a amiga.
- Estou vestida adequadamente. Ele em momento algum disse que era um jantar formal, além disso, deixou claro que seria ele e o pai, na casa deles. – explicou tranquilamente.
- Mas você passou do limite dessa vez, Lizzie. Você pirou de vez! – Charlotte estava chocada.
- De maneira alguma! Amo andar de jeans e blusa branca. É básico, e cai bem em qualquer ocasião.
- Mas não precisava chegar a tanto... Você está com os cabelos molhados, e ainda está de tênis! – Charlotte estava em pânico – Por favor, pelo menos coloque umas sandálias!
- Mas nem pensar, sandálias vão estragar meu look. – Lizzie provocava.
- Pare de me torturar. Sei que ficou zangada comigo, mas foi pro seu bem e o bem da empresa, te garanto. Por favor, não me faça passar vergonha.
- Fica tranqüila, Char querida, está tudo sob controle. – garantiu Lizzie.
A que horas Edward Darcy ficou de nos apanhar? – Char rezava internamente para que a noite terminasse como em um passe de mágicas.
- Não virá. Eu mandei um SMS pra ele. Disse que me atrasaria bastante, e ele me deu o endereço. Vamos?
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Lizzie e Charlotte caminhavam por um corredor longo atrás do mordomo que as recebera.
Ao chegarem a uma sala grande, ele parou junto à porta e as anunciou, sem conseguir conter um certo tom de desaprovação:
- Srta. Bennet e Srta. Lucas, senhor!!!
Edward se levantou de uma poltrona no fim da sala e foi recebê-las. Lizzie pôde notar o quanto ele ficou espantado ao vê-la . Charlotte, por sua vez, queria muito que um buraco se abrisse aos seus pés para que ela pudesse desaparecer. Como sócia, a situação que vivia era extremamente constrangedora. Ao fundo um homem com seus 50 anos, cabelos grisalhos e altamente charmoso, se levantou de uma outra poltrona.
Lizzie, que mantinha a cabeça e os ombros erguidos, entrou na sala e foi dizendo:
- Trouxe Char comigo. Espere que não se importe, Sr. Darcy. Ela é o meu suporte em
todos os meus projetos.
Sem nada a dizer, Edward foi encaminhando-as até o fundo da sala, onde se encontrava o homem de cabelos grisalhos.
- Lizzie me belisca – cochichou Charlotte – Que homem é esse?! Pode ficar com o
Apolo, meu negócio é com Zeus. Agora dá pra ver de quem o Darcizinho herdou aqueles marvilhosas safiras azuis, no lugar dos olhos.
- Charlotte Lucas, sossega a passarinha, o homem é casado, e muito bem casado.
- Eu sei, mas babar pode, afinal o que é maravilhoso tem de ser adorado... Aiii ele me lembra aquele ator que fez Spooks na BBC, como é mesmo o nome dele?
- Charlotte, segura a sua onda, deixa pra ficar histérica mais tarde... – retrucou Lizzie.
Ao chegarem, Edward as apresentou:
- Pai, esta é Elizabeth Bennet e sua sócia Charlotte Lucas. – explicou Edward. – Meninas, este é meu pai, Willian Darcy.
- É um prazer conhecê-las Srta Bennet e Srta. Lucas . Embora, não deixe de ser engraçado ter de pronunciar Srta. Bennet depois de 25 anos. – Disse Willian Darcy muito bem humorado. – Vamos dispensar as formalidades, podem me chamar de Willian.
Fiquem à vontade!
- Obrigada! E pode me chamar de Elizabeth ou Lizzie se preferir. - sugeriu meio acanhada.
- Então, Elizabeth, estou com a impressão que tinha outros planos para esta noite. Me corrija se estiver errado.
- Para ser sincera, o senhor está certo. Seu filho insistiu muito para que eu realizasse o trabalho e no fim aceitei. E antes que ele me seqüestrasse para este jantar, eu vim com minhas próprias pernas.
- Quer dizer então, que meu filho a forçou a aceitar o trabalho? Bem que desconfiei.
Afinal, no e-mail que nos enviou, você deixou claro os motivos que a levaram a não aceitar a proposta.
- E é verdade. Mas seu filho sabe ser “Insistente”, “pressionar”, e então...
- Lizzie, por favor – Charlotte suplicou entre os dentes.
- ...e então aqui estou – Lizzie terminou a frase.
Willian deu um olhar inquisidor para o filho, e este parecia apenas sorrir e não dar muita importância as insinuações de Elizabeth.
- Lizzie, pelo amor de Deus, olhe o vexame – Charlotte não sabia mais o que dizer.
- Por favor, sentem-se – Willian indicou-lhes o sofá – Desde já peço desculpas pelo comportamento de Edward. Reconheço que meu filho seja irritantemente insistente quando quer, mas, por favor, relevem a herança genética.
- Não se preocupe papai. As divergências que houve no início das negociações da proposta são muito comum no mundo dos negócios, foram apenas joguinhos.
Lizzie o encarou e não deixou barato.
- Acontece Sr.Darcy, que não sou mulher de participar de joguinhos!
- Lizzie, pelo amor de Deus, olhe o vexame – Charlotte já estava ficando roxa de vergonha.
O clima começou a ficar tenso entre eles, e Willian tentou amenizar o desconforto.
- Estamos muito felizes em tê-la conosco, mais um membro da família, e minha esposa está muito ansiosa por conhecê-la.
- Eu também já ouvi falar muito da Sra. Darcy, Jane sempre conta como ela é alegre, espirituosa, inteligente, sagaz... Ela tem todos os atributos que admiro em uma pessoa. Confesso que estou muito curiosa por conhecê-la também, e acho que nos daremos bem. - concluiu Lizzie.
- É mesmo Lizzie? - perguntou Edward – Pois eu herdei da minha mãe todos esse atributos que você diz admirar e, no entanto... – insinuou ele.
- Duvido muito que sua mãe seja arrogante e prepotente como você é. – retrucou Lizzie se esquecendo que estava em frente ao pai de Edward.
-Hãm Hãm – Willian Darcy pigarreou discretamente – Que tal se formos tomar um aperitivo na varanda, acho o ambiente mais fresco.
Ao acompanharem Willian, Charlotte passou por Lizzie e falou entre os dentes:
- Se eu fosse você ficava de boca fechada, está na cara que o Apolo puxou a prepotência de Zeus, você não percebeu? Olha só a segurança e a altivez como esse homem anda? O filho anda igualzinho!
Elizabeth olhou para Edward automaticamente, e ele percebendo perguntou imediatamente.
- Algum problema, Lizzie?
- Não. E-eu só gostaria de lhe fazer uma pergunta. – “Droga, pensa numa pergunta coerente e rápido.”
- Pai, eu preciso falar com Lizzie em particular, o Sr. pode fazer companhia a Srta Lucas no por uns instantes? – enquanto perguntava a Willian segurou o braço de Lizzie.
- Sem problema algum meu filho, mas não aborreça a nossa convidada. Ela já está sendo muito complacente com você, não abuse. – Willian o advertiu.
Edward concordou com um aceno. E Charlotte, muito feliz da vida, continuou a seguir seu anfitrião. Quase saltitante, com seus olhos mais brilhantes que nunca... E a baba escorrendo.
- Venha, Lizzie, por favor. – Edward pediu.
- Para onde vamos agora? – perguntou desconfiada
- Para a biblioteca, onde mais seria? A menos que tenha algo em mente, estou aberto às sugestões.
- Rá rá rá, muito engraçadinho! Mas acho que podemos conversar aqui mesmo.
- Não! Conversaremos na biblioteca.
- Prefiro ficar aqui.
- Nunca pensei que você fosse tão teimosa. Se não me acompanhar até lá, serei obrigado a arrastá-la.
- Você não ousaria fazer uma coisa dessas!
- Ousaria. Ousaria sim!
- Se encostar em mim, eu grito! – Lizzie ameaçou.
- Olha a minha cara de preocupado! – ele se aproximava.
- Não me toque. Ok! Eu te acompanho. – ela resolveu segui-lo para evitar mais constrangimentos. – Você é um ser desprezível, sabia?!
- Sou mesmo? Foi você quem chegou aqui com quatro pedras na mão, e começou a dizer o que não devia.
- Coitadinho. Tão injustiçado. Ah! Está com medo do papai, tá? Vai ficar de castigo?
- Olha aqui Elizabeth Bennet, todas as discussões que tivemos foram sem a presença de platéia. Que tal se continuasse assim. Seu comportamento está deixando a desejar.
- Mas que gracinha que você é. – ela ironizou – Magoou?
Ela o seguiu até o final de um corredor, onde Edward abriu uma porta e esperou que ela entrasse. Lizzie que esperava um local pesado, abafado, forrado de livros, se surpreendeu com o que viu: um ambiente bem grande, bastante arejado, com inúmeros vasos repletos de plantas, quadros e muitas esculturas.
- Vai continuar com as ironias? - ele perguntou.
- E por que deveria parar? Você começou com elas bem antes de mim. Só estou devolvendo o que tinha recebido de você até agora.
- Poderia parar de falar e me escutar?
- Eu falo quando, quanto e o como eu quero – ela ergueu o rosto em desafio – e você não manda em mim, nem na minha boca.
- Bem pelo jeito só existe uma maneira de fazê-la parar de falar – ele se aproximou mais dela.
- Eu não tenho medo de você.
- Você não deveria ter dito isto. – Edward, tomou-a nos braços e a beijou.
Pega totalmente de surpresa, LIzzie ficou imóvel mas, na verdade, estava adorando aquele beijo cheio de desejo e muita, muita sensualidade. Sabia que podia empurrá-lo, gritar, fazer alguma coisa, mas não se sentia capaz de esboçar o menor gesto para afastá-lo.
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- Viu só? – Ele perguntou, ao se afastar um pouco dela. – Achei uma excelente maneira de fazê-la se calar.
Lizzie, engoliu em seco e, muito zonza, não sabia o que dizer.
- E então, Srta. Tagarela, não vai me perguntar o que queria? O gato comeu a sua língua?
“Meu Deus, que vergonha. Agora ele vai tripudiar em cima de mim, preciso falar alguma coisa e rápido”.
- E então, Srta. Elizabeth Bennet. Estou esperando a pergunta.
- Que quem... quem decorou esta casa? - perguntou se recompondo.
-Devo admitir que, diante das circunstâncias, foi uma boa pergunta. Mas não faço a menor idéia de quem decorou esta casa.- ele lhe respondeu com um sorriso torto na boca.
-Não? – ela ficou espantada com a resposta.
-Não , não faço. Eu não moro aqui.
-Como assim? Mas eu pensei que você morasse aqui.
-Não moro.
-E onde você mora?
-Em Londres. Passo algum tempo por lá, outros aqui em um apartamento que fica mais próximo da Bingley Engenharia, onde eu trabalho – ele continuava com aquele sorriso imoral. - Mas esta casa pertence aos meus pais.
- Você trabalha com Charles Bingley?
- Não. Não com ele, e sim pra ele, lá eu sou mais um engenheiro contratado.
-Então você é engenheiro? E trabalha como empregado de Charles Bingley? – Perguntou intrigada.
-Engenheiro e Arquiteto. E sim eu trabalho pra ele, qual o espanto?
-Achei que sendo filho de quem é, você seria dono ou sócio de uma empresa e não um empregado.
-Essa é a questão. Tanto eu como meus pais, concordamos que o fato de termos recursos pra montarmos uma empresa, ou um escritório de engenharia , não me capacita em ser um bom profissional. É preciso experiência, é o que busco trabalhando e aprendendo com Charles Bingley.
-Nessa questão você tem toda razão.
-E você, afinal, gostou da decoração daqui? - ele conversava olhando dentro dos olhos dela.
-Do pouco que conheci gostei, sim. Embora ache que ela poderia ser um pouco mais leve. Mas, essa biblioteca me surpreendeu.
Lizzie começou a andar pelo espaço, para olhar melor a decoração e para fugir do olhar de caçador que Edward lhe lançava.
- Por quê? - ele começou a lhe acompanhar a centimetros de distância.
-Ela é muito bem decorada.
- Quer ir visitar alguma outra parte da casa?
-Não acho necessário.- ela sentia o hálito quente em seu pescoço quando ele a respondia.
-Mas eu estava pensando em levá-la para conhecer os quartos.
Lizzie não gostou daquele tipo de sugestão, virou-se repentinamente pra encara-lo, e só não perdeu totalmente o equilíbrio porque ele lhe amparou.
-Escute, Sr. Darcy quero que me trate de maneira profissional. Portanto, com muito respeito.
-Mas eu não disse nada além de que iria levá-la pra conhecer os quartos.
Lizzie tinha conseguido se desvencilhar do amparo de Edward, e foi andando pra trás lentamemte.
-Você é muito engraçadinho, e sei exatamente do que você está precisando – ela disse, num tom alterado.
-E do que é que eu estou precisando? - perguntou enquanto a encostava na parede atrás deles.
- De uma esposa! Daquelas bem chatinhas, bem filhinhas da mamãe, pra alguém como você pagar todos os pecados. - Lizzie percebeu estar entre os braços de Edward, que tinha suas mãos na parede na altura de sua cabeça, mantendo assim uma pequena distancia entre seus corpos.
Edward balançou a cabeça de um lado para o outro e disse:
-Não acredito no que estou ouvindo.
-Pois pode acreditar: é a mais pura verdade.
– Me diga, você é sempre assim tão sincera?
-Sempre que necessário.
-Vai ser difícil tê-la por perto, com tanta sinceridade, durante esse período de trabalho.
Lizzie, vendo naquela frase uma grande oportunidade de não precisar trabalhar mais para Edward, disse, enquanto passava rapidamente por baixo de seu braço se dirigia até á porta:
-Pois então nós podemos parar por aqui.
-De maneira alguma! – ele deu dois passos largos e rápidos e a segurou pelo braço. –Eu quero muito que você decore Pemberley .
-Por quê?
-Pelo motivo mais óbvio possível: você é ótima no que faz.
–Não adianta começar me elogiar agora...- Lizzie não conseguiu terminar a frase.
Longos segundos se passaram enquanto apenas olhavam-se. Lizzie se sentia em um filme de suspense, encarando o inimigo e temendo o ataque.
Ela podia ouvir o próprio coração batendo acelerado. Ele passou devagar a língua pelo lábio superior e depois desceu para o inferior, enquanto a encostava mais uma vez, só que agora contra a porta.
Não tinha saída, não tinha escapatória, estava nas mãos de Edward Darcy, literalmente.
Então aconteceu uma intervenção divina: batidas na porta.
-Edward, o jantar está pronto. E acho bom você não demorar. Sabe que seu pai não gosta de atrasos.
-Obrigado Sra. Reynolds. –ele respondeu sem tirar o olhos dela.
-Me...melhor irmos logo, não queremos deixar seu pai zangado. – reforçou Lizzie.
-Ok. Mas continuamos essa conversa outra hora. – disse ele meio contrariado no inicio, mas deu-se por vencido.
O Jantar transcorreu de maneira muito tranqüila, e a comida estava deliciosa. Quando já estavam na sobremesa, Edward resolveu perguntar a Lizzie quais eram as idéias para a decoração da dos Darcy.
-Eu dei uma boa olhada nas fotos da casa, do terreno e em toda a proposta, e me surpreendi que Pembeley seje uma ilha no caribe, eu achava que ficava na Inglaterra.
-Realmente Pemberley fica na Inglaterra. – Willian Darcy começou a explicar- Essa ilha foi herdada por nós, devido ao falecimento de minha tia Katherine.
Como minha esposa e eu já temos a nossa Pemberley, nós estamos dando uma para Edward.
-Entendo..
-A decoração atual é muito sóbria, lógico seguindo os padrões de tia Katherine. Gostaríamos de algo moderno, prático e ao mesmo tempo confortável, algo condizente com o local e com o novo dono.
-Eu vi pelas plantas e fotos que a casa sofreu algumas reformas e ampliações há pouquíssimo tempo. Eu as achei muito interessantes. Gostaria de trocar idéias com o arquiteto desse projeto, teria como?
-Mas é claro que sim – respondeu Edward – Fui eu mesmo que projetei e supervisionei a obra, pode perguntar o que quiser.
-Eu sugiro que voltemos á varanda, onde está correndo uma brisa agradável – disse Willian – Sra. Reynolds?
-Sim Sr.Darcy, o café será servido na varanda. – concluiu a governanta.
Passaram então aproximadamente uma hora trocando idéias sobre o trabalho da casa.
- Então Willian, conte-nos mais sobe a região, o Caribe sempre me fascinou – pediu uma Charlotte bem alegrinha sob efeito de vários licores no cérebro.
-Sim Sr.Darcy, nos diga sobre a região – concordou Lizzie, que estava no mesmo sofá que a amiga, o que facilitou a aplicar-lhe um beliscão “seguro sua onda”.
-Já que as senhoritas insistem – Willian iniciou a explanação:
-A Ilha de Pemberley se encontra nas Pequenas Antilhas, ela é na realidade uma ilhota, pertencente ao território de Anguilla. Meios de transporte só marítimo e aéreo.
Tudo o que precisamos, como alimentação, suporte de modo geral e recursos imediatos, podem ser encontrados na Ilha de Anguilla, que é a maior ilha do arquipélago de Anguilla. Lembrando é claro que Anguilla é uma colônia Britânica.
-Deve ser lindo o local, eu vi as fotos, mas a assim de perto deve ser maravilhoso. – disse Lizzie empolgada.
-E é – concluiu Edward – e você vai ver tudo isso ao vivo e a cores.
-Então, vou deixar que Elizabeth descubra e desbrave o local por si mesma – dirigindo-se a ela Willian concluiu- Garanto que será emocionante.
Depois de se servirem de café, pela segunda vez, Lizzie se levantou, puxando Charlotte consigo, para despedir-se de Willian:
- Obrigada pelo jantar e pela noite agradável, mas temos que ir, eu tenho uma viagem a fazer logo cedo.
- O prazer foi todo meu Elizabeth Bennet, minha Lizzie vai ficar encantada ao lhe conhecer- então ele se despediu com um abraço fraternal - Foi um prazer conhecê-la tambem srta Lucas - disse estendendo-lhe a mão para o cumprimento.
Edward as acompanhou até a porta.
-Eu posso leva-las em casa, não será necessário um taxi - argumentou Edward
-Obrigada Sr. Darcy, mas nós já tinhamos marcado o horário com o motorista quando viemos.- Charlotte explicou logo, antes que uma nova batalha "de quem leva quem" iniciasse.- Obrigada por tudo, e tenha uma boa viagem.
-Obrigado Sta Lucas. E nos veremos amanhã Lizzie, passo as 10:00 pra te apanhar.- avisou.
-Ok. Até amanhã Sr.Darcy.
Lizzie, totalmente abstraída, virou-se para Charlotte que se encontrava estalando os dedos á sua frente e pediu que ela repetisse o que tinha dito.
- Você ainda está brava comigo?
- Não Char – Lizzie riu e balançou a cabeça em negativa – De maneira alguma, pode ficar sossegada.
- Mas eu acho que, apesar de todos os seus esforços, a noite foi muito boa.
- Não entendi: o que você quis dizer com apesar de todos os meus esforços?
- Lizzie, está mais do que evidente que você não quer mesmo decorar a casa do Edward “Cheio de Charme” Darcy.
- Mas você há de convir comigo, o conheci ontem, e amanhã já viajo com ele. Para ser sincera, por mim, eu sairia de férias agora mesmo.
- Mas foi você que alegou a falta de tempo na agenda, teria de ser agora, e além do mais a oportunidade que você está tendo é única.
- Pois é... Mas amanhã cedo, tenho de viajar para a ilha. – disse suspirando.
- Quanto sacrifício! – Char brincou – Vai viajar de primeira classe, se hospedar em uma mansão cheia de empregados, terá cenários paradisíacos ao seu redor, sem falar do Apolo ao seu lado... Quem dera pudesse estar no seu lugar!
- Errou de Deus grego amiga! Ele está mais pra Ares do que pra Apolo.
Lizzie voltou a ficar calada
- O que foi? Nunca a vi tão preocupada antes. Está com medo de não dar conta do trabalho? – perguntou Charlotte quebrando o silêncio.
- Isso nem sequer passou pela minha cabeça.
- Então, qual é o motivo de tanta preocupação?
- Quer mesmo saber? – Lizzie encarou a amiga.
- Mas é claro que quero.
- Pois então vou lhe dizer: minha preocupação é com Edward Darcy. Ele tem um jeito meio felino... Não, o jeito dele é bem pior do que isso. Ele me lembra um predador, e eu me sinto indo pra uma cilada. Mal chegou à minha vida e já está roubando a minha paz, o meu sossego e a minha tranqüilidade. – Lizzie parecia angustiada.
- Quanto exagero, Lizzie.
- Um predador, alto, elegante, envolvente, com olhos incríveis e um sorriso... selvagem! – continuou Lizzie.
Char caiu na gargalhada.
- Do que você está rindo? – Lizzie perguntou irritada.
- De você, oras! Desta vez você pegou pesado, minha amiga. Você anda assistindo muito filme de suspense.
- Escreve o que te digo, esse homem é perigoso – Lizzie deu um profundo suspiro. – Edward Darcy é um predador calculista.
- Pare com isso, Lizzie. Darcy não tem nada de predador.
- Não? Você diz isso porque não foi beijada por ele.
- E você foi? – Charlotte perguntou curiosa.
- Eu o quê? – desconversou.
- Você já foi beijada por ele? – Char insistiu.
- Ouça, Char, acho melhor mudarmos de assunto.
- Por quê? – provocou a amiga – Agora que chegamos na melhor parte da conversa, você resolve mudar de assunto? Isso não é justo, Elizabeth Bennet.
Lizzie ficou alguns segundos em silêncio.
O táxi em fim chegara ao seu destino. Parou em frente ao condomínio de Lizzie.
- Bom já é tarde, e preciso dormir. Afinal, viajo amanhã bem cedo.
- Ok! Boa viagem, amiga. Vou cuidar de tudo por aqui. Não se preocupe.
- Eu sei, Charlotte, nunca duvidei disso.
O táxi deu partida e Charlotte colocou a cabeça na janela do veículo e gritou:
- Mas saiba que detestei a mudança drástica de assunto. Quando voltar quero esse e os outros acontecimentos nos míiiiiiiiiiiinimos detalhes.
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Lizzie não conseguiu dormir. Por mais que se esforçasse, Edward Darcy não lhe saía do pensamento. Edward Ares Darcy tinha um poder de persuasão e sedução muito grande.
- Eu me sinto profundamente atraída por ele – Lizzie virou-se na cama e abraçou o travesseiro. – E adorei, sim, o beijo que ele me deu, mas que droooga!!!
- Eu vou trabalhar com ele num lugar longe de tudo e de todos... Vai ser difícil, vai ser fatal e estou profundamente assustada.
Cansada de rolar na cama, levantou-se e foi até à janela e ficou observando a noite. Não queria pensar mais em Edward Darcy, não queria pensar em nada.
Edward contemplava as estrelas, sentado em sua cadeira na varanda. A Califórnia podia ser tão terrivelmente quente, principalmente quando sentimentos tão confusos e ignorados por ele se misturam formando uma única e grande sensação de insaciabilidade.
Sentimentos estes que são ignorados, mas não completamente. Eles ainda escapavam de seu controle quando ela o desafiava. Não poderia denominar o que sentia, não ainda, mas no fundo sabia que nome tinha.
- Algo o perturba, filho? – William Darcy parou frente a Edward. Um livro na mão e uma taça de vinho na outra. O pijama indicava que logo iria pra cama, já que o pai odiava vesti-lo apenas para estar em casa. “Sensação de que sou um burguês imprestável!” ele dizia sempre que sua mãe insistia para que ele usa-se e descansasse. Edward sorriu para a sorte dos pais tão unidos e tão apaixonados.
- Na verdade, sim! Na verdade, algo me perturba! – Ele soltou uma risada sarcástica frente a todos os outros relacionamentos volúveis e meteóricos que ele teve sem que nenhum deles o perturbasse tanto.
- Elizabeth é uma mulher talentosíssima! Onde está a perturbação?! – O pai o encarou zombeteiro, sentando-se de frente ao filho e apreciando algo divertido para conversar.
- Elizabeth é talentosíssima, irritantemente adorável, e não dá brecha para ninguém se aproximar dela. Se eu a conhecesse melhor, diria que ela é insegura! Ela é tão confusa, pai! Você não adivinharia seus humores. E ela tem aquela língua afiada. De sua boca só saem ironias e desafios, isso quando ela não me olha como se eu fosse um fedelho mimado! Eu não a entendo. – Parando para respirar e percebendo que talvez tenha falado demais e dado informações desnecessárias para o pai, ele respirou fundo e se recompôs. – Talvez seja apenas ansiedade pelo projeto “Pemberley Caribe”. O senhor não está ansioso para ver tudo pronto?!
- Estou pouco preocupado com a decoração no Caribe. Porém, vejo que ela tem feito um trabalho maravilho em fazer você se apaixonar por ela! – Darcy sorriu bebendo mais um gole de vinho.
- Ora, papai! Não, não estou falando em paixão? Como assim paixão?! Não! Não! –
Opondo-se veemente, puxou a cadeira para mais perto do pai. – Não! – Ele repetiu categórico. – Eu diria que apenas atraído. À primeira vista eu me encantei pelo som de sua risada, seu olhar tímido e sua inteligência, mas parece que ela quer me mostrar apenas seu pior. – Falou em tom enviesado.
- Sabe, quando conheci sua mãe, foi igual! – William Darcy sorriu ao lembrar-se da Elizabeth jovem. – Ela era um saco. Sim, um saco! Deus do céu! Tão dona de si, tão cheia de si, que por muitas vezes eu tinha vontade de pegá-la no meu colo e lhe dar umas palmadas como em uma criança malcriada! Ela ria de mim, me reduzia a nada com uma palavra, teimava em ter a última palavra e quando não tinha, ela simplesmente me ignorava e tinha a última palavra de qualquer jeito. Havia dias que eu tinha certeza que a odiava, de verdade, a odiava por me fazê-la amar mesmo quando fazia me sentir um completo bobalhão... Sim, Edward... Não sei se isso vem com o nome ou simplesmente nosso sangue é atraído por essas mulheres vigorosas, corajosas, bravas e orgulhosas, mas sei que depois que você se deixar levar, aceitar que está tão apaixonado quanto vivo e que ela é quem é, e você a ama por isso, ela tenderá a ser a melhor coisa que aconteceu a você.
- Fale-me mais da mamãe! Gosto quando você fala dela como se ela fosse essa pessoa tão impossível de conviver e ao mesmo tempo tão apaixonante!
- Você pode achar engraçado e até ter uma visão romântica, mas acredite-me, na época não foi bem assim. Sua mãe tinha uma independência que me enervava, sabe? Ela não gostava de mim no início, me achava presunçoso e soberbo. Mesmo assim começamos a nos envolver e tentei mostrá-la o melhor de mim, ainda assim ela era arredia! Para que você visualize como éramos... sua mãe e eu discutíamos até mesmo quando fazíamos amor! – Ele riu do leve constrangimento aparente nas bochechas de Edward – Sim, meu querido filho você foi concebido como todos os outros mortais!
- Ah, papai, não é isso! É o fato de discutirem durante o ato... Enfim...
Edward ouvia seu pai com um misto de admiração e constrangimento. Sentia-se intruso dentro da intimidade dos pais. Eles se amavam, se admiravam e se completavam como poucas pessoas que ele tinha conhecido.
Desejava algo como aquilo, não menos. Aquela certeza, aquele olhar recíproco e apaixonante nunca diminuiu em todos esses anos. Elizabeth poderia ser como sua mãe e no fundo apenas querer preservar sua independência. Mas o que ele faria com ela?
- Veja Edward, o dia em que nos apaixonamos perdidamente sempre chega, e é necessário nos abandonar nas mãos do destino e ver o que acontece. Não é apenas uma visão romântica, filho, é apenas a constatação que de que quando amamos não há muito que fazer. Parece que a vida tem planos diferentes dos seus e que não adianta lutar contra, pois só fará com que a felicidade demore mais a chegar. E quando você olhar para ela e ver que não existe nenhum outro lugar no mundo, nenhuma outra pessoa no universo com quem você queira estar e que tudo perde um pouco do brilho e do significado se ela não está ao seu lado, então você vai saber que está amando. Então, te pergunto: onde e com quem você quer estar agora? – Edward olhou para o pai com um olhar perdido – Não precisa responder! Boa noite, filho!
Fim do Capitulo III














