Capitulo II
Lizzie andou apressada até a sua mesa. “Por favor, que ele não venha atrás de mim”. Já traçara um plano de fuga em sua mente: diria a Jane que tivera uma súbita indisposição e iria embora.
- Elizabeth Bennet ! – alguém a chamou – Gostaria muito cumprimentá-la. O trabalho que realizou aqui nesta casa está estupendo. Você sempre, se supera em cada coisa que faz.
-Muito obrigada, Caroline. – “Era só o que me faltava, eu devo ter colado chiclete na mesa da Santa Ceia”
“Caroline Bingley - uma cinquentona frustrada, irmã de Charles Bingley e a Cruz que a doce Jane tinha que carregar.
Reza a lenda que tentou de todas as formas fisgar um milionário, mas a única coisa que conseguiu foi cair em um golpe, e arrumar uma filha com um pobretão que se passava por ricaço.
Como diz o ditado ladrão que rouba ladrão....? ”
- Você e uma mulher muito, muito talentosa. E como ainda é muito jovem, vai conseguir se tornar a arquiteta e decoradora de interiores mais conhecida de todo o mundo. – tagarelava a Caroline.
- Quem sabe. - responde Lizzie. “Qual é a dela? Não estou entendendo, puxando o saco deste jeito... não sei não. Hora de ir embora!”
-Charles e Jane estão muito felizes com o seu trabalho. E olha que os Bingley são muito exigentes. Pena que Nicholas está viajando, você sabe não é – ela abaixou o tom da voz, dando um ar de conspiração – ele tem uma quedinha por você.
- Caroline, Nicholas é um homem muito interessante, mas eu posso te garantir que somos apenas amigos. Adoro Nick, mas eu nutro por ele apenas um sentimento de amizade e carinho, que se estende a todos os membros de sua família.
“não sei o que passa por essa mente maquiavélica, e qual o interesse dela em um possível relacionamento entre Nicholas e eu, mas na dúvida melhor eu me desvencilhar dela.”
- Você é mais esperta do que pensei, Elizabeth. Prefere um Darcy a um Bingley.
- O quê ? Do que você está falando? – “ Essa mulher é louca, será que ela bebeu todas?”
No momento em que Caroline iria responder, Jane chegou falando.
- Caroline querida, me empresta Elizabeth por um instante? Prometo ser breve. – Jane nem esperou a cunhada responder, e já saiu arrastando Lizzie com ela.
“Salva pelo gongo” pensou Lizzie.
- Bom eu iria apresentá-lo antes, mas parece que vocês já se conhecem. Mas vou fazê-lo do mesmo jeito, dessa vez de forma oficial.
- Como assim Jane? Não estou entendendo nada – disse confusa.
-Lizzie quero lhe apresentar uma pessoa muito querida – Jane fez um sinal com a cabeça, chamando alguém. – Ele está vindo para cá.
Elizabeth automaticamente dirigiu sua atenção para onde a pessoa deveria vir. “Oh My God , estou em um pesadelo! Alguém por favor me acordeee!!”
- Meu sobrinho – completou Jane quando o estranho estacou a sua frente.
-Ele é seu sobrinho? – Lizzie perguntou com o coração disparado dentro do peito.
- O mais lindo e perfeito sobrinho que uma tia pode ter – Jane sorriu para o sobrinho que já estava ao lado delas. - Mas pensei que soubesse. Vi vocês dois dançando. Ele não se apresentou?
-Não permitiram que me apresentasse tia. – O Sr. Desconhecido, o homem de voz aveludada e olhos azuis, se justificou.
-Quer dizer que você é um Bennet ? – Elizabeth se esforçou, mas a voz lhe saiu bem fraca.
-Não, o sobrenome de meu sobrinho é Darcy.
- Darcy? - Lizzie engoliu em seco.
-Exatamente: Darcy – confirmou Jane.
- Sei... Por um acaso você é um Darcy? – ela o perguntou diretamente.
-Não, por um acaso, não. Sou um Darcy desde que nasci – ele ironizou.
- Não pode ser! – Lizzie se ouviu exclamando.
- Por quê? – ele quis saber
- Pensei que Willian Darcy fosse mais velho, que tivesse quase uns cinqüenta anos. E você parece ter uns 25 anos.
- E Willian Darcy é mais velho sim, e está com 49 anos pra sua informação. Eu sou Edward Darcy, filho de Willian Darcy – ele sorriu majestoso.
- Humm , faz sentido agora...- retrucou ela sem graça. – Por isso você sabia meu apelido, e meu sobrenome, Jane tinha lhe contado sobre mim.
-Desculpe Lizzie - Jane tentou se justificar - eu contei pra minha irmã sobre você, e conseqüentemente ela contou pra Willian e Edward. Você não imagina a alegria que nós ficamos por te encontrar, e sem falar da tamanha coincidência dos nomes.
Ficamos impressionadas na realidade, já não bastasse uma Elizabeth Bennet, agora temos duas.
- Como assim duas Elizabeth Bennet?- Caroline Bingley se entrometeu na conversa, da qual já estava ouvindo sem ser percebida.- O que está havendo aqui que eu não estou sabendo?
“Jane deu um grande suspiro, desses que a gente dá pra tentar achar a paciência, e começou a explicar pra intrometida.”
-Vou tentar resumir a história Caroline: Nosso primo John Bennet se apaixonou por uma jovem americana que passava férias em Londres, daí quando ela voltou pra casa não estava mais sozinha, trouxe uma Bennet junto com ela. John veio pra cá conhecer sua filha e tentar se acertar com a mãe da criança, mas acho que não deu certo. John voltou pra Londres, então aconteceu o acidente e ele faleceu. Os Bennets perderam o contato com a família americana do primo John. E por uma enorme coincidência eu a encontrei sem querer. Elizabeth Smith nada mais é que Elizabeth Smith Bennet ou Elizabeth Bennet. Isso não é incrível?!
-Nossa! Isso é surreal. Estou até zonza – sussurrou Caroline pálida.
- Bom, já que nos apresentamos oficialmente, você poderia reconsiderar nossa proposta?! Lembra? Aquela que você recusou? - Edward retomava a conversa.
-Se Lizzie a recusou Edward é por que tem seus motivos. – defendeu Jane.
- Mas talvez agora, que ela sabe que sou um homem interessante, jovem, e bonito, Lizzie se interesse em trabalhar pra mim – Edward brincou, mas Lizzie acreditou que ele estivesse falando sério.
-O senhor é sempre assim tão modesto Sr Darcy?
-Sempre. A modéstia é uma das inúmeras qualidades que tenho.
- Isso sim é que eu chamo de um homem seguro de si - ela ironizou
-E então? Vai trabalhar pra mim?
- Não, não vou. – ela se apressou em responder.
- Por quê?
- Porque eu seleciono muito bem os meus clientes.
- Não gostou do meu sobrinho Lizzie. – Jane estava ficando zonza com o rali de palavras.
-Me desculpe Jane, mas detesto pessoas que se acham o “Ser” mais importante sobre a face da terra.
-Edward é exatamente assim: Ele se sente o Centro do Universo – Caroline disse colocando mais lenha na fogueira
-Pude perceber. – Lizzie confirmou. – Agora, se me derem licença, preciso ir ao Toillet.
Ao ver Lizzie se afastando, Edward olhou para a Caroline e disse:
-Eu não pedi sua ajuda na conversa Caroline. Não deveria ter dito a ela que me sinto o centro do Universo. Não precisava por mais lenha na fogueira.
- Lenha na fogueira? Eu? De maneira alguma. Tenho certeza de que ela não gostou de você, e o que eu disse não melhorou e nem piorou nada Edward Darcy.
- Ela só está nervosa e confusa por encontrar a família meu querido – Jane tentava apaziguar os ânimos – Dê-lhe tempo pra se acostumar com idéia de estarmos mais próximos a ela.
Já no conforto de sua casa, Lizzie tomou um longo banho e desabou em sua cama. Precisava dormir descansar, quem sabe ao acordar tudo não passasse de um grande pesadelo.
Então ela começou a lembrar daquele homem insolente, lindo, mas insolente.
http://www.4shared.com/file/228444159/6fc394db/Jordin_Sparks_-_Next_To_You.html
(Link seguro pra baixar a música)
http://www.youtube.com./watch?v=oNwZJrgr_bA
-Lembrou do sorriso torto devastador, de seu maxilar másculo e perfeitamente quadrado, de seu jeito sexy ao caminhar, de um par de olhos azuis muito vivos, daquelas mãos a segurando com firmeza enquanto dançavam o tango, sem falar de um belo traseiro.
-Elizabeth Bennet pare agora com esses pensamentos sórdidos – gritou consigo mesma
– Ele é um maldito Darcy arrogante e metido. Deve ter um bando de calcinhas atrás dele. Sem falar que ele é seu primo, tudo bem que distante, mas é parente.
Essa noite seria um tormento.
Na manhã seguinte, mal Lizzie pôs os pés no escritório, Charlotte começou o interrogatório:
Me conta tudo! Como foi o jantar?
-Excelente! – respondeu.
-Você não me parece nada animada.
- Muito pelo contrário, estou animada e, profissionalmente, mais confiante do que nunca.
-Apenas profissionalmente? Vamos me conte o que houve!
-A noite foi um sucesso! Mesmo, incrível! Eu circulei como uma pluma por entre a sociedade californiana, ri de várias piadas sem graça, fiquei super informada sobre as inovações da cirurgia plástica, tive que agüentar um engraçadinho curtir com a minha cara a noite toda, e pra coroar dei um show performático ao dançar um tango.
- Hãmm? O quê? Como? Conta isso direito!
Então Lizzie contou todo o jantar pra Charlotte
-Não entendi, não era Willian Darcy?
- Willian Darcy é o pai, eu encontrei o filho, Edward Insolente Darcy.
-E aí como ele é?
- Ele é arrogante, metido, e se sente o centro do Universo.
- E você recusou a proposta novamente, assim ao vivo e a cores?
- Lógico. Se ele pensou que me intimidaria, estava totalmente equivocado quanto a minha pessoa.
-E pelo menos ele era bonito?
-Bonito?-Lizzie suspirou longamente – O homem é estonteante.
- Mesmo?
-Mesmo! Ele tem todos os quesitos pra ser um galã de cinema: ele se acha o último Donut do saco.
- E mesmo assim você recusou a proposta e deixo-o no vácuo. Realmente você é corajosa.
- Não é questão de coragem Charlotte, é questão de zelar pela minha integridade emocional. Ele é muito irritante, e pelo que vi, gosta de me fazer de idiota, e eu não tenho paciência alguma pra aturar as gracinhas daquele “Filhinho de Papai”.
- Você saiu da festa sem se despedir de ninguém?
- Sai logo depois do jantar, não queria me encontrar com aquele arrogante de novo.
- Os Bingley devem ter ficado chateados com você Lizzie.
- Mandei flores pra Jane com um cartão explicando que tive uma indisposição repentina e tive que ir embora.
- Tá , uma indisposição com nome e sobre nome, Edward Darcy. - concluiu Charlotte.
- Pagina virada, assunto encerrado, agora vamos trabalhar?
Lizzie entrou em sua sala, sentou-se em sua mesa e começou a trabalhar.
Charlotte estava na recepção passando instruções pra secretária, quando viu aquele homem adentrar na sala. O visitante se aproximou da mesa da recepção, quando
Charlotte se antecipou a pergunta:
-Bom dia! Posso ajudá-lo em alguma coisa?
-Elizabeth Bennet se encontrar?
- O senhor é?
-Edward Darcy.
-Jesus Me Abana!- Charlotte disse no susto.
- O que foi que disse?
-Nada, nada. Eu só estou com calor- disse ela atrapalhada – Califórnia, verão, calor – disse ela com uma risadinha nervosa.
- Então, Elizabeth Bennet se encontra?
Charlotte virou-se pra sua secretária e perguntou:
- Anne, veja se o Sr.Darcy tem hora marcada com Lizzie.
- A Srta sabe que não. Mesmo assim quero falar com Elizabeth Bennet.
Charlotte não se deu ao trabalho de voltar a encará-lo, na mesma hora emendou:
- Anne, por favor, vá a sala de Elizabeth e pergunte se ela tem uns minutos pra atender o Sr.Darcy.
No momento em que Anne ia sair, Lizzie entrou na recepção e levou o maior susto ao ver quem se encontrava ali.
- Bom Dia Lizzie! – Edward a cumprimentou, com um sorriso nos lábios.
- O quê faz aqui? – “ Na certa não tem nada pra fazer, nessa vidinha medíocre e tediosa dele, e ta achando que vai se divertir as minhas custas!”
-Ora Lizzie, pensei que soubesse! – ele estava se divertindo- O que traz as pessoas a uma empresa de Arquitetura? Negócios? Propostas?
- Olha aqui Sr.Engraçadinho, não vi seu nome na minha agenda, e segundo as regras da empresa, só atendemos com hora marcada. – Lizzie já estava tomando o rumo de volta pra sua sala.
- Por um acaso essas regras se aplicam a família também? Priminha! – neste mesmo instante Charlotte e Anne se entreolharam surpresas.
Elizabeth bufou, respirou fundo, contou até dez mentalmente, e por fim disse:
-Anne, segure todas as minhas ligações por meia hora, por favor. Char, deixei o documento do qual você precisa assinado na sua mesa. – e por fim – Sr. Darcy, por favor, me acompanhe até a minha sala.
-Uuuuh, ela é sempre autoritária assim?! – Edward perguntava pra Charlotte e Anne, que se limitaram a dar um sorrisinho e limpar a “baba” que escorria do canto de suas bocas.
Ao entrarem em sua sala, Lizzie o encarou por alguns segundos e depois decidiu resolver de vez aquela situação:
- Por que está aqui Sr.Darcy? – ela foi direto ao assunto.
-Não vai me convidar a sentar? –
-Não vai ser necessário, garanto.
Eles estavam em pé, de frente um pro outro, olhos nos olhos. Mesmo diante de tamanha confusão, ela percebeu como ele era alto.
- Então vou repetir: Por que está aqui Sr.Darcy? Pensei que estivesse deixado perfeitamente claro que.........
- Está querendo dizer perfeitamente, ou completamente?
- Não comece com esse tipo de brincadeira, de novo, Sr.Darcy.
- Não estou começando com nenhum tipo de brincadeira, Lizzie, só quero entendê-la direito. Existe uma diferença muito grande entre as palavras perfeitamente e completamente.
-Pelo jeito estou diante de um expert em semântica. Pois muito bem, vou refazer a frase: Não vou decorar Pemberley. Satisfeito?
-Não, não estou nada satisfeito. Afinal, pelo que estou entendendo, você recusou o trabalho na minha casa só porque resolveu acreditar que minha família e eu somos arrogantes e esnobes. – concluiu- Agora você tem a oportunidade de nos conhecer. De me “conhecer”. Olhe pra mim! Eu sou um homem simples.
Claro.. Você é simplérrimo! – ela ironizou
-Sabia que iria concordar comigo. Portanto, não vejo motivo algum para que continue se recusando a trabalhar pra mim. E, por favor, sorria Lizzie, você me parece muito tensa.
- Bem, acho que precisarei repetir para ver se me entende: Não vou trabalhar para você.
- Para eu aceitar essa sua recusa, terá que me dar um excelente motivo.
-E eu tenho um excelente motivo. – argumentou já perdendo a paciência.
-Então me diga. Diga Alto e Claro.
- Tempo. Eu estou sem tempo, Sr. Darcy. – Lizzie pegou o telefone – Char, você pode vir a minha sala um instante, por favor?
- Essa é uma ótima desculpa, Lizzie. Mas fique sabendo que eu não aceito. – Edward estava adorando provocá-la.
- Pois vai ter que aceitar, eu não tenho tempo pra lhe atender. – ouve-se batidas na porta, e logo, Charlotte entra com uma bandeja nas mãos. Elizabeth lhe lança um olhar mortal em uma pergunta muda. “O que é isso Charlotte?”
- Um cafezinho sempre ajuda. Não é mesmo?! – responde Char em um tom bem humorado.
- Sr. Darcy esta é Charlotte Lucas, minha amiga e também sócia da empresa. – e voltando a sua sócia – Charlotte, eu acabei de explicar ao Sr. Darcy que não tenho tempo para aceitar o trabalho que ele me propôs. Não é verdade?
- O quê? – sua sócia perguntava totalmente aérea.
Só então Lizzie notou que Charlotte estava completamente à mercê do charme e do encanto de Edward Darcy, parecia hipnotizada.
- Não é verdade que eu não tenho tempo, que estou assoberbada de trabalho?
- É verdade. - Charlotte colocou a bandeja sobre uma mesinha. – Mas acho que, se nós reorganizarmos sua agenda, terá tempo de atender ao Sr. Darcy.
Lizzie teve ganas de apertar o pescoço de sua amiga. “Como? Como Charlotte podia traí-la dessa maneira?”.
- Viu só? – Edward sorriu com satisfação. – Eu sabia!
- Que tal vocês tomarem o café antes que esfrie?! – Charlotte deu uma piscadela pra Lizzie e, estrategicamente, saiu da sala.
“Você me paga Charlotte.”
- E então? – ele disse.
Quando Lizzie percebeu Edward já estava sentado, totalmente á vontade, com as pernas elegantemente cruzadas, olhando pra ela.
- Então, o quê? – Ela respondeu o fitando furiosa.
Edward agia como se estivesse em sua própria casa.
- Quer café com ou sem açúcar? – perguntou ele despreocupadamente
- Com açúcar.- ela respondeu automaticamente e se arrependendo logo em seguida.
- Não quer sentar-se? Vai se sentir melhor. – disse ele estendendo-lhe a xícara de café.
Indignada, Lizzie pegou a xícara de café e sentou em sua cadeira atrás da mesa.
- Quando começamos? – ele perguntou, fazendo Lizzie se engasgar com o primeiro gole de café – Estou me referindo, é que claro, ao trabalho na minha casa.
- Eu não vou trabalhar na decoração de sua casa.
- Isso vai repercutir mal no mercado. – avisou-a com um tom de preocupação dissimulada - A Arquiteta e Decoradora mais cotada no mercado atualmente, recusando um desafio? As pessoas vão achar que você não tem tanto potencial assim Lizzie, recusando-se a trabalhar pra família mais tradicional de toda Londres.
- Eu não estou recusando desafio nenhum, eu apenas não tenho tempo disponível pra fazer um bom trabalho. Pemberley é enorme, seria um trabalho pra anos. E tem a ver com restauração também, é um imóvel antigo e... – ele a interrompeu abruptamente.
- Mas quem disse que estamos falando de Pemberley da Inglaterra? Você não leu o que te mandei não foi? Você simplesmente viu o nome dos interessados e descartou de início. – agora ele estava sério – Qual é o seu problema com a aproximação da família? Por que se mostra tão arredia quando nos aproximamos de você?
Ele tinha conseguido a encostar contra a parede. De repente ela não sabia como argumentar.
- Eu não quero falar sobre esse assunto. E além do mais, os Darcys não são meus parentes, então, eu não tenho motivo algum para me esquivar de vocês. A recusa foi dada devido a um conflito de agenda. E desculpe se eu entendi errado, mas só conheço uma Pemberley, e essa fica na Inglaterra.
- Elizabeth, minha mãe é uma Bennet, eu tenho sangue Bennet nas veias, por tanto somos parentes, um pouco distante, mas somos, e você sabe disso. Reconheço que possa não ter me reconhecido nem saber qual era meu nome, mas sabia de nossa existência e a ligação dos Bennets com os Darcys. Tia Jane contou tudo pra minha mãe, no mesmo dia em que descobriu.
- Sr. Darcy eu lhe garanto que não misturo assuntos pessoais com profissionais.
- Então, eu concluo que foi medo do desafio? Vamos lá Lizzie! Cadê o espírito empreendedor que há em você?
- O Senhor é sempre assim tão insistente?
- Sempre.
- Existem vários decoradores que poderei lhe indicar.
- Não quero outro decorador. Quero você, Lizzie – Havia um duplo sentido na última frase que Edward pronunciara, mas ela fingiu não entender.
- Eu sinto muito.
- Tanta intransigência poderá prejudicar o seu futuro nos negócios.
Lizzie deu um profundo suspiro e olhou para a xícara de café que estava em suas mãos. "Aquilo não podia estar acontecendo. Será que tinha ouvido direito o que aquele homem petulante e arrogante lhe dissera?"
- Até agora a minha intransigência, que eu chamo de livre opção, Sr. Darcy, não atrapalhou em nada os meus negócios.
- Você vai adorar trabalhar pra mim, eu tenho muito bom gosto.
- E um ego maior do que o mundo!
- Você acha? – ele perguntou e, em seguida, se serviu de café.
- Claro que tem. Você é autoritário e muito, muito senhor de si, Sr. Darcy. E detesto homens com esse perfil.
- Eu percebi... – ele deu um sorrisinho cínico – porque tenho certeza absoluta de que você adora homens com o meu perfil.
- De jeito nenhum!
- Não minta Lizzie. Você é uma mulher corajosa e a mentira não lhe cai nada bem.
- Você se acha o máximo, não é?
- Eu não me acho o máximo. Eu sou o máximo!
- Não acredito no que estou ouvindo.
- Pois pode acreditar, é a mais pura verdade. E você sabe muito bem disso.
- Caramba! Você é muito convencido. – “O carinha se acha a última cocada do tabuleiro”.
- Não é convencimento, Lizzie, é apenas um profundo conhecimento de mim mesmo. Simples assim. – concluiu tranquilamente. – Ouça acho que não temos que perder tempo discutindo meu perfil psicológico. Temos sim é que falar a respeito do seu medo.
- Medo? – ela gritou – E quem disse que eu tenho medo?
- Se antes o problema era sua agenda: a sua sócia acabou de confirmar que pode reorganizar e arrumar tempo. Você acabou de afirmar que não é problema com a família, porque não mistura o lado pessoal com profissional. Então, o único motivo existente pra não aceitar minha proposta é que você está morrendo de medo de trabalhar pra mim, não negue.
- Como você ousa me dizer que tenho medo de você?
- Agora não é uma questão de ousadia, mas de pura constatação. Vai negar que adorou dançar comigo e se sentiu profundamente atraída por mim?
- Eu... eu... – Lizzie titubeou. Não era nada fácil ver seus sentimentos sendo expostos de uma maneira tão fria. – Acho que nossa conversa termina aqui.
- Você está confirmando cada vez mais que você tem é medo de mim, sim! – provocou ele.
- Ok! Eu vou decorar sua casa, provar que não tenho medo e que o senhor não é isso tudo que pensa ser. – ela disse isso já se arrependendo.
- Já não era sem tempo. Então, quando começamos? – Edward sorria satisfeito.
- Calminha aí, Sr. Apressadinho, tenho algumas condições.
- Estava bom demais pra ser verdade. Vamos lá, quais são elas?
- Primeiro, eu não sou uma profissional barata. Segundo, se quiser meu trabalho terei apenas um mês para atendê-lo e tem de ser imediato, pois pelo que vi na minha agenda só terei vaga ano que vem. E terceiro, pare de bancar o engraçadinho pra cima de mim.
Daqui por diante vamos ser o mais profissionais possível. – finalizou ela.
Ele se levantou dizendo – Ok! Nesse período de um mês, teremos a oportunidade de nos conhecermos melhor.
- O senhor não me entendeu. Aceitei o trabalho, isso não quer dizer que eu queira conhecê-lo melhor. – Lizzie levantou-se em seguida.
- Direta e objetiva, uma verdadeira profissional. – zombou
- Exatamente, profissionalismo acima de tudo. - revidou – Vou dar uma olhada com mais calma na sua proposta. Entro em contato hoje mesmo pra definirmos os detalhes e a data da viagem.
- Não precisa entrar em contato, eu te pego pra jantarmos às 19h. Então discutiremos todo o resto.
- Jantar?!
- É, jantar. Jantaremos juntos hoje. – ele disse, num tom suave de voz.
- Se está pensando que eu...
- Calminha, Srta. Bennet – falou em um tom brincalhão – Não precisa se preocupar, meu pai estará no jantar. Ele quer muito conhecê-la. Você já é famosa lá em casa.
Ele se aproximou acariciou-lhe o rosto de leve – Então passo na sua casa ás 19h – confirmou.
Ela ficou paralisada com o contato e levou segundos pra dizer: - Co-co-como se não lhe dei o endereço?
- Não precisa, eu sei onde você mora – ele andou elegantemente até a porta deu uma piscada de olho pra ela, e saiu.
“Maldito homem sexy...”. Ela bufou e se deixou cair na cadeira.
Fim do Capítulo II














