Capitulo XIII
- Tudo bem com você amiga?
Lizzie assustou-se. Pensou em estar sozinha ali. Virou-se devagar e sorriu com esforço para Charlotte.
-Nada, estou bem. Não se preocupe.
-Tem certeza? Você está pálida.
-Estou apenas cansada, só isso.
-Nunca a vi assim, Lizzie. Estou começando a me preocupar de verdade.
-Bobagem! Já vai passar, é só eu respirar um pouco de ar e já volto para o segundo round. Agora, vá se divertir, não se preocupe, já estou indo.
-Bem, então eu vou lá ver se um certo capitão precisa de ajuda, minha boa ação da noite. – Charlotte deu uma piscadela e voltou pra festa.
Lizzie devolveu o cumprimento e tomou mais um gole champanhe.
Contemplou a piscina límpida, que refletia as luzes dos postes baixos do jardim. O vento trazia oxigênio para seus pulmões e seu cérebro agradecia.
Ouvia a orquestra que tocava uma das músicas escolhidas por Elizabeth Darcy. Ali afastada Lizzie desfrutava da beleza da canção.
Gostava da sensação de êxito após um evento bem-sucedido.
Lizzie ouviu quando o cerimonial convocou todos os “personagens/convidados” e seus respectivos pares, para acompanhar o Sr. e a Sra. Darcy na próxima dança.
— Dessa vez você não me escapa, mesmo que não queira vai ter de dançar comigo.
Lizzie quase perdeu o equilíbrio ao ouvir a voz rouca de Edward ao seu lado.
Fechou os olhos, esperando que fosse apenas um sonho.
Ergueu as pálpebras e deparou com o olhar solícito de Edward.
Atraente e seguro de si, tal como Reth, no auge de sua arrogância e charme.
Os olhos eram profundos, incisivos, perigosos como a noite. O sorriso torto mais irresistível que nunca.
— Dançar! É somente isso que pretendo fazer. – brincou ele.
“Venho procurando há muito tempo
Por alguém exatamente como você
Tenho viajado ao redor do mundo
Esperando por você chegar
Alguém como você
Faz tudo valer à pena
Alguém como você
Me deixa satisfeita
Alguém exatamente “como você”
Envolvendo-lhe a cintura com suas mãos poderosas, a conduzia pela pista de dança.
Com os olhos fixos nos dela, Edward comentou:
— Você está tão linda, nesse vestido, que me sinto tentado a...
— Nada disso. Sem conversas.
- Você parece um pouco “alta”, o quanto você bebeu?
Lizzie sentiu-se um pouco zonza. Talvez a pressão sanguínea estivesse baixa. Não comera nada durante a festa, e agora o pouco de álcool que ingerira a afetava.
- Não há nada errado comigo- afirmou ela.
-Não? – perguntou ele desacreditado
-Claro que não. – afirmou.
-Tem certeza? –
- É comovente sua preocupação comigo, mas garanto que é desnecessária.
Elizabeth e Willian dançavam e sorriam um para o outro apaixonadamente. A Sra.Darcy tinha lhe confessado que essa música fazia parte da história de amor deles.
A música dos Darcys acabara, mas ela não conseguiu se livrar de Edward.
“Eu sei que não te conheço
Mas te quero muito
Todo mundo tem um segredo guardado
Mas eles conseguem mantê-lo?
Oh não, eles não conseguem
Dirigindo rápido agora
Não acho que sei ir devagar
Onde você está agora?
Eu a sinto por perto
Aí está você
Esfrie esses motores
Acalme esses jatos
Eu te pergunto o quanto quente isso pode ficar
E enquanto você seca gotas de suor
Lentamente você diz: "Eu ainda não cheguei lá"
Lizzie tentou manter distância, mas ele foi mais rápido e aumentou a pressão do braço, fazendo-a experimentar o crescente calor que vinha de seu corpo.
Sentiu Edward apertar a região dos quadris, provocando um atrito contra seu abdômen. Ela o olhou alarmada.
-Relaxe – ele sussurrou-lhe. –Você está segura, o que eu faria no meio de tanta gente?
Lizzie temia por suas próprias reações. Havia o compasso suave e sensual da música, com uma batida que parecia marcar sua própria pulsação interior.
Edward, a melodia, a atmosfera, o ambiente, todo o cenário a transportava para um mundo quase irreal, que a deixava vulnerável.
Porém os músculos que estava pressionando seus seios eram bem reais.
As pernas fraquejaram. Lizzie se agarrou em Edward, por alguns momentos, ambos dançavam como se fossem um só ser.
A sincronia de seus corpos ao girarem pela pista de dança, tudo parecia tão certo, a única coisa que destoava era a respiração descompassada de ambos.
Seus dedos deslizando pelos cabelos dele e seus e sentia-se incapaz de separar-se do corpo desse homem.
O desejo tomou conta de Lizzie com tanta intensidade que ela manteve os lábios entreabertos em busca de ar.
Eles continuaram a dançar absortos em sim mesmos, até que Edward sentiu alguém lhe cutucar o braço.
— O quê? – perguntou ele, sem desvencilha-se de Lizzie.
— A música acabou! – avisou Juan atrás dele.
Surpresos, os dois se deram conta de que eram os únicos que ainda dançavam.
Contemplou-a por minutos acalmando-a com o olhar. Afagou-lhe o rosto e segurou-lhe a mão e saíram juntos da pista de dança.
-Vem comigo.
E agarrou o pulso dela a enveredando-se por entre plantas e folhagens até chegar à casa de barcos. Aparentemente, estava tudo deserto e um pouco escuro. Edward mal abriu a porta e cercou-a com os braços estendidos sobre a parede mais próxima.
Por alguns segundos, ele ficou em silêncio apenas fitando-a, parecia travar uma luta interna entre a razão e o desejo. Por fim, suspirou, e sorriu com ternura.
— Sabe o que está fazendo comigo? – perguntou, enquanto ele beijava-lhe o pescoço.
— Tenho uma vaga idéia... - respondeu enquanto tentava achar o fecho do vestido dela.
— Seus pais estão em plena festa de aniversário. E se alguém nos descobre aqui, o que vão pensar?
— Hã? Não me diga que está preocupada com isso.
— E se eu estiver? – respondeu se desvencilhando dele.
— Quer que vá até lá e peça permissão? Ou prefere que eu traga um documento assinado?
Lizzie tentou caminhar até a porta, mas ele a puxou de volta.
— Não tem graça.
— E não tem mesmo! Sou um homem crescido, e não preciso da permissão de ninguém para ir para a cama com a mulher que anda me enlouquecendo.- confessou.
— Está quase me convencendo. Só mais uma coisa: não está tentando me usar?
— Usar? - perguntou sem entender.
— Será que significo algo para você ou faria o mesmo se estivesse com outra mulher? Sabe você acabou de dizer que está enlouquecido então... – Ele a fez calar com a própria boca
— Mulher você é muito teimosa!- disse impaciente.
_ Não é questão de teimos... Você ouviu isso? - ela o deteve.
_ Não, o que foi, agora? - resmungou ele a contra-gosto.
_ Shiuuu, escuta isso, vem lá de dentro. Acho que não estamos sozinhos.-explicou em tom de cochicho.
_ Tem alguém gemendo ou é impressão minha? - agora ele também ouvia.
_ Eu acho que alguém além de você, teve a idéia brilhante de ter uma conversinha ao pé do ouvido na casa de barcos.- ironizou Lizzie.
Quando Lizzie e Edward chegaram até o sofá tiveram uma surpresa.
_ Charlotte Lucas! O quê, quem é este debaixo de você?!- Lizzie mal acreditava no que via.
_ Lizzie? - Charlotte se levantou em um sobressalto, puxando seu vestido de volta ao lugar, ao mesmo tempo tentando arrumar os cabelos e limpar o batom borrado.
_ Olha Lizzie não é nada disso que você está pensando? – Nicholas tentava se justificar.
_ Hey como assim?- Charlotte olhou pra ele indignada- Era o quê então?
- Calma Charlotte, to tentando limpar a barra, pescou? – Explicou ele pra Char.
_ Ah! Tá! Tudo bem Cap – concordou Charlotte piscando pra ele.
_ Sem problemas Nick, eu entendo perfeitamente. O capitão precisava de ajuda com o timão. Muito compreensivo. – Edward tentava ficar sério e não cair em gargalhadas.
_ Me desculpem. Sinto muito. Nós encarnamos os personagens sabe... Capitão, navio, barco, casa de barco... – Charlotte tentava se justificar desajeitadamente.
— Fiquem à vontade... Não se incomodem conosco, por favor – ironizou Edward, puxando Lizzie com ele em direção a saída – Já estamos saindo, a casa de barcos é toda de vocês. Só não se esqueçam de fecharem a porta... Sabe como é né, pode aparecer mais algum marujo empolgado, e barco com tripulação excedente corre risco afundar.
Não houve resposta, apenas ouviram a porta sendo trancada assim que saíram.
— Talvez a gente deva deixar essa conversa pra mais tarde – concluiu Lizzie.
— Nem pensar, eu já sei onde podemos ir sem sermos incomodados.
Quando Lizzie percebeu pra onde estavam indo logo tentou voltar.
_ Você ficou maluco?! Como vamos chegar lá?- ela apontava pro local, como se dessa forma o fizesse mudar de idéia.
_ É fácil, eu te ajudo! – ele sorria pra ela a empurrando na direção do local.
_ Você esqueceu que esse vestido tem várias camadas e é pesado? Nunca vou conseguir chegar lá vestida assim, mas nunca mesmo. – apontava pra si mesma desesperadamente.
_ Fácil, você se livra dele. Edward disse com a maior naturalidade do mundo.
_ O quê? – Ela o olhava com os olhos arregalado do tamanho absurdo.
_ E tem que ser agora. – disse ele puxando o zíper do vestido dela.
Fim do capítulo.














