Citações

Há pessoas que por mais que se faça por elas, menos fazem por si mesmas. (Jane Austen)

Quando o Amor Acontece - Capítulo XVII

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 Capitulo XVII

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All’Improvviso Amore – Josh Groban

O vento que maciamente sopra/E hoje à noite está mudando meu destino/

E eu sinto que meu coração será surpreendido/Mais uma vez

A vida tem mais sentido, agora/Se eu olhar esse imenso céu

E a amada lua clareará comigo/ E estarei...

Refrão:

De repente amor, como o mar/Inundando meu coração e minha alma

E me salvará/Isto será natural como respirar/E o ar me falará de você

Agora tudo está diferente/Eu respiro de você o universo/Seus olhos são

duas estrelas na escuridão

Repete refrão

E será amor verdadeiro curando meu coração/Ressuscitará a luz dentro de

mim!

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Elizabeth sentia-se estranha quando acordou, uma sensação inexplicável a estava deixando

elétrica, tensa, porém, esperançosa de quê tudo fosse um aviso para ela segurar-se com

força, pois sua vida estava dando uma guinada.

Respirou fundo, pegou sua mala, olhou para Ruth com um sorriso de mistério e lançou-se

no elevador. Havia chegado à hora de resolver sua vida, e se tudo ocorresse como

secretamente desejara, desde que conhecera William Darcy, ela finalmente desfrutaria da

felicidade que o amor poderia trazer.

- Querida você me dá a impressão de já ter tudo em mente! No seu lugar estaria debaixo das

cobertas, onde definitivamente é mais seguro! – Georgiana sorriu tentando desfazer a

tensão.

- Se as coisas que você me disse são tão verdadeiras quanto as que já ouvi, juro que em

breve serei a mulher mais feliz do mundo!

Elizabeth sentia uma euforia crescente dentro de si. Era a primeira vez que pensava em

seus sentimentos, em sua vida afetiva e em um futuro relacionamento, sem se repelir com

pessimismo. Ela o amava! Queria dizer isso alto, pela primeira vez, sem medo ou

constrangimento. Diria, assim que pudesse estar frente a frente, com aquele teimoso,

pedante, orgulhoso, irresistível, lindo... diria a ele que ela o amava.

- Quais são seus planos ao chegar em Londres? – Georgiana a estudava divertida, sentada

frente a ela na classe executiva da British Air Lines.

- Fazer o mundo parar de balançar, fazer meu estomago parar de embrulhar, tomar um

banho longo e quente, comer o maravilhoso bolo de morango de titia e assim que me sentir

razoável ir falar com ele... – Era a segunda vez que jogava-se na cadeira após uma visita ao

banheiro depois das infinitas bolachas salgadas que comeu desde que o avião levantou vôo.

- Bem vindo à gravidez, o estado mais exultante, extenuante, complicado, injusto e

enlouquecedor que você terá na vida.

- Injusto e enlouquecedor?

- Tente entrar numa calça jeans normal sem aqueles elásticos horrorosos na cintura, daqui

alguns meses, e verá como a vida é injusta! Quanto a ser enlouquecedor: É seu primeiro

bebê e o dele também, e se William é super protetor sem saber que será pai, espere até

contar! – Ela riu imaginando a situação. – Oh, Meu Deus! Duvido muito que ele a deixe

respirar, sem antes ter o atestado de “Purificação do Ar!” Mas o melhor de tudo..- simulou

um ar de segredo - Ele estará com mão aberta! Lhe dará carta branca para decorarem o

quarto do bebê, montar o guarda-roupa, os brinquedos....Tem cada coisa mais linda que a

outra, e se precisar de ajuda pode contar comigo!

Ouvir Georgiana supor sobre todas as coisas que aconteceriam em sua vida estava sendo

surreal. Ainda estava no meio do oceano e ela já imaginava como seria a vida da senhora

Darcy e a senhora Bingley sentadas à beira da piscina, observando seus filhos brincarem.

Menina ou menina? Azul ou Rosa? Fechou os olhos sentindo o enjôo voltar.

Elas chegaram ao aeroporto de Londres, um pouco antes das 11:00 da manhã. No saguão de

desembarque, Charles as esperava com certa ansiedade.

- Olá meu amor! – Georgiana abraçava seu marido saudoso – Que cara é essa?

- Cara de marido preocupado. Onde William estava com a cabeça de mandar você viajar

perto de ter nosso filho? – Charles fazia charme enquanto beijava sua esposa e acariciavalhe

a barriga.

- Não ligue para ele, pessoas apaixonadas fazem loucuras... Ou fazem os outros fazerem! É

o mal do amor! – Georgiana riu e o fez olhar pra trás. – Mas eis que trouxe o antídoto para

curá-lo.

- Olá Elizabeth! Desculpe-me não tinha reparado que você estava aí. Como você está? –

Charles cumprimentou Lizzy alegremente.

- Tudo bem Charles! Pode levar sua preciosa esposa pra casa, ela precisa realmente de

descanso. – Lizzy olhava pra Georgina com olhar de ternura e agradecimento.

Caminhavam até a saída do aeroporto. Georgiana afastou-se de Charles e segurou Elizabeth

pelas mãos. Olhando-a seriamente, disse:

- O que quer fazer, agora Lizzy? Charles pode levá-la ao escritório se quiser. Vai procurá-lo

primeiro? Ou eu digo que você veio? Porque, com certeza ele vai me ligar!

As duas pararam na calçada enquanto Charles recolhia as malas e as colocava no porta -

malas do Mercedes. Elizabeth mordeu os lábios em dúvida.

- Minha intenção era de ir a empresa procurá-lo imediatamente... Mas estou me sentindo

tão enjoada... Talvez seja melhor ir até a casa de titia primeiro, lá posso tomar um banho,

comer alguma coisa que não me embrulhe o estômago e assim que esse mal-estar passar,

vou falar com ele.

- Sim, é o melhor a fazer! – Georgiana lhe deu um olhar compreensivo.

Charles e Georgiana a deixaram frente à casa de sua tia.

- Me ligue com notícias, sim? Não faça uma pobre mulher grávida ansiosa, faz mal para o

bebê. - Georgiana piscou sorrindo com o sentido dúbio da frase. – Não demore de qualquer

forma, não quero deixar meu pobre irmão sem saber que você está em Londres.

Elizabeth sorriu e pensou em William mais uma vez. - “Que Deus me ajude!” - desejava

que tudo ocorresse bem, e que desse certo no final.

Extremamente emocionada e chorosa. Esse era o estado da senhora Gardiner ao vê-la ali.

Lizzy sentiu uma pontada de culpa por não ter retornado todas as ligações e mensagens que

sua tia a deixava em Nova York. Ela era o referencial de família que Elizabeth cultivava.

- Lizzy! Minha filha! Que bom vê-la!

- Ttitia! Oh! Não chore, estou aqui. – Lizzy abraçava a tia tentando não achar graça de

tamanha emoção só por vê-la.

- Oh meu bem, desculpe-me! Estou sendo uma boba, sim?- A Senhora Gardiner foi

desvencilhando do abraço, enxugando as lágrimas e dando passagem para que Elizabeth

entrasse em casa.

- Tudo bem tia? Sei que não avisei da minha chegada, mas se soubesse que se emocionaria

tanto, eu juro que teria dado um jeito de ligar do aeroporto. - ambas se sentavam no sofá da

sala.

- Não ligue pra isso minha filha! É que andava preocupada com sua saúde. – Sua tia falava

mansamente, olhando para as mãos, onde trazia um lenço de pano. - E me sentia culpada

por ficar muito tempo sem vê-la. E de repente a campainha toca e é você na porta! Não dá

pra acreditar! – Sorriu com um ar cansado e olhar preocupado.

- Não se preocupe! Estou bem, e com a saúde muito boa, pode acreditar! – Elizabeth

procurou tranqüilizá-la. – Eu só estou com um pequeno mal estar e um pouco cansada da

viagem, será que poderia tomar um banho e me deitar um pouco?

- Claro que sim minha filha! Esta é sua casa também. Suba, tome seu banho e descanse, vou

fazer um chazinho pro seu estômago. – elas se abraçaram novamente e Lizzy subiu para seu

antigo quarto.

Chegando ao quarto onde costumava ficar, tentou não ficar ansiosa ao constatar que estava

tão perto dele, que bastava telefoná-lo e ouvir sua voz, que poderia esquecer qualquer coisa

e correr de encontro a ele.

- Oh ... Mamãe está realmente louca para ver seu pai, mas primeiro você terá que me

prometer não expulsar mais nada do que eu comer! Hã? O que me diz? – Elizabeth

acariciava a barriga enquanto tomava um banho quente.

Enquanto a água batia em seu corpo, Elizabeth lembrava da primeira vez que se deparou

com aqueles olhos azuis enigmáticos.

Era uma tarde de outono, estava vindo de um almoço com um cliente, estava indo em

direção a sua sala, quando percebeu uma confusão na sala de conferências, a porta abriu-se

de repente, sem que Elizabeth tivesse tempo de se afastar, e um homem saiu tão depressa

que quase a derrubou. Ao passar encarou-a furioso com seus gélidos olhos azuis.

A segunda vez tinha sido no restaurante, enquanto almoçava com Collins : William Darcy

aproximar-se deles, seguido pelo maitre e acompanhado por uma mulher muito bonita.

Falava com Collins enquanto olhava para ela, que até então permanecera estática, apenas

observando o casal. O olhar de William Darcy percorreu-lhe todo o corpo, e ela o tinha

encarado com firmeza.

A terceira vez : Ele estava se divertindo com o embaraço dela toda suja de tinta.

Sentindo-se melhor depois do banho, vestiu algo confortável e desceu.

Passou pelo atelier da tia. Lembrou-se de quando era pequena e derrubara uma série de

cavaletes com as pinturas mais recentes dela, nem mesmo naquele dia sua tia fora ríspida

com ela.

Elizabeth sorriu diante dos novos quadros.

Caminhando pela sala, Elizabeth foi atraída pela montanha de papéis que estavam em uma

mesa de canto.

Eram notas bancárias, títulos de capitalização, um contrato de hipoteca cujo um carimbo

dizia: “ALIENADO”, e um outro documento com título de ordem de despejo...

- Oh! Lizzy... – Sua tia estava parada na soleira da porta com bandeja de chá nas mãos e

extremamente consternada.

- Você está com problemas, tia... Por que não me avisou? – Elizabeth sentiu um nó na

garganta, lembrando-se de todos os recados que havia recebido. Fora tão egoísta em pensar

só nela, enquanto sua tia passava por um momento tão difícil. – Temos que fazer alguma

coisa! Não se preocupe eu tenho uma boa reserva e podemos negociar com o banco, mas

preciso ver esses papéis todos primeiros... – Ela tentava raciocinar e encontrar uma saída

para tudo aquilo, precisa acreditar que ainda tinha jeito.

- Não se preocupe querida. – Sua tia depositou a bandeja calmamente na beirada da mesa e

a olhou ternamente. – Eu sei que você nunca hesitaria em me ajudar, eu a procurei muito,

houve momentos que até me exasperei, pois nunca a encontrava.

- Oh titia, desculpe-me! Sinto muito, sinto tanto. Não sabe quanto estou me sentindo

péssima. – Elizabeth a abraçou. – Mas como não posso me preocupar? O banco não pode

despejá-la da casa... Eu vou conseguir resolver isso!

- Já está resolvido, meu bem! Eu deveria ter guardado todos esses papéis. – Sentando-se em

uma poltrona próxima a janela, sob o olhar interrogativo de Elizabeth. - Traga o chá

querida e lhe explicarei tudo.

- Estou ouvindo... – Lizzy pegou sua xícara e agradeceu ao bem estar que sentiu quando o

chá chegou a seu estomago.

- Bem, primeiro, preciso saber sua opinião sobre William Darcy. Eu sei que você não tem

sido a pessoa mais feliz do mundo ao trabalhar para ele, sei que você o acha orgulhoso e

presunçoso, por isso, preciso saber antes qual sua opinião sobre ele.

- Titia, não entendo o que ele pode ter haver com isso. Mas sim, nós não somos os melhores

amigos! Mas aconteceu tanta coisa que me fazem pensar tão diferente dele hoje. Eu não

poderia dizer o que sinto, agora. – Ela sentia-se emocionada lembrando-se de todos os

momentos que tiveram juntos.

- Se é assim, espero que este fato melhore sua opinião sobre ele; o Sr.Darcy pagou a

hipoteca. – Sua tia falou de uma vez só e ela não pode ter reação, pois esta continuou

falando e Elizabeth não queria perder nada. – Logo depois de você ir para Nova Iorque,

recebi a notificação do banco, eu sabia que estava devendo muito, desde a morte do seu tio

descobri infinitas contas e investimentos sem retorno. Enfim, esperei até o banco me

procurar achando que seria o momento certo de negociar prestações mais baixas, mas isto

não aconteceu. O banco me intimou a sair da casa ou pagar toda a hipoteca. – Ela tinha os

olhos marejados e Elizabeth tentava calcular quanto William havia pago por esta casa que

era tão grande e antiga.

Sua tia olhava para o céu através da janela, como se revivesse tudo que havia acontecido.

– Eu a procurei desesperadamente, mas ninguém a encontrava, você nunca estava em casa.

Quando finalmente Ruth resolveu me contar o que se passava, soube que sua saúde estava

abalada. Senti-me mais desesperada. Em uma visita a Eleonor, eu o encontrei e pedi

conselhos de como agir para não perder a casa, e foi então que ele me pediu para reunir

todos documentos, e naquele mesmo dia ele mandou um funcionário vir me apanhar.

Fiz tudo o que ele pediu, e quando cheguei na empresa ele me apresentou a um advogado

que disse ter experiência no assunto, e me garantiu que logo tudo acabaria bem.

Em menos de vinte e quatro horas o advogado voltou com todos os documentos, a escritura

da casa e um leasing muito mais lucrativo do quê eu poderia imaginar. Ele me explicou de

forma bastante simples de como conduziu toda a negociação, e me disse que o Sr. Darcy

pagou por toda a hipoteca e fez uma nova oferta ao banco, o que fez o preço da casa subir

muito, caso um dia eu queira vendê-la.

Há poucos dias eu fui visitar Eleonor e finalmente pude encontrá-lo e agradecê-lo por tudo.

Não gosto de imaginar o que seria de mim sem estaca casa. Eu e seu tio fomos muito

felizes aqui. Lembranças de momentos tão preciosos, desde quando nos casamos e viemos

morar aqui.

Ela deixou uma lágrima escorrer e sorriu triste.

- Ele me fez prometer que não contaria a você, por causa de sua má impressão dele. Eu

tenho a nítida impressão que o Sr. Darcy acredita que você não ficaria feliz em saber que de

eles se envolveu com um assunto particular seu. E como sei que você é orgulhosa, eu

quase concordei com ele. Mas sinto que algo está diferente, e espero que você compreenda

tudo o que fez, e ponha o orgulho de lado.

Tentei dizer que não era justo, disse que você deveria saber, e que nós duas de alguma

forma teríamos de ressarci-lo.

Mas ele continuou teimando dizendo que você não iria gostar de saber disso, que iria

encarar como se estivesse em dívida com ele, e que não queria que você o procurasse para

pagar algum favor.

- Titia... Eu... Não posso, não consigo entender o que se passa... Ou passou pela mente dele

sobre o que acho dele... Mas no momento eu preciso falar com ele. – Elizabeth levantou-se.

Precisava encontrá-lo e depois de abraçá-lo, senti-lo e ter certeza que era em seus braços

que queria ficar, ela ia sacudi-lo até fazê-lo perder todo aquele orgulho e teimosia.

- Coma algo primeiro, você está pálida.

Seu estomago realmente reclamava, e ela forçou-se a engolir alguns biscoitos que a tia

havia trazido junto com o chá.

Lizzy chamou um táxi e foi para seu quarto trocar-se, lembrou-se de quando o desafiara se

trocando em 10 minutos. Colocou o vestido vermelho de lã que usara naquele dia, escovou

os cabelos vigorosamente, e sentiu-se mais bonita, era um sentimento incomum, mas

gostaria que William a visse bem. Olhou-se no espelho e sorriu, a adrenalina corria em suas

veias. Ela estava a um passo de finalmente encontrá-lo e conversar, dizer que o amava e

que seria pai. Estava esperando seu primeiro filho.

- O que vai fazer, querida? – Sua tia perguntou calmamente da porta do quarto assistindo-a

se vestir.

- Tia muitas coisas aconteceram, meus sentimentos são totalmente diferente do que a

senhora e ele supuseram. È hora de mostrar o que sinto e o que tenho pra dizer sobre tudo

isso.

- Soube que ele terminou o noivado com Jane logo depois que você foi para Nova York.

Também notei que ele anda mais calado e introspectivo que o normal, além disso, ele

pareceu-me se preocupar demais com sua opinião... Você não me deve explicação nenhuma

querida, mas diga-me quando vou poder lhe dar os parabéns por deixar o orgulho de lado e

finalmente admitir que o ama? – Sua tia tinha um sorriso contagiante.

Descendo as escadas lembrou-se dele no hall, sorrindo, enquanto a esperava para conhecer

sua mãe.

- Sim... Eu o amo, titia! E eu preciso dizer isso a ele! – Elizabeth apressou-se até a porta em

direção ao táxi que a esperava.

- Vá com Deus, minha querida! – Ela acenou de volta para a tia de dentro do carro.

- Para onde, senhora? – O taxista perguntou.

- Para... – Elizabeth ponderou. O horário comercial já havia acabado, não sabia se Darcy

ainda estava no escritório, poderia estar no hospital ou em casa. Pegou o celular na bolsa e

discou o numero de Georgiana.

- Olá! Você ainda não falou com ele... – Georgiana declarou.

- Como sabe?

- Por que um irmão muito irritado acabou de me ligar dizendo que sou cruel por não ter

relatado tudo que aconteceu em NY, ainda...

- Oh – Elizabeth quase riu da forma como Georgiana falava do irmão. – Eu tive uma

conversa com minha tia e, além disso, não sei onde ele pode estar agora, você sabe?

- Ele me disse que estava saindo do escritório e indo pro hospital. O encontre lá! Há um

restaurante na esquina, muito charmoso, vocês poderão conversar melhor lá.

- Okay, obrigada! – Indicando o caminhou ao motorista Elizabeth ensaiava intimamente

como contar a Darcy que ele seria pai.

O hospital memorial St. James era um dos melhores de Londres, Elizabeth entrou pelo

imenso hall com chão de mármore observando todos as pessoas, chegando ao balcão da

entrada perguntou onde ficava o quarto da senhora Darcy, uma jovem atendente verificou

no sistema e a indicou o caminho certo. Ela entrou no elevador sentindo-se inquieta,

finalmente iria encontrá-lo.

- Katarina! – Assim que as portas do elevador se abriram Elizabeth viu a amarga

governanta dos Darcys.

- A senhora Darcy está muito debilitada, seria bom que entendesse que no momento o

melhor seria deixá-la descansar. – A mulher falou sem delongas e com ar enfadonho.

- Mas... Eu gostaria muito de saber como ela está, apenas isso. – Lizzy tentou esconder o

desconforto de ser observada tão atentamente por olhar tão inquisidor da mulher, além

disso, sentia que a tal lhe dispensava sempre a pior das recepções.

- Ela está bem e ficará muito melhor depois de descansar. – Com as mãos cruzadas no peito

a mulher tinha o queixo levantado e uma postura empertigada.

- Gostaria muito de vê-la, mesmo assim. – Havia decidido que todo aquele empecilho não

podia ser somente preocupação com o bem estar da senhora Darcy, aquela mulher não a

suportava.

Virando-se ressabiada pela insistência de Elizabeth, Katarina caminhou até a porta do

quarto onde a atendente havia lhe indicado como quarto da senhora Darcy.

- Lizzy! Minha querida, quão feliz você me faz! Que bom vê-la meu bem! – Eleonor Darcy

conseguia demonstrar uma alegria contagiante, mesmo debilitada e visivelmente abatida.

- Sinto alegria em vê-la também! Como está se sentindo? – Elizabeth tocou-lhe a mão

delicadamente, aproximando-se da cama um pouco mais.

- Velha e frágil, como vê! Mas diga-me, meu filho sabe que está aqui? Como estão as

coisas em NY? – Eleonor a observava ávida por todas as respostas.

- Não senhora! William não sabe que estou em Londres... Ainda! E Nova Iorque vai muito

bem, batemos todas as metas e ótimos resultados no ultimo mês!

- Sim, eu soube! William está muito orgulhoso do seu trabalho lá!

- Senhora... É hora de descansar. – Katarina anunciou no momento que uma enfermeira

entrava na sala para trocar bandagens e administrar medicamentos.

- Lizzy! - a sra. Darcy lhe fez um sinal para que chegasse mais perto – Me faria um favor,

querida? – Elizabeth assentiu e então ela continuou – Tome conta de William pra mim, eu

não sei quanto tempo vão me fazer de refém por aqui, e estou preocupada com ele. Sei que

anda sobrecarregado, cansado e certamente não tem se alimentado direito, por favor Lizzy!

- Vou cuidar dele, pode deixar! - Dando um beijo em sua mão e sorrindo, Elizabeth

despediu-se prometendo voltar para revê-la.

Caminhando devagar para a porta do quarto, ela se perguntou onde William estaria.

 

 

- O que pretende ao voltar assim, garota? – Katarina tinha um tom acusador e uma postura

ameaçadora atrás de Elizabeth.

- Com assim, Katarina? – respondeu Lizzy virando-se pra ela.

Os olhares de ambas se encontraram. Katarina tentava a intimidar e Lizzy se mantinha

firme.

- Você brincou com a vida dele desde eu se conheceram. Estava acostumado com isso; com

mocinhas fúteis que tentam lançar-se em suas carreiras, sejam qual forem, às custas dele.

Ele até então sabia como lidar com elas. Mas aí veio você com o mesmo jogo e conseguiu

fisgá-lo. Fique sabendo que ele é bom demais para você, não merece todo esse seu jogo

sujo.

- Katarina, do que você está falando? – Elizabeth não tinha idéia do por que a mulher havia

se transformado ali, bem diante dela, num corredor hospitalar, a acusando de coisas sem

noção.

- De William! E do fato de você tê-lo usado para conseguir o que queria. Você o seduziu,

encantou e obteve o que quis. Você não é diferente de nenhuma que chegou até ele. Você

acha que uma mulher sem família, sem posição em lugar algum iria conseguir o quê?

Casar-se com ele? Por quê sei que foi por pouco! A única coisa boa que você fez à ele, foi

desviar a atenção daquele noivado sem cabimento com uma tola que não se enxergava nem

dava valor a quem ele é.

- Não lhe dei nenhum direito de me dizer o que pensa e o que fantasia. Olhe Katarina, não

pense que mesmo sendo uma “mulher sem família e sem posição social” vou deixá-la me

humilhar e dizer quantas estupidez quiser. – Elizabeth sentia, sua confiança abalada, mas

não daria o braço à torcer àquela mulher tão asquerosa.

- Você, Jane e Caroline são da mesma espécie; todas aguardaram a hora de dar o bote, todas

esconderam-se por trás de inteligência, sorrisos e elegância fingida. Vocês não me

enganam. Todos sem caráter!

- Sem caráter? Você não me conhece, não sabe quem eu sou. E não lhe dou o direito de

falar assim comigo. Eu não entendo por quê está fazendo isso, não entendo por quê perde

seu tempo me ofendendo e tirando conclusões precipitadas a meu respeito. Eu não exigi

nem tirei nada de William, pelo menos nada que ele não estivesse disposto a me dar. – Ela

apertou seguidas vezes o botão de chamada do elevador.

- Se, se diz tão cheia de caráter assim, dei-me sua palavra que ficará em Nova Iorque e o

deixará em paz. Ele não merece mais uma da sua espécie tripudiando em cima de seus

sentimentos. Eu o criei, eu sei o que é melhor para ele e o que o faz sofrer e você é a

principal de suas dores, hoje. – Katarina voltara a ter a postura empertigada novamente. –

Diga-me apenas que irá embora da vida dele e da família e ficarei em paz.

- Eu não lhe prometerei nada, Katarina! Você é muito patética em achar que me importo

com algo que pense ou fale. William é suficientemente grande para saber o que quer e o

que lhe faz bem. Não vou me afastar dele por quê você julga melhor. Passe bem.

Entrando no elevador e esperando as portas se fecharem para desabar no banquinho de

operador, Lizzy tentou encontrar o chão novamente, um forte enjôo e uma tontura que

ainda não havia enfrentado a atacaram sem piedade. Chegando ao térreo, encontrou o

banheiro no tempo exato de abrir uma portinhola e vomitar. Lá se iam os pouco biscoitos

que conseguira comer. Levantou-se e lavou o rosto e a boca tentando se recompor.

- Sugiro um chazinho! Acalmará seu estômago! – Uma mulher de meia idade lhe sorria

complacente através do espelho. – Os primeiros meses são terríveis!- Disse saindo.

Ela olhou-se novamente e tentou enxergar esse ponto diferente que a denunciava e

proclamava à todos o seu novo estado.

Indo até o café que Georgiana havia mencionado, Elizabeth olhou pela enorme vidraça a

entrada tranqüila do hospital. A garçonete lhe trouxe um chá de camomila que havia pedido

e ela forçou-se a beber e ficar calma. O líquido quente estava lhe fazendo bem, era

reconfortante ter algo no estômago novamente. Após quinze minutos de espera, Lizzy não

conseguiu conter-se mais. Por mais que desejasse conversar com ele, cara a cara, e ver sua

reação ao vê-la em Londres, não poderia mais esperar que ele aparecesse no hospital. Pegou

o celular dentro da bolsa e discou o numero dele.

- Diabos! – A voz irritante da gravação indicava que o celular estava desligado.

Pensando mais um pouco, tentou se concentrar no que fazer. Não iria pra casa sem falar

com ele, mas, não poderia ficar ali esperando. Tamborilou os dedos no tampo da mesa.

Darcy costumava ser o ultimo a sair do escritório, talvez tivesse sorte de encontrá-lo no

escritório. Pagando a conta e chamando um táxi, Elizabeth indicou o caminho do elegante

prédio da corporação no centro de Londres e rezou intimamente para que tivesse sorte.

O edifício construído em meados do século retrasado era um dos mais charmosos do

quarteirão. Elizabeth entrou pelas portas giratórias quase correndo.

- Senhorita Elizabeth! – O velho porteiro que lhe cumprimentava todos os dias, lhe sorriu

caloroso.

- Sr. Wilson como vai?

- Vou muito bem, senhorita! E se posso dizer parece-me que a senhorita também, pois

continua tão linda como sempre! – O gentil senhor gracejou.

- Elizabeth! – A secretária de Darcy acabava de sair do elevador, cheia de pastas coloridas

contendo algum trabalho para ser feito em casa. – Como está? Soube que Nova Iorque tem

ido muito bem! Parabéns!

- Oh Obrigada! E você, como vai?– Elizabeth tentava ser gentil com os dois, sem mostrar

sua ansiedade, mas encaminhando-se para o elevador. – Desculpem-me a pressa, preciso

encontrar Will... Darcy! – Ela corrigiu-se depressa.

- Mas ele não está mais aqui! – O senhor Wilson informou.

- Não? – Elizabeth tentou esconder o misto de desespero e desapontamento.

- Não há mais ninguém aí em cima. – a secretária falou. – O senhor Darcy veio do hospital

pegar o celular que havia esquecido e foi embora agora á pouco.

Elizabeth olhou para o chão, seus ombros pesavam, suas pernas doíam, a cabeça girava e

seu estômago parecia ficar menor, contraindo-se. Ele deve ter entrado e saído do hospital

no mesmo espaço de tempo em que ela estivera no café, e deve ter saído da empresa um

pouco antes dela saltar do táxi.

Elizabeth olhou para o chão, seus ombros pesavam, suas pernas doíam, a cabeça girava e

seu estômago parecia ficar menor, contraindo-se.

- Acho que ele foi ao Barney’s, deve ter ido com sempre tomar um drinque, você sabe

como ele adora fazer isso! – o Sr. Wilson tinha a intenção de animá-la.

-Claro... Obrigada! – Elizabeth já estava na porta quando se despediu depressa e caminhou

em disparada para o pub rua abaixo. Resolvendo cortar caminho, dobrou para entrar num

dos jardins abertos da cidade de Londres, tirou os sapatos para pisar na grama proibida,

para assim chegar mais rápido ao outro lado da rua.

A tarde estava terminando, o sol se pondo, o tom alaranjado batia nas folhas e produzia um

efeito mágico, ainda podia se ouvir um riso e outro de crianças que brincavam no

parquinho, alguns passarinhos numa árvore próxima e o barulho dos carros que voltavam

para casa. Chegando quase à metade do caminho seu celular tocou insistente, soltou os

sapatos para vasculhar o aparelho na bolsa e assustou-se com o vulto de um homem sentado

de costas para ela num banco.

- William! – Lizzy disse surpresa.

Ele tinha o celular na orelha, e virou-se deparando com ela ali, a poucos passos, em pé

atrás dele. Seus olhos estavam num azul desconhecido e seu rosto ainda tinha o ar cansado

da ultima vez que se viram.

- Elizabeth! – disse ele incrédulo.

Em questão de segundos ele se levantara e estava diante dela. William apenas a encarava.

Sem piscar, aqueles olhos profundamente azuis moveram-se pela face de Elizabeth,

examinando cada minúsculo detalhe com um impetuoso ar de preocupação.

Tudo nela tornou-se desperto quando olhou pra William. Foi como se, enquanto

mantiveram-se separados, até as cores da vida haviam emudecido. O mundo com ele era

um lugar mais vibrante. Seu coração deu um salto. William era terrivelmente bonito,

mesmo com ar de cansaço e aquela barba por fazer, ele estava mais sexy do que nunca.

Imóvel ele não disse nada.

Incapaz de suportar a tensão por mais um segundo, Lizzy falou.

- Você não vai me perguntar o que estou fazendo aqui? – perguntou em um fio de voz.

Elizabeth viu o peito dele encher-se, em um sinal que voltara a respirar novamente. Os

olhos flamejavam como labaredas prateadas contra os dela, então sorriu. O sorriso mais

devastador que Lizzy já vira.

O gesto foi tão súbito e fluido, William preencheu o pequeno espaço que ainda os separava,

e tomou-a pelos ombros, que pareceu uma única ação. Os dedos enterraram-se na carne

quando prenderam-se à clavícula. Lizzy mal registrou a dor. Assim de tão perto, podia

ouvir o eco do ritmo cardíaco acelerado dele...ou talvez fosse o seu próprio? E sentir os

finos tremores que ondulavam através da constituição de seu corpo tenso.

- Você é real – William arfou. – Pensei que estivesse sonhando de novo.

William segurou-lhe o queixo entre o polegar e o indicador e inclinou-o pra cima. Ainda

fixando os olhos dela com os seus, amparando-lhe a face entre as mãos e selou a boca de

Lizzy na sua. A fome crua dentro dele era esmagadora. No instante do contato, o corpo

dela amolecera. Mas à primeira invasão violenta e dolorosa da língua de William entre seus

lábios fendidos, a vida afluiu ardentemente outra vez aos membros.

A onda de energia sexual que avultou-se ao longo do corpo de Lizzy varreu para longe

todos os resquícios de submissão e transformaram-na de passiva em uma participante muito

ativa no beijo.

Um grito perdido vibrou-lhe na garganta, enquanto envolvia-lhe o pescoço com os braços e

comprimia-se sinuosamente contra o corpo de William, fartando-se na força viril do seu

corpo maravilhoso.

A separação abrupta quando William afastou sua boca da dela, fez com que se sentisse fria

por dentro.

Quando, de repente se deu conta de onde estava, desejou que o chão se abrisse e a

engolisse. Todas as pessoas assistindo aquele espetáculo, pensando Deus sabem lá o quê.

William lançou o braço sobre os ombros dela e puxou-a para o seu lado – Melhor

continuarmos esta conversa em algum lugar mais reservado.

- Devia ter pensado nisso antes de me beijar.

- Eu não pensava mais em nada até beijar você.

*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~

Toni Braxton - Breathe Again (tradução)

Se eu nunca mais te sentir em meus braços novamente/Se eu nunca mais

sentir a suavidade dos seus beijos/Se eu nunca mais ouvir você dizer

"Eu te amo”

Se eu não fizer amor com você mais uma vez/Por favor, entenda que se o

amor acabar/Eu te prometo, eu te prometo/Que eu nunca mais respirarei

Respirarei

Respirarei

Que eu nunca mais respirarei/Respirarei/Eu não consigo parar de pensar/De

pensar como as coisas eram/Eu não consigo parar de pensar/

De pensar no amor que você me deu/Eu não consigo tirar você da minha

cabeça/Como encararei o mundo/Deixando você sair da minha vida

E levar meu coração/E eu não consigo parar de me preocupar/Preocupar com

o amor da minha vida/E eu não consigo agir

Sem o centro da minha vida/Eu não consigo tirar você da minha cabeça

Sei que não consigo fingir/Que não morrerei se você decidir

Não me ver novamente/Se eu nunca mais te sentir em meus braços novamente

Se eu nunca mais sentir a suavidade dos seus beijos/Se eu nunca mais

ouvir você dizer "Eu te amo”

Se eu não fizer amor com você mais uma vez/Por favor, entenda que se o

amor acabar

Eu te prometo, eu te prometo/Que eu nunca mais respirarei

Respirarei

Respirarei

Que eu nunca mais respirarei

Respirarei

Eu não consigo parar de pensar/Pensar como minha vida seria/Não, eu não

consigo parar de pensar

Como você pode estar deixando de me amar/Eu não consigo tirar você da

minha cabeça/Deus sabe como eu tentei/E se você sair da minha vida

Deus sabe, com certeza morrerei/E não consigo agir assim/Sem o ritmo do

meu coração/Não, não consigo agir assim/E com certeza me faria em

pedaços/Eu não consigo tirar você da minha cabeça/Porque sei que não

consigo negar este amor/E eu morreria se você decidisse/Não me ver

novamente/Se eu nunca mais te sentir em meus braços novamente

Se eu nunca mais sentir a suavidade dos seus beijos/Se eu nunca mais

ouvir você dizer "Eu te amo”/Se eu não fizer amor com você mais uma

vez/Por favor, entenda que se o amor acabar/Eu te prometo, eu te

prometo/Que eu nunca mais respirarei

Respirarei

Respirarei

Que eu nunca mais respirarei

Respirarei

Josh Groban – All Improvviso Amore

Il vento che soffia piano

Questa notte cambia il mio destino

E sento che il cuore

Ancora si sorprenderà

La vita ora ha più senso

Se guardo questo cielo immenso

E la luna inamorata

Si illuminerà di me

E sarà

All'improvviso amore

Come il mare

M'invade il cuore e l'anima

E mi salverà

E sarà naturale come respirare

L'aria in me, mi parlerà di te

Adesso tutto è diverso

Respiro te nell'universo

I tuoi occhi sono due stelle nell'oscurità

All'improvviso amore

Come il mare

M'invade il cuore e l'anima

E mi salverà

E sarà naturale come respirare

E sarà vero amore

Che guarisce il cuore

Luce dentro me nascerà

Fim do Capítulo - XVII

 

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