Capítulo XVI
Nickelback - Far Away- Traduçaõ
Longe
Este tempo, este lugar/Desperdícios, erros/Tão demorado tão tarde.
Quem era eu para lhe fazer esperar/Apenas mais uma chance/Apenas mais uma
respiração/Apenas um caso que foi deixado de lado/Porque você sabe,
Você sabe, você sabe.../Que eu te amo/Eu sempre te amei/E eu sinto sua falta
Estive afastado por muito tempo/Eu continuo sonhando que você ficará comigo
E você nunca irá embora/Paro de respirar se/Eu não ver você de novo
De joelhos, eu pedirei./Uma última chance para uma última dança/Porque com você,
eu resistiria./A todo o inferno para segurar sua mão/Eu daria tudo/Eu daria por nós
Eu daria qualquer coisa, mas eu não desistiria./Porque você sabe/você sabe, você
sabe../Tão longe/Estive afastado por muito tempo/Tão longe
Estive afastado por muito tempo/Mas você sabe, você sabe, você sabe./Eu quis
Eu quis que você esperasse/Porque eu precisava/Porque eu preciso te ouvir dizer
"Eu te amo/Eu te amei o tempo todo/E eu perdôo você/Por ficar longe tanto tempo "".
Então continue respirando/Por que eu não te deixarei mais/Acredite em mim,
Me abrace e nunca me deixe ir."(2x)/Continue respirando/Me abrace e nunca me deixe
ir/Continue respirando/Me abrace e nunca me deixe ir...
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- A senhora gostaria que eu chamasse seu marido? Ele estava bastante preocupado quando
chegaram aqui! – O médico continuava, enquanto a olhava com expressão bondosa.
- Não... Ele não é meu marido... E ele já foi embora... Eu... – A mente dela girava em torno
de tudo que viveu até ali. Sabia que não tinha se protegido no fim de semana em Paris, mas
havia se tranqüilizado quando sua menstruação finalmente veio, ela sentia cólicas, irritação,
dor de cabeça, tudo estava certo! Olhando pro médico, como se fosse um ser estranho,
tentou raciocinar.
- Quer que eu chame a senhora que está lá fora, então? É sua mãe?
- Não. Não é. Não chame ninguém. Não gostaria que alguém soubesse, ainda! – Ela tentou
sorrir.
- Entendo. Bem, posso indicá-la um ótimo obstetra e ele fará todos os exames necessários
para sabermos como anda o bebê! – O médico sorriu gentil, Elizabeth sabia que ele tentava
contornar a situação de ter uma produção independente à sua frente. – Só vou liberá-la se
me prometer que vai se cuidar, descansar e tentar se alimentar bem, sim?
- Prometo! – Ela sorriu ao médico e levantou-se notando a combinação nada elegante que
vestia. Darcy a vestiu com uma saia comprida e uma camisa de flanela. Ela sorriu amarga.
Como ele pode ser tão atencioso a ponto de vesti-la, e tão frio aponto de ir embora sem
saber o que se passava com ela, numa só noite? Melhor, ela não sabia como ia enfrentar
essa situação, agora.
Já era manhã, tinha vindo pro hospital de madrugada. Encontrou Jeremy na saída, sempre a
postos, estava com as portas do carro abertas para que Lizzy e Ruth entrassem e levá-las de
volta pra casa.
Elizabeth falou o menos possível alegando ainda estar com muita dor de cabeça, mas que
foi apenas uma crise de estresse aliada com uma anemia a qual já tinha pré-disposição, e
que se desencadeou com sua discussão com Caroline na manhã do dia anterior.
- Então era estresse combinado com anemia. – Ruth ponderou. Sua expressão pensativa. -
Eu sabia que você cairia doente por causa deste ritmo. – continuou – Agora, a senhorita irá
descansar e deixar que Julia cuide de tudo, sim? Posso preparar um suco com bolachas para
você? - Pedia com carinho. Elizabeth sorriu e não disse nada caminhando em direção ao
quarto.
A cama ainda estava desarrumada. Deitou-se e sentiu o cheiro dele nos travesseiros e nos
lençóis. “O que ele veio fazer aqui, e porque foi embora daquele jeito?”, definitivamente
esse homem veio a terra com a missão de devastar sua existência. Mas e agora? Como seria
sua vida?
Passou a mão por seu ventre novamente, passado o primeiro susto, um sentimento de amor
e ternura começou a tomar posse de Elizabeth como um todo. O que deveria fazer? Contálo
seria o certo, mas o que ele faria? “O que será que ele dirá? Não suportaria se ele
negasse ou omitisse”.
Levantou-se, despiu-se e foi pra frente do espelho. Começou a investigar seu corpo, como
se estivesse procurando vestígios de sua gravidez ainda prematura.
Será que insistiria em ficar com ela por causa do bebê? Quais seriam seus planos quando
soubesse que será pai? E Jane? O que ela diria quando soubesse que além de dormir com
seu noivo, Elizabeth se descuidara e engravidara dele?
Notou que seu corpo ainda não mudara tanto, suas curvas estavam menos arredondadas e
seus seios pareciam mais fartos. “Como não percebi isso antes?” sorriu pro espelho e
começou a imaginar como fisicamente o bebê seria.
Conseguia visualizar um garotinho de cabelos escuros e olhos azuis correndo pro seus
braços lhe chamando de mamãe. Ou então uma linda menininha com olhos bem vivos
cabelos com cor de chocolate parecendo uma bonequinha, riu de si mesma.
Não podia ficar apenas imaginando, sonhando, e idealizando como tudo seria. Não poderia
ficar guardando aquele segredo só pra si, logo os sinais estariam visíveis e então não
poderia mais esconder o que estava acontecendo.
- Você está com medo? – Elizabeth acariciava a barriga como se conversasse com o bebê. –
Mamãe está aqui e não vai deixar que ninguém lhe magoe. Você é a coisa mais importante
que tenho agora, e por você sempre vou lutar para seguir em frente, me manterei sã e
vencerei todos os obstáculos!
Deitou-se novamente, nua e com os cabelos soltos, há poucas horas estava ali com ele, o
amando e sendo amada novamente. Deixou suas mãos vagarem por seu abdômen liso
voltando a pensar em como seguiria daqui para frente.
Tinha que resolver a bagunça em que sua vida se transformara. Como poderia dizer a ele
que estava grávida? Tinha medo de sua reação. Se ele a rejeitasse, ela entenderia, mas e se
rejeitasse o filho? E se duvidasse? Nunca se sentiu tão confusa e sozinha. Estava tão
cansada de pensar, raciocinar e não chegar à conclusão nenhuma! Era tudo culpa dele,
como podia ter virado sua vida de pernas pro ar e simplesmente ir embora? Como poderia
continuar com Jane depois de tudo que estiveram juntos? Um canalha.
“ Jane... “ Precisava resolver tantas coisas, não queria magoá-la, pois ela não merecia, mas
como contar-lhe que teria um filho de Darcy? Queria chorar, mas já havia chorado tanto,
ora de dor, ora de medo, de mágoa, de abandono...
Levantou-se indo para o closet procurando algo para vestir e dormir, ela vasculhou por
todos os lugares algo confortável não querendo admitir que procurava a blusa dele.
Enrolando-se no roupão, decidiu que Ruth deveria ter recolhido a camisa para lavar. “E
assim perdi o cheiro dele...” Ao respirar de maneira profunda, sentiu-se triste consigo
mesma. Lembrar-se de tê-lo naquela cama era motivo mais do que suficiente para sentir a
reação de seu corpo.
- Seu pai é um homem misterioso, enigmático, tem um ar de que sabe de algo que não sei, é
competente, trabalhador, analítico e eu diria até pragmático! É sensual, amoroso... Sua
risada é grave, forte e rica. Mas também é sério, meticuloso, cheio de si, orgulhoso e
manipulador... Mas mesmo assim eu o amo tanto, tanto que chega a doer, e eu não sei como
explicar esse amor, mas você sente aí dentro, não sente? Sente como eu o amo, com todas
as suas imperfeições e qualidades? Eu gostaria tanto de agarrá-lo agora e dizer que estou
apavorada, morrendo de medo dessa situação. Gostaria de sugar as forças que ele tem, me
alimentar de sua segurança, e me abandonar nele deixando-o guiar tudo. Mas eu não posso
meu amor, sabe por quê? Ele não quer isso. Não me quer como eu o quero, e quando souber
de você, continuará não me amando como o amo. – Elizabeth tinha os braços ao redor do
corpo, os joelhos encolhidos e se encolhia ainda mais no meio da grande cama, nunca havia
sentindo como era pequena, ali.
“William porque foi embora? Nós precisamos tanto de você!”.
Adormeceu se perguntando como tudo ficaria a partir dali, mas garantindo à pequena vida
dentro de si que não importava, ela conseguiria ser a pessoa mais feliz do mundo por causa
disto.
Acordou se sentindo péssima. Como agora sabia o “porquê” de seus enjôos, parecia que
eles haviam se intensificado, só por terem sido diagnosticados. Correu para o banheiro e
ajoelhou-se em frente ao vaso sanitário. Todo o esforço de Ruth em fazê-la comer tinha
acabado de ir água a baixo, literalmente. Olhou para o rosto pálido e com olheiras no
espelho do banheiro. Não se reconheceu. Abriu a torneira e lavou o rosto tentando fazê-lo
melhorar, mas não adiantou muito, escovou os dentes e preparou a banheira para um banho
quente, precisa relaxar e tomar uma decisão sobre o rumo de sua vida.
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- Júlia será por três dias. Adie qualquer coisa, não me chame para nada. Você tem as senhas
e autorização para usá-las até certo ponto, qualquer outra coisa terá que esperar até que eu
volte. – Lizzy estava cercada de papéis; anotações, cópias de contrato, seu notebook ligado,
transformando a mesa do quarto numa réplica da bagunça ordenada que era sua mesa no
escritório.
- Sim, Elizabeth! Ah! Já ia me esquecendo. Daniel ficou incumbido de visitar os
Donovan’s, e marcará a reunião de adesão somente para quando você voltar.
- Quem o incumbiu?
- O senhor Darcy. Ele mandou um memorando, com o remanejamento do contrato, até que
estivesse totalmente boa para voltar. Ele ligou-me hoje pela manhã e me instruiu! Não se
preocupe Elizabeth!
- Mas... – Ela não conseguia entender o comportamento dele. “Como pode se preocupar em
ligar tão cedo para o escritório, e não ligar para ela, para perguntar-lhe sobre sua saúde?”
Claro que ela podia apostar seu salário que ele ligará para Ruth e que esta deve ter-lhe
informado de tudo. Mesmo assim, ele a confundia.
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– Okay Ruth isso é tudo. Lembre-se que meu celular estará desligado depois do meio-dia,
por isso se lembrar de me perguntar qualquer outra coisa, terá que ser até lá.
Elizabeth fechou a mala, deu uma ultima ligação para a companhia aérea confirmando seu
vôo e respirou fundo fazendo uma pequena oração para quê tudo desse certo.
- Mas Elizabeth você não pode viajar passando mal assim, o médico mandou você repousar
e se alimentar – Ruth sem sucesso algum tentava impedi-la.
- Ruth, eu preciso viajar, tenho que resolver algumas coisas que estão pendentes em minha
vida – Lizzy respondeu, tentando esconder o que se passava em sua mente, não queria que
Darcy suspeita-se nem por um minuto.
- Então pra onde você vai? Deixe um telefone de contato ou me deixe ir com você. – Ruth
parecia muito preocupada.
- Ruth minha querida – Lizzy tomou-lhe as mãos em um gesto de carinho – Gosto muito de
você, mas tem certos assuntos particulares que eu ainda não me sinto confortável pra
compartilhar, tudo bem? Mas se quer mesmo saber... É um assunto de família, minha
família e o futuro dela. – Elizabeth ponderou esperando que Ruth não lhe fizesse mais
perguntas e que isso fosse o suficiente para relatar a Darcy.
- Está bem. Já que não posso fazer nada mesmo, vá com Deus e juízo! Ligue-me e
mantenha o celular ligado, por favor! – Elizabeth lhe lançou um beijo e saiu.
Encontrando Jeremy na portaria o dispensou tentando parecer calma.
- Aproveite o fim de semana de folga, Jeremy! Não se preocupe comigo, vejo-o na
segunda-feira!
- Posso chamar-lhe um taxi então, senhorita? – Perguntou sempre disposto a ser útil.
-Claro que sim! Obrigada.
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Los Angeles era quente, badalada e havia um “quê” de liberdade no ar. Após sair do
aeroporto, tomou um táxi, e visualizou os tipos tão comuns na cidade; os conversíveis, as
lojas caras, algum filme sendo rodado e o sol escaldante.
Durante todo trajeto, o taxista falava sobre como era a sua vida ali desde pequeno. Tentou
prestar atenção em tudo, assim conseguia deixar o nervosismo de lado.
- Aqui, senhorita! – O simpático taxista a trouxe de volta á realidade.
- Tome, fique com o troco! – Elizabeth saiu do carro carregando a pequena valise de
viagens. Não queria ir pro hotel até ter resolvido o que veio fazer. Parou em frente à casa
sofisticada, respirou novamente e tocou a campainha.
– Desculpe vir sem avisar Jane, mas precisamos conversar. – Elizabeth foi logo dizendo
mal a porta foi aberta.
Jane estava séria e afastou-se dando espaço pra Lizzy entrar. Ambas se olhavam como se
fossem duas estranhas.
- Sente-se Elizabeth. – indicou-lhe o sofá à frente. – O que quer conversar comigo?
- Quero ter a chance de ter uma conversa franca e sincera com você e gostaria que me
escutasse até o fim antes de me julgar ou dizer qualquer coisa.
Jane sentou-se no sofá a olhando cuidadosamente.
- Vá em frente. – Ela disse, cruzando os braços. Elizabeth suspirou e engoliu em seco.
- Okay... – Ela começou sentindo-se nervosa e nauseada. – Você sabe que sempre me virei
sozinha desde a morte de meu pai e a ausência da minha mãe, sabe que sempre me orgulhei
de ser responsável e centrada em minhas decisões. Quando trabalhava no Austen Bank,
imaginava que um dia seria chefe do departamento de contas associadas e que acabaria me
casando com o Collins para pagar minha língua! – Ela riu nervosa. – Conheci William
Darcy numa situação assustadora, ele tinha dado um nó nas pernas dos acionistas do banco,
saindo de uma situação que comprometeria suas decisões, mais rico, poderoso, e mais
respeitado do já era. O admirei por tudo aquilo.
- Mas você sabe o quão intransigente ele pode ser! – Ela sorriu fraca, tentando receber um
pouco de apoio de volta, mas os olhos de Jane continuavam fixos nela, e ainda havia um
vinco entre suas sobrancelhas, então continuou.
– Sei que ele me convidou para trabalhar na “Darcy Corporation” por influência sua, na
época também tinha a proposta de George Wickham, que me parecia uma outra alternativa,
fora ao fato de George tentar me mostrar um modo diferente de ver Darcy. – Jane respirou
fundo como se quisesse interrompê-la, mas ela levantou a mão a impedindo. – Por motivos
financeiros acabei aceitando a trabalhar na “Darcy Corporation”. Em Londres Darcy me
mostrou que eu conseguia ser tão agressiva e competente como ele nos negócios,
trabalhamos muito bem juntos.
-No início me amedrontei em ser sua assistente, eu não tinha tino comercial, não sabia ser
esperta para dar todos os pulos, mas ele me ensinou a cada dia.
- Houve momentos em que eu queria esganá-lo por ser tão intolerante em minha vida.
Mandava, coordenava e dirigia meus passos, só quando cheguei a NY foi que notei o quão
valioso tudo isso fora.
- Chegar a NY não estava nos meus planos, mas eu não tive escolha. – Ela pausou
buscando forças, respirando fundo e encarando o chão.
– Fomos a Paris para a festa de casamento de Amanda Firth, você sabe... Lá, não sei ao
certo se foi o clima da cidade, a tensão em que vivi nos dias em que antecederam a viagem,
não tenho explicação. Mas foi lá em Paris que notei o que não podia mais negar: eu estava
completamente apaixonada por ele, e me entreguei a esse sentimento sem pensar nas
conseqüências, nem em ninguém. – Ela levantou o olhar, mas Jane continuava impassível.
- Vim para Nova York por causa do que eu sinto por Darcy, eu juro que não foi de
propósito, eu jamais pensei em trair sua amizade. Você e Charllote são como irmãs pra
mim. Mas infelizmente fui fraca e não resisti, não consegui raciocinar e me deixei levar por
esse sentimento que crescia dentro de mim. Parecia que o mundo não existia... Bem, você
pode fazer uma idéia do que aconteceu.
- Mas no minuto em que o avião deixou Paris, eu me dei conta da pessoa mesquinha e
egoísta que fui ao traí-la, e do quanto fui iludida em achar que para ele, assim como para
mim foi algo além de sexo. Então quis sumir do mapa, não poderia continuar a conversar
com você, a ser sua amiga e a vê-lo tão feliz ao seu lado e sentir-me tão mal com a
felicidade de vocês, me sentia suja e desonesta. Escrevi uma carta de demissão, mas ele não
aceitou e me deu a opção de estar “há um oceano de distância...”. Longe dos olhos, longe
do coração, não é assim que diz o ditado? Mas eu ainda não consigo, dormir, comer, viver
com essa culpa. Eu gostaria que me perdoasse. Não precisa continuar falando comigo, mas
gostaria que compreendesse que errei e que estou aqui, mesmo que lhe causando dor e
sofrimento, sendo sincera e admitindo meu erro... Eu só queria que soubesse disso. –
Elizabeth estava trêmula e com os olhos marejados de lágrimas.
Jane levantou-se andou pela sala em silêncio, parou em frente à janela de costas pra ela-
Sabe... Não vai haver mais casamento Elizabeth, terminamos tudo no mesmo dia em que
você embarcou pra NY. – Ela declarou tranqüila.
Elizabeth abriu a boca várias vezes, procurando o que dizer, tentando processar a
informação, mas não conseguia fazer nem uma coisa nem outra.
- Já fazia algum tempo que o sentia estranho comigo, eu acho que tinha conversado isso
com você – Jane deu um sorrisinho triste pra si mesma. - E quando nos encontramos na
noite daquele dia, ele parecia arrasado. Ouso dizer que parecia ter chorado. Disse que
gostava muito de mim, que não queria me magoar, e que não era justo me fazer infeliz.
-Não poderia se casar comigo como havia prometido, enquanto desejava desesperadamente
estar com outra pessoa. - Jane parecia triste, mas conformada. – Ele pareceu tão sincero,
falando de forma tão simples quando disse: “não pode haver um casamento, quando um
homem está completamente apaixonado por outra pessoa, pode?” – Ela virou-se para
encarar Elizabeth de frente. – O engraçado disso é que na medida em me falava fui ficando
furiosa, mas quando percebi que o sofrimento dele era real, até me compadeci. Só não
imaginava que fosse você. – Os olhos dela traziam mágoa e acusação.
- Jane, minha culpa está em ter ido para cama com ele, desconheço por completo esse
sentimento dele por mim. Sempre me deixou pensar que ele encarava tudo como algo
passageiro. Não foi proposital Jane... Eu não calculei, não armei essa situação... – Suspirou
buscando ar, tentando compreender o que Jane declarava. - “ apaixonado por mim... Não
poderia haver casamento... “ – Você disse que não imaginava que fosse eu, mas quando
entrei parecia que já soubesse.
- Corri desesperada para Charllote, buscando conforto e conselhos. Ela me ajudou a
pensar, chegamos à conclusão que só poderia ser por você por quem ele estava apaixonado.
Quem estava mais perto de William? Qual mulher seria interessante o suficiente para lhe
despertar amor? Quem o apoiava? Entendia de seu mundo? Mas reconheço que
praticamente o joguei em seus braços. No fundo estava mais interessada na minha vida
profissional do que me casar e constituir família. Você sabe o quanto ele quer ser pai. – As
palavras dela fizeram as faces de Elizabeth ferver. - Eu amo William, mas acho que não o
suficiente pra me casar com ele, não neste momento.
- Jane... Perdoe-me... – A voz dela era um fio rouco e baixo.
- Eu já a perdoei Elizabeth, aliás, não há o que perdoar. Você entregou-se ao que sentia, não
foi? E ele também. Eu não poderia perdoar se um de vocês chegasse até a mim dizendo
“Foi só sexo...”, pois sexo, ele tinha comigo, mas amor é algo que não dominamos, não se
escolhe e não se planeja. Não tente me dizer que ele não a ama, ele atravessou o tal oceano
por sua causa que eu sei. Não é possível não amar alguém e fazer algo assim.
-Eu e ele já brigamos muitas vezes, já fizemos as pazes outras tantas, tivemos maravilhosas
noites, mas no dia seguinte ele era o mesmo, impassível, rígido e profissional. Mas quando
você partiu Elizabeth, ele se transformou. Ficou mais sisudo e monossilábico, mergulhou
em trabalho. Você abalou as estruturas do mundo dele, e não sabe o quanto me custa dizer
isso: Ele a ama de verdade.
Ela não sabia o que pensar ou fazer. Havia planejado ter uma conversar honesta e definitiva
com Jane, contaria a Darcy sobre a paternidade, deixando claro que ele não precisaria ter
nenhuma responsabilidade para com ela, e que torceria para que os dois realmente fossem
felizes no casamento. Mas então, tudo havia mudado, “ele te a ama Elizabeth” Jane
afirmara, e que por isso havia terminado seu noivado. Ele não queria que ela fosse sua
amante, ele realmente a desejava.
Saindo do apartamento de Jane, Elizabeth fez sinal a um táxi, e pegando o celular:
- Júlia, preste atenção, preciso que consiga um vôo para Londres o mais cedo possível,
estou chegando a NY ainda esta noite, me ligue com a resposta.
- Vou providenciar Elizabeth. – Elizabeth desligou ao descer do taxi em frente ao aeroporto
de Los Angeles. Precisava ir a Londres e entender tudo que havia se passado desde que
saíra de lá. Antes de embarcar ligou para casa.
- Alô? Ruth? Preciso que prepare minha mala, vou para Londres ainda este fim de semana.
- Mas, Lizzy! O médico disse: Repouso e não Viagens! Deus do céu, você ainda nem
chegou em casa. Diga-me o que está acontecendo, por favor, minha querida.
- Acalme-se Ruth! Estou chegando em casa dentro de algumas horas e não se preocupe,
estou viajando de primeira classe, consigo descansar perfeitamente! – Ela tentou fazer
graça da situação para tranqüilizá-la.
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Quando chegou à Nova Iorque já era tarde da noite. Entrou no apartamento jogando a
valise no sofá e suspirando cansada, precisava dormir um pouco antes de ir a Londres.
- Ruth? Ainda acordada? – Parou em frente à cozinha olhando com surpresa para a figura
loira, graciosamente grávida, e delicada, que era a irmã de Darcy. - Georgiana! O que faz
aqui? Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa com William? – seu coração disparou.
- Desculpe-me vir sem avisar Elizabeth. - Georgina estava acabando de servir-se de café. -
Ruth estava certa que você chegaria mais cedo, estávamos ficando preocupadas! Quanto a
sua pergunta a resposta é: Agora, sim e não. Mamãe, como você deve saber, sofreu outra
séria cirurgia, teve algumas complicações, mas agora passa bem.
- Oh meu Deus! A cirurgia que ela mencionou quando a visitei com titia! Claro! Como fui
insensível, eu não lembrei.
- Acalme-se! Mamãe ainda está hospitalizada, passou por momentos críticos, mas Graças a
Deus está melhor. Deixe-me tranqüilizá-la de quê não há nada de errado com William,
pelo menos eu penso que não! Gostaria de conversar um pouco mais sobre ele com você.
- Bem... Claro que sim! Ruth, por favor, vá deitar-se, sei que a preocupei! – Elizabeth foi
até a mulher agasalhada com um roupão e cor ar de sono.
- Se você não se importar minha querida... Com licença! – Vendo Ruth caminha corredor
adentro em direção ao seu quarto, Elizabeth quis ter a certeza que estaria a sós com
Georgiana, até ouvir a porta bater.
- Por que não me ajuda a preparar um chá e alguns biscoitos, poderemos conversar
tranqüilamente no meu quarto. Mas já é tarde! Dormirá aqui. Onde está Charles?
- A ajudarei com o chá, Lizzy! – Ela pegou alguns saches de ervas enquanto Elizabeth
colocava água no fogo. – Charles está de castigo com as crianças em Londres, estou na
cidade para os últimos preparativos da exposição que a empresa patrocina e obrigada, eu
aceito o convite de dormir aqui!
Prepararam uma bandeja com chá e biscoitos e a levaram para o quarto, depositando na
mesa próxima a janela. Sentando-se. Georgiana olhava tensa para ela. E sem conseguir
conter a ansiedade, não esperou que ela começasse.
– O que houve Georgiana, por favor, não me deixe nesta agonia! Sua mãe está bem, não é
mesmo?
- Sim! Como te disse está melhor! - disse muito calma saboreando o chá.
- Mas então o que está fazendo aqui, se sua mãe ainda está hospitalizada? – perguntou
curiosa.
- Eu vim me certificar que tudo está bem com você. A exposição na verdade foi uma
desculpa para mamãe. William me implorou que viesse saber de seu paradeiro. Cheguei
essa tarde. Eu e Ruth quase enlouquecemos. Você sumiu ! E William nos ligava de meia
em meia hora, me mandou chamar a polícia ou contratar um detetive. – Georgiana parecia
divertida ao narrar tudo. – Ele deve estar respirando melhor depois que você ligou para
Ruth lhe informando de sua volta. Ele ficou realmente preocupado, você tinha saído do
hospital há poucas horas, não deveria se expor a riscos desta forma, preocupando a todos e
principalmente William, você não tem idéia de como ele fica possesso quando não está no
controle! – Ela sorriu bebendo o ultimo gole.
- Entendo. – Lizzy estava um pouco envergonhada, pelo seu sumiço repentino e intrigada
com todo o circo que Darcy armara, ainda não queria acreditar nas palavras de Jane. - E
onde ele está agora? – Perguntou ela mal segurando o impulso de correr pro primeiro avião
rumo a Londres.
- Acho que no Hospital. – Georgina serviu-se de mais chá.
- E você veio pra cá só por minha causa? Um telefonema bastaria. – perguntou incrédula
de que Darcy tinha virado o mundo de todos de pernas pro ar por causa dela.
- Ele praticamente me expulsou de Londres, me implorou pra que descobrisse seu
paradeiro, se precisava de alguma coisa, já que deixou um recado que era assunto de
família. Se você não aparecesse hoje, eu já estava pronta a ir à policia... - falou parecendo
aliviada
- Elizabeth, meu irmão está enlouquecendo. Não dorme, não come, se desdobra entre o
trabalho e o hospital... E quando soube por Ruth que você passou mal, pegou o primeiro
vôo pra cá, não se importando com negócios, compromissos, simplesmente jogou tudo pro
alto. Mas teve que voltar logo quando soube que mamãe piorou. – ela sorria com os olhos.
– William te ama Lizzy, está louco por você! Só que na cabeça dele você não quer nada
com ele. Acha que você tem medo devido à fama de conquistador que tem... Ele acredita
que está pagando pela imaturidade do passado. – Ela depositou a xícara de volta à bandeja e
olhou séria para Elizabeth.
- Eu deveria saber, Lizzy... Ele falava tanto de você, com tanta reverência e ternura,
respeito... Havia nele algo há mais desde que começaram a trabalhar juntos, ele ria
Elizabeth! Ria! Você sabe o que é vê-lo rir com vontade? – Georgiana tinha um ar quase
infantil ao tentar fazê-la entender suas palavras e ela entendia e lembrava de como era
maravilhoso ouvi-lo rir. – Ele a ama, Lizzy, perdidamente.
- Quando você vai voltar a Londres? – Elizabeth tinha a voz embargada, a ansiedade de
estar de frente para um novo futuro dava sensação de borboletas no estômago.
- Bom... Se aquele tolo se conformar com a informação de quê você está bem, só um pouco
pálida e... diferente, pretendo pegar o primeiro vôo logo pela manhã. – Ela pegou sua mão a
analisando. - Por favor, prometa que vai se cuidar e não acabar indo pro hospital
novamente. Não deixe aquele arrogante apaixonado ainda mais tristonho e preocupado.
Elizabeth levantou-se e postou-se frente à janela, lágrimas desobedientes caiam livres, sua
mão na garganta tentava inutilmente desfazer o nó que a impedia de falar.
- Elizabeth – Georgiana começou num sussurro. – Há algo em você tão diferente daquela
mulher que conheci em Londres. Diga-me que está sendo uma boba de não estar agora com
o homem a quem ama, por quê eu sei que você o ama.
- Estou tão confusa Georgiana, como pude desperdiçar todo esse tempo, tentando odiá-lo,
esquecê-lo, quando não podia e sabia que não conseguiria. Tudo para saber, agora, que
bastava eu não ter sido tão cega, tão orgulhosa todo esse tempo... Tudo poderia ser tão
diferente. – Ela acariciou o abdômen, inconsciente do ato.
- Não importa, Lizzy! Não perca mais nenhum minuto!
- Vou para Londres com você. – Elizabeth a olhou decidida.
- Eu sei que você vai! Ruth me contou! – Georgiana sorria animada.
- Mas que coisa! Ruth é um caso sério! – Lizzy fingiu chateação.
- Não fique assim, eu estava com ela quando você ligou! Além disso, acho que você tem
que conversar pessoalmente com William sobre sua gravidez. – Georgiana falou
simplesmente.
- Oh meu Deus! Como soube? – Elizabeth foi pega de surpresa e tentou lembrar se havia
deixado escapar alguma coisa para Ruth.
- Então é verdade?! – Ela sorriu. – Que bom Lizzy! Imagine, William será papai! E não me
olhe assim, eu não falei nada, só sei porquê sou graduada em gravidez! É meu estado
favorito. Não vê? Oh Lizzy que felicidade. – Georgiana a abraçava com carinho. Elizabeth
não sabia o que pensar.
O toque do celular as separou, Georgiana foi até sua bolsa.
- É ele, Lizzy. O que quer fazer? – Georgiana olhava-a questionadora tendo o celular
insistente na mão.
- Não lhe diga nada sobre eu ir para Londres. – Ela estava incerta.
- Mas ele vai querer saber como você está...
- Diga-lhe que estou bem, que cheguei cansada e que estou dormindo. – Precisava de tempo
para colocar em ordem todo o turbilhão de pensamentos e sentimentos que estava
vivenciando.
- Pronto querido irmãozinho! Sim... Eu sei, desculpe, minha bolsa estava longe! Chegou e
está bem, estava muito cansada, foi para a cama dormir... Eu sei... William não me irrite,
você me fez fazer essa viagem ás pressas, grávida, para encontrá-la. Queria que
conversássemos e nós o fizemos... Quando eu chegar a Londres amanhã prometo lhe dar
boas noticias... Vá dormir querido, você parece exausto. Até mais. - Georgiana desligou
sorrindo. Olhou para Elizabeth e balançou a cabeça negativamente. - Juro que nem meus
filhos me dão tanto trabalho! Agora vamos, minha querida, amanhã será outro longo dia.
Tendo a ajuda de Georgiana, ela terminou de separar suas roupas, voltando a procurar a
sua... camisa dele. Na alta madrugada, depois de acomodá-la no quarto de hospedes,
Elizabeth encarava o teto esperando o sono, enquanto fazia planos. “ William, meu amor!
Sem mais oceano de distância, nunca mais.”
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Sarah Mclachlan - I Love You
Eu Te Amo/Eu tenho um sorriso estendido de orelha a orelha/Eu vejo você caminhando
pela estrada/Nós nos encontramos nas luzes, Eu observo por um instante
O mundo a nossa volta desaparece/É só você e eu na minha ilha de esperança
Um suspiro entre nós poderia ser milhas/Deixe me estar a sua volta, um mar para a
sua costa/Deixe me acalmar sua procura/Mas toda vez que eu estou perto de você
Há tanto que eu não posso dizer/E você apenas vai embora/E eu esqueci de dizer/
Eu amo você/E as noites são longas demais/E frias aqui/Sem você/E sofro na minha
condição/Para nao conseguir achar as palavras para dizer/Eu preciso de você tanto
Mas toda vez que eu estou perto de você/Há tanto que eu não posso dizer/E você
apenas vai embora/E eu esqueci de dizer/Eu amo você/E as noites são longas demais
E frias aqui/Sem você/E sofro na minha condição/Para nao conseguir achar as palavras
para dizer/Eu preciso de você tanto
FIM DO CAPITULO XVI














