Capítulo XV
Elizabeth passou a maior parte do vôo pensando em como sua vida tinha se
tornado um pesadelo. Havia apenas alguns meses que sua vida tranqüila e
metódica em Nova Iorque, transformara-se radicalmente para uma dinâmica,
tempestuosa e aventureira vida ao lado de William Darcy, em Londres.
Apaixonou-se. Amava-o perdidamente, mas não era correspondida. Sorriu
triste. Sua vida se transformara num melodrama: “Moça apaixonada pelo chefe
noivo e irresistível, no qual sonhava todas as noites, vem em seu cavalo branco
prometendo amá-la para todo sempre”. Mas ele nunca veio.
Não era um príncipe, pelo menos não o dela. Vê-lo ao lado de Jane, tão feliz
como qualquer jovem casal, preste a casar doeu mais que qualquer outra coisa.
Ela esperava até o ultimo minuto que ele desistisse de tudo e propusesse a
ela.... “O que Elizabeth? Amor? Casamento? Não seja tão boba!”. Ela se
repreendia.
Nem mesmo quando pediu demissão, ele sequer insinuou em terminar com Jane
para ficarem juntos, ou ao menos demonstrou tristeza. Havia a cena no saguão
do aeroporto é claro, mas ele não estava triste por quê a estava perdendo, mas
por quê não a teria mais como amante. Ela estava cansada e esgotada
emocionalmente. Tudo que faria agora era concentrar-se em seu trabalho e
esquecê-lo.
Conseguiu vencer a batalha para pegar suas malas na esteira de bagagem. Saiu
pensando em chamar um táxi para levá-la até o apartamento onde ficaria.
Quando notou uma mulher, na área do desembarque, com uma plaqueta com seu
nome.
Aproximou-se da mulher identificando-se - Eu sou Elizabeth Bennet. –Porque
está me procurando?
- Prazer em conhecê-la Srta. Elizabeth, meu nome é Julia Spencer, sou sua
assistente. – disse a moça em um tom muito simpático.
- Assistente? Como assim? – Elizabeth estava confusa.
- Deixe-me explicá-la – Enquanto isso, um homem que parecia ser um chofer,
apanhou as bagagens e as conduziu até um carro particular. – Eu era Assistente
do Sr. Darcy aqui em Nova York. Agora, como a senhorita veio pra cá com o
cargo de Assessora Executiva da Darcy Corporation, eu serei a sua assistente,
daqui por diante. – Dirigindo-se até o carro, o motorista abriu as portas para
que elas pudessem entrar - Em outras palavras, na ausência do senhor Darcy, a
senhorita é quem está à frente desta filial.
Ao chegarem ao apartamento, Julia continuou com sua explanação:
- A senhorita, como está agora em um cargo de alta confiança, terá Jeramy
como seu motorista particular e ficará neste apartamento. O que precisar ou
necessitar a Sra Ruth, que é quem cuida de tudo na casa, poderá lhe ajudar.
- Nossa! Realmente não esperava por tudo isso! Não fui informada, de que como
executiva em Nova Iorque, teria tantos privilégios assim! Obrigada, por tudo. –
Elizabeth sorriu à moça simpática.
- Que bom que gostou! Bem... Se a senhorita não precisa de mais nada eu já vou
indo, a vejo amanhã no escritório.
- Tudo bem Júlia, até amanhã.
Lizzy olhou em sua volta e reparou o apartamento. Realmente só tendo um
cargo de alta confiança pra morar num lugar tão suntuoso.
O apartamento era amplo, como uma sala com três ambientes totalmente
mobiliados com móveis sofisticados e aparelhos modernos.
Foi até o quarto e descobriu uma suíte de tirar o fôlego.
Parando no meio do recinto, ela observou todos os detalhes. Os adornos caros,
a cama enorme, macia e cheia de travesseiros, que ao tocá-los, pôde perceber
que eram de pena de ganso. Elizabeth não resistiu ao impulso infantil e se
atirou na cama como se fosse uma criança peralta. Suspirou diversas vezes.
Não seria por falta de conforto e cuidados que ela sentiria falta de Londres.
Ouviu passos á porta e viu uma senhora baixa e esguia com uma aparência muito
delicada, com um ar muito amistoso a olhando com divertimento.
Elizabeth muito sem graça, como uma criança que tivesse sido pega fazendo
traquinagem logo disse :
- Desculpe-me, não pude resistir! É a senhora Ruth eu presumo? Elizabeth
Bennet, prazer em conhecê-la. – disse saindo da cama e estendendo a mão à
simpática senhora.
- O prazer é todo meu, senhorita! Não precisa se justificar. Afinal de contas
esta é sua casa agora. E eu estou aqui pra saber em que posso ser útil. – falou
a Sra Ruth retribuindo o cumprimento.
- Bom, já que conviveremos juntas, não precisa me chamar de senhorita, pode
me chamar de Elizabeth ou Lizzy o que preferir.
- Então Elizabeth me chame de Ruth. Você deve estar cansada da viagem.
Tome um banho, deixe as bagagens comigo, e encontre-me na sala de jantar,
preparei uma refeição pra você.
- Nossa! Confesso que com todo esse tratamento estou me sentindo meio
perdida. – derrepente olhou para os lados, baixou o tom de voz e disse - Sabe
Ruth, sempre me virei sozinha, não sei nem por onde começar. Mas já que
somos só nós duas, não precisamos de tanta formalidade, posso fazer minhas
refeições na cozinha. – Lizzy lhe disse isso fingindo estar lhe contando um
segredo.
- Tem certeza? Não me seria incômodo algum colocando a mesa. Afinal de
contas este é meu trabalho.
- Oh! Tenho sim! Sentiria-me mais à vontade desta forma. – E Elizabeth foi
para seu banho.
Ao entra no banheiro, ela se deparou com uma banheira enorme a convidando a
relaxar.
“Acho que já estou me acostumando a tantas regalias, o que mais posso
fazer?” – fingiu um triste lamento.
Logo pela manhã Elizabeth começou seu trabalho na *DCNY.
Júlia sempre ao seu lado anotando tudo e muito eficiente.
Todos da filial a tinham recebido com cordialidade. Lizzy fez questão de
conhecer cada setor da empresa e cumprimentar cada funcionário,
conquistando com isso a simpatia de todos.
E o tempo passou com rapidez...
Em três semanas todos da empresa já nutriam por ela um respeito e uma
grande admiração. Sua inteligência e perspicácia já se faziam notar logo de
princípio. A filial já estava com outra cara, muito mais produtiva e com seus
funcionários mais interessados e satisfeitos.
Elizabeth tinha colocado seu próprio ritmo na empresa, e parecia que todos
estavam em sintonia com ela. Essa diferença logo pode ser notada por meio de
números, já na quarta semana a filial tinha aumentado em 40% seu desempenho
e produtividade. Sendo ela, elogiada por todos os acionistas e diretores, não
somente em NY, mas também em sua sede em Londres.
Ao chegar em casa depois de mais um dia de trabalho, Lizzy se jogou no sofá se
sentindo estranhamente sonolenta. Estava cansada, com cólicas e dor de
cabeça.
- Elizabeth minha querida, se continuar trabalhando desse jeito vai chegar um
momento que não vai nem agüentar sair da cama – Ruth a analisava preocupada.
- Não se preocupe Ruth, o trabalho me mantém sã, só estou meio sonolenta.
Acho que devo estar um pouco anêmica, mas não se preocupe nada melhor do
que sua comidinha para me deixar animada novamente. – deu um beijo na face
de Ruth e foi tomar um banho.
- Já ia me esquecendo de dizer, o Sr.Darcy ligou. Avisou que fechou um
contrato com uma empresa, eu agora não me recordo o nome, mas que você vai
ter de participar da reunião. Pediu também pra você ligar pra Júlia, ela te dará
maiores detalhes. – Ruth estava na porta do banheiro.
- Mas porque ele ligaria pra cá e não pro escritório? E por que Júlia não me
disse nada? – Elizabeth perguntou do Box, vendo o vulto da gentil senhora
andar pelo banheiro recolhendo suas coisas. Ruth a mimava e isso era algo
tocante.
- Ele disse que quando ligou pro escritório você já tinha saído, e passou tudo
para Júlia, então ligou pra cá, mas ainda não tinha chegado – disse Ruth
depressa saindo sem dar a Elizabeth à chance de fazer outras perguntas.
“Como? Por que não ligou para meu celular? Não queria ouvir minha voz, com
certeza”.– concluiu com tristeza.
Saindo do banho Lizzy ligou para Júlia, ainda confusa com a ligação de Darcy
para sua casa.
– Olá Júlia, desculpe-me incomodá-la, mas como Darcy ligou achei que fosse
algo importante... – Elizabeth sentou-se na beirada da cama vestida num
enorme roupão.
- Ah! Sim Elizabeth, ele fechou negócios com o Banco de Genebra, comentou
que vocês conheceram alguns de seus representantes em Paris...
Paris. Parecia que foi há milhares de anos que esteve em lá com Darcy, vivendo
a mais aventureira de suas historias, o mais romântico dos seus sonhos, e seu
atual pesadelo.
- É verdade... – afirmou lembrando-se que participou de uma pequena reunião
em que não se lembrava de muita coisa, pois na ocasião tudo que desejava era
voltar ao quarto com ele.- Mas eu não vejo nenhuma razão pra ele se alarmar
deste jeito. O que vem por aí Julia?!
- Eu não sei! Mas ele pediu pra lhe avisar que quem vem conversar conosco é
uma tal de Caroline Snack, ela estará chegando amanhã diretamente para o
escritório. – neste momento Lizzy entendeu o sinal de alerta.
- Tudo bem Júlia, eu a conheço. Vai ser osso duro de roer, mas vamos dar conta
do recado e mostra como a DCNY é realmente produtiva. – Entusiasmada em
poder mostrar a Caroline por quê era atualmente a executiva mais bem paga da
corporação na América, continuou a dar instruções sobre os documentos e
projeções que sua assistente teria que providenciar para o dia seguinte.
Quando desligou, lembrou de sua tia. Fazia tempo que não falava com ela,
estava tão empenhada em esquecer Londres, que se sentiu culpada de não ter
ligado para ela.
- Olá tia, como a Sra está? Estou com muitas saudades! – sua voz estava
carregada de emoção.
- Oh! Lizzy, minha filha! Está difícil falar com você, está sempre ocupada em
reuniões e almoços de negócios. Já conheço, Ruth, Júlia, e a Naiara da
recepção, só não consigo falar com você! Lizzy você está tentando se matar de
trabalhar minha filha? – a Sra Gardiner falava preocupada e exasperada pelo
ritmo de trabalho que Elizabeth adotara.
- Por favor, tia não se preocupe! Ocupar um cargo de liderança na corporação
tem seus sacrifícios! Não sou mais uma assistente, sabia? Sou ”Assessora”
agora, é como se fosse o “Sr.Darcy de saias”. - riu do termo que usou pra
explicar a tia à importância de seu cargo, esperando fazê-la acreditar em suas
palavras, de que estava tudo bem.
- Mesmo assim Elizabeth tem que descansar e se alimentar direito. Estive
conversando com Ruth, e lhe dei umas dicas do que você gosta e precisa. Sabe
que já tem uma pré-disposição a ter anemia, não se descuide Lizzy, por favor!
- Pode deixar tia, vou me cuidar. Aliás, depois dessa conspiração entre à
senhora e Ruth, imagino que ficará muito difícil manter minha forma. –
Elizabeth tentou manter-se animada, mas o cansaço a estava vencendo.
Despediu-se de sua tia prometendo ligar outras vezes.
Elizabeth não se deu conta de quanto tempo passou desde que ela decidiu
fechar os olhos um pouco. Acordou com Ruth gentilmente lembrando-a que não
havia comido nada, e trazendo uma saborosa sopa para ela no quarto. Conversou
um pouco mais com ela, sempre tão meiga e gentil. Elizabeth sentia-se culpada
por não saber quase nada sobre a senhora.
- Estava falando com minha tia. Ela estava me dando conselhos nutricionais...
Mas o que eu estou dizendo? Você e ela já andam trocando conclusões sobre
meu modo de vida, alimentação e saúde não é mesmo Ruth? – Elizabeth fingiu
aborrecida para arreliá-la, enquanto assentava á mesinha em seu quarto.
- Me desculpe Elizabeth, é que me simpatizei tanto com você, e por vê-la tão
só... Sabe como somos nós mulheres, logo me despertou um sentimento
maternal, e quando sua tia ligou e começamos a falar sobre você, então foi
inevitável – Ruth a olhava de forma amável acariciando-lhe a mão.
- Estava só arreliando-a Ruth, vá se acostumando. Agradeço a preocupação!
Sente-se e diga-me, já jantou também?
- Oh sim! Já passa das dez, mocinha! – Ruth respondeu amorosa.
- Deus! Como dormi!
- Não vou mais alertá-la de o quanto anda trabalhando demais. Parece que faz
isso de propósito! Não precisa ficar no escritório até mais tarde, Júlia pode
cuidar dos detalhes. Não precisa trazer trabalho no fim de semana, também!
Parece que está tentando ocupar sua mente para não pensar em mais nada ou
em alguma coisa... – Ruth tinha um olhar analítico. – Bem, de qualquer forma,
você pode tentar fazer isso com cinema, leitura, passeios! Inúmeras opções!
Para uma moça tão bela e inteligente não deveriam falta pretendentes nesta
porta, também!
Elizabeth riu lembrando do seu histórico de romances. Se era uma pessoa
extremamente competente no trabalho, poderia dizer que era uma fracasso no
quesito coração. Terminando sua sopa, Lizzy olhou para Ruth divertida.
- Não me sobra tempo para pensar no que não quero, Ruth. Esta é minha
intenção! Dedicar-me exclusivamente àquilo que me trás retorno; meu trabalho!
- Você anda trabalhando demais, Elizabeth! Isso lhe causará estresse minha
querida! Você estará esgotada logo, logo... – Ruth diagnosticava-a, contrariada,
enquanto fechava a porta do quarto.
Lizzy na verdade não queria confessar que mesmo se cansando, trabalhando
muito e não tendo tempo para outras coisas, não conseguia dormir direito.
Todas as noites, seu pesadelo rondava seus pensamentos como um leão
enjaulado, esperando que ela adormecesse para dar o bote e lembrá-la da força
dos sentimentos que viveu em Paris. O cheiro de Darcy ainda estava em suas
narinas, se ela fechasse os olhos com força e se concentrasse poderia sentir as
mãos dele em seu corpo percorrendo os caminhos que lhe ficaram marcados. O
gosto do beijo dele era sem igual. Maldito seja! Com toda sua sensualidade,
poder e charme irresistível.
Ela queria poder se comportar como as mulheres poderosas que conhecia;
distantes, protegidas de qualquer romance em suas áureas de auto-suficiência,
nos seus saltos altos e terninhos da moda. Mas ela se sentia como uma
adolescente assustada e tola, perdidamente apaixonada por uma figura de
comando, levada por promessas vazias...
Promessas?.. Darcy não precisou lhe prometer nada, ela simplesmente
mergulhou sem medir a profundidade, doou-se achando que restaria algo pra
ela, entregou aquilo que nunca imaginara compartilhar: seus verdadeiros
sentimentos de amor. E o que acontecera? Darcy era superficial, tomou-lhe
tudo que conseguiu e a deixou a ver navios. Tinha a idéia de que ele era como
um furacão, seu magnetismo causava admiração e seu efeito era devastador.
Passou por ela fazendo todo o seu mundo girar, se agitar, e continuou seguindo
deixando-a sem chão. Notando que perdera sua sustentação, suas coisas mais
importantes, sua alegria, restando apenas o desejo e a repulsa de viver tudo
novamente.
Finalmente ela conseguiu dormir seis horas seguidas, acordando com disposição
e animação.
“Que viesse Caroline Snack!” Pouco importava. Elizabeth era dona de si,
competente e não devia nada à ela.
Seguindo o delicioso cheiro de café, entrou na cozinha e constatou o enorme
café da manhã que Ruth preparou.
- Esperando visitas? – Ela brincou sentando-se a mesa.
- Oh minha querida, já que alimenta-se tão pouco, que dirá nada, principalmente
no escritório, resolvi fazer suas guloseimas favoritas para ver se você come!
- Sente-se comigo, Ruth! Vamos nos deliciar com o que você preparou.
O café estava divino, Elizabeth pôde matar as saudades dos famosos donuts
nova-iorquinos e riu deliciada enquanto provava tudo.
- Obrigada Ruth! Tenho certeza que nunca comi tanto e tão bem em lugar
nenhum! Nem em Pemberley... O que me faz lembrar que preciso ligar para a
senhora Darcy! – Ela levantou-se da mesa indo sentar-se no sofá, apanhou o
telefone e discou os intermináveis números.
- Alô? Katarina? È Elizabeth Bennet. Poderia falar com a senhora Darcy, por
favor? – Lizzy fazia caretas, Katarina não podia ver mesmo.
- Um momento. – Katarina respondeu com o mau humor de sempre.
- Alô? Lizzy minha querida, pensei que estivesse esquecido de mim! – A senhora
Darcy parecia muito contente em falar com ela.
- Nunca senhora Darcy, nunca vou esquecê-la. Tenho grande admiração pela
senhora e espero receber muitos conselhos seus. Sinto muito ter viajado sem
poder vê-la e despedir-me, foi tudo tão corrido, mas creio que minha tinha lhe
transmitiu meu recado.
- Sim Lizzy, Louisa me explicou tudo. – “Louisa? Sua tia e a senhora Darcy já se
tratavam sem formalidades”, “realmente a amizade delas estava indo de vento
em popa”.
- Liguei pra saber da senhora, e para lhe deixar a par do que tem acontecido na
filial de NY. Sei que a senhora gosta de saber sobre os negócios, e também
gostaria de saber sua opinião para alguns assuntos e decisões que tenho que
tomar. – Elizabeth realmente admirava a visão de negócios da mãe de Darcy.
- Me sinto lisonjeada por ouvi-la dizer isso Lizzy, estarei aqui sempre que
precisar, você sabe disso. Quanto o que está acontecendo na “ DCNY” , já
estou sabendo. Pelo que William tem me dito, você além de ter revitalizado
alguns setores, conseguiu em pouco tempo obter com sucesso algumas metas
que estávamos tendo dificuldade de concluí-las. Meus parabéns! Todos os
diretores e acionistas são só elogios quando tocam em seu nome, e cá pra nós,
nunca duvidei disso.
- Obrigada senhora Darcy, eu não sei nem o que dizer. – A conversa fora
interrompida pelo toque insistente do celular de Elizabeth, no visor o número
de sua assistente.
- HÁ esta hora deve estar saindo para o escritório, não é mesmo? – A senhora
Darcy tinha um “time” elegante e discreto. - Vá Lizzy, em outra hora
conversaremos e tenha um bom dia de trabalho querida. Espere! William
também está lhe desejando sucesso na reunião de hoje com o Banco de
Genebra. – Darcy estava lá, sabia que estava ao telefone com sua mãe, e em
nenhum momento manifestou o desejo de falar com ela. “Realmente Paris foi
só uma aventura”.
O telefone voltou a tocar deixando-a curiosa sobre a urgência de Júlia.
- Adeus senhora Darcy, tenho de ir agora – Lizzy desligou o telefone sentindo
um peso no coração. Discou o número de sua secretária e deu sinal de ocupado.
“Tornaria a ligar no caminho para o escritório”.
Elizabeth pegou suas chaves e deu uma ultima olhada em sua pasta,
preparando-se para sair. Quando se dirigia à porta a campainha tocou. Ao abrir
Elizabeth encarou com surpresa a figura de Caroline Snack.
- Bom dia! – Caroline tinha um olhar enigmático no rosto e olhava além dela,
para dentro do apartamento.
- O que a trás aqui? A reunião é daqui a duas horas no escritório. – Elizabeth
olhou-a quase divertida com a falta de descrição de Caroline, em querer ver
sua casa, então a convidou á entrar.
- Você deve ser muito boa no que faz! – A mulher ruiva tinha um tom de
escárnio na voz, parecia quase indignada, parada no centro da sala, observando
tudo ao redor.
- A empresa arca com variadas despesas dos membros da executiva, variando
com seu desempenho, você sabe. – respondeu-lhe orgulhosa.
- Com certeza! Você deveria dar cursos! Ganharia muito dinheiro com sua arte!
A mulher parecia quase furiosa. – “Como ser promovida em pouco tempo
dormindo com seu chefe”.
Elizabeth respirou fundo procurando não se alterar. Caroline estava jogando
verde e ela não lhe daria o gosto de saber sobre nada de sua vida.
- Esse é o seu título Caroline! Sei que você nunca conseguiu nada fora da cama.–
Tentou ser cruel e responder ao mesmo tom, mas isso a machucava, pois fazia
se questionar sobre a profundidade do relacionamento de Caroline e Darcy.
– O meu titulo seria: “Como ser extremamente competente fazendo sua
empresa crescer e aproveitar os bons resultados disso”. – Elizabeth
acrescentou.
- Você não me engana! Foi para cama com ele, sim! E fez tudo com maestria, já
que ele lhe colocou aqui! – Caroline fez um gesto amplo com os braços,
mostrando o apartamento. – Aqui! Onde ele não trouxe mais ninguém, só você! A
bonequinha de luxo dele! A colocando aqui, ele grita para todos os homens do
círculo dele: “Essa é minha, estão vendo? Está no meu apartamento”.
Elizabeth estava petrificada. Imobilizada pelo fiasco de estar ouvindo Caroline
compará-la a um objeto que tivesse dono, e acima de tudo saber por ela que o
apartamento pertencia á Darcy.
“Não vou deixá-la me humilhar desse jeito!”
- Posso saber o que realmente está fazendo aqui Caroline? – Lizzy perguntou
numa calma inexistente. – Darcy me emprestou o apartamento dele até que eu
encontrasse um satisfatório para mim. Ele também me avisou sobre eu ter
total liberdade para negociar porcentagens para a filial de NY junto ao banco.
Lizzy continuou a enfrentando, olhos nos olhos.
- Portanto, se continuar a se comportar dessa maneira anti-profissional, vou
acabar me lembrando desse seu acesso de baboseiras, na hora de analisar
nosso contrato com a empresa que você trabalha. – Tentava de todas as
maneiras manter a cabeça erguida, altiva.
Caminhando até a porta, tensa, Caroline se virou para tentar sua ultima cartada
e ferir Elizabeth.
- Admita que dormiu com ele! Que traiu sua adorada amiga, “Jane cachinhos
dourados”, perfeita e risonha. E se não me engano você seria madrinha de
casamento?! Pobre Jane! Se soubesse que já é estrela e protagoniza seu
próprio drama... – Caroline saiu pela porta que continuava aberta desde que
entrara.
Fechando-a com um baque surdo, Elizabeth apoiou-se no trinco, não conseguia
decidir se vomitava de enjoou, o veneno que Caroline destilava, ou sentava no
chão ali mesmo até sentir seu mundo ficar nos eixos.
- Elizabeth meu bem, por favor, sente-se aqui! – Ruth que estivera o tempo
todo na cozinha aparecera para apoiá-la até o sofá.
- Por quê não me falou que este apartamento era de Darcy, Ruth? – Lizzy
perguntou, cansada de toda aquela enganação.
- Eu só faço meu trabalho. – A mulher respondeu pacifica, enquanto empilhava
algumas almofadas para que ela apoiasse a cabeça. – Quando o senhor Darcy me
disse que vinha morar aqui, estranhei, quando me pediu que cuidasse de você,
fiquei curiosa. Então, desde que chegou aqui, pude notar o quanto você é
realmente especial, e o quanto você significa para ele. Nunca houve ninguém
nesse apartamento além dele, e eu nunca o ouvi tocar no nome de ninguém, a
não ser no seu. – Ruth a olhava com sinceridade assustadora. Elizabeth não
sabia o que pensar queria apenas descansar um pouco. – Vou ligar para o
escritório e avisar que você não tem condições de ir hoje.
- Não, Ruth! Deixe que eu ligo para Júlia. – Ela respondeu fraca quando a
mulher já estava na cozinha, pegou seu celular e discou o numero de sua
assistente.
- Caroline acabou de desmarcar a reunião, tentei ligar par avisá-la que ela havia
me pedido seu endereço para ir pessoalmente transmitir instruções que o
banco lhe passara.
Ficou combinado que amanhã virão apenas os advogados do Banco de Genebra,
apenas para pegar sua assinatura para o contrato. Não sei o que aconteceu! –
Sua assistente verborrágica estava lhe causando mais dor de cabeça, mas
felizmente lhe dera uma boa noticia. Não precisava encontrar Caroline tão
cedo.
- Okay Júlia, me ligue se for urgente, ficarei em casa... No apartamento, hoje.
– esta não era sua casa.
- Como quiser. – Ela notou a estranheza na voz da jovem, e a tranqüilizou,
desligando em seguida.
Não sabia o que estava acontecendo, parecia difícil respirar ou pensar, as
palavras de Caroline ainda atordoavam sua cabeça. A sala rodopiou e de
repente tudo ficou escuro.
Quando voltou a si, estava deitada em sua cama, e Ruth ao telefone
conversando com alguém que não conseguiu identificar quem era.
- A tal da Caroline esteve aqui e disse barbaridades pra menina, acho que ela
foi até muito forte em confrontá-la. Você sabe melhor do que ninguém que
tipo de cobra essa mulher é. Está bem, vou tomar todas as providências, ela vai
ficar em casa hoje. Pode deixar comigo ela vai descansar nem que tenha que
amarrá-la na cama. Tenho que desligar, acho que ela está acordando. Tchau. –
Ruth desligou rapidamente o telefone e veio vê-la.
- Com quem estava falando Ruth? – perguntou Lizzy curiosa.
- Falava com Júlia, ela vai segurar as pontas no escritório, enquanto a senhorita
vai tirar o dia pra descansar, está me ouvindo? – Ruth fingia um tom
autoritário.
- Liguei para Júlia, agora há pouco. – Elizabeth sentou-se na cama.
- Já passa do meio dia, querida! Você esteve dormindo desde então. Volte a
deitar-se, sim? Gostaria de vê-la melhor logo, por favor, não teime em não
descansar.
- Nem se eu quisesse Ruth. Hoje você pode se considerar vencedora, estou me
sentindo horrível. – Lizzy mal conseguia abrir os olhos.
Outra vez tentou descansar. Isto realmente estava indo longe demais. Estava
pondo em risco sua boa saúde em nome de quê? Ela se sentia infeliz e sozinha.
Lágrimas picaram seus olhos, não sofria desse jeito desde o funeral de seu pai,
nunca sentira tanta dor como naquele momento e nem como agora.
Sentia-se suja com as palavras de Caroline. Elizabeth sentia que não era
melhor que ela.
Havia dormido com o noivo de sua amiga, que era também seu chefe.
Caminhou em silêncio pelo quarto.
Retirou as roupas devagar, chorando lágrimas da tristeza que ela escondia tão
bem desde que deixou Londres. Não ia conseguir deixá-lo para trás. O oceano
de distancia não seria suficiente, por que ela o trazia consigo nas lembranças e
isso a sufocava mais do que tê-lo em presença física.
Ele a cercara; sua empresa, sua casa, seus funcionários. Caminhando até o
closet deslizou as mãos sobre seus ternos caros, era uma alta executiva por
que merecia ou por que dormira com o chefe e ele sentia-se culpado?
Nunca precisou tanto de colo de alguém, e nunca se sentiu tão sozinha.
Abriu a gaveta vendo as meias finas com as quais ela usava os saltos altos.
Abrindo outra gaveta, uma blusa branca chamou-lhe a atenção, a pegou e no
mesmo instante soube de quem se tratava. O cheiro, o tecido... Darcy.
Dirigiu-se até o banheiro, devagar como se estivesse no piloto automático
retirou as roupas e entrou no Box. Ela chorou copiosamente debaixo da ducha
quente. Como ela escaparia de toda essa tormenta? Quando? Não poderia
esperar até o contrato vencer. Não poderia ver, sentir, ouvir qualquer coisa
que se referisse a ele.
Enrolada no grande roupão saiu do banheiro, só para ver a incansável Ruth com
outro prato de sopa, novamente. Estaria ela sendo atenciosa por que merecia
atenção ou por que Darcy mandou? Todos no escritório a acatavam ou apenas
acatavam o pedido do todo-poderoso de seguir a nova chefe.
De repente e por culpa dele, tudo na vida dela perdeu o sentido aos seus olhos.
Por que, mesmo assim ela não conseguia odiá-lo? Após a sopa, ela recostou-se
nos travesseiros e tentou se desligar de tudo.
Ela caminhava num deserto, mas sentia frio. Sua boca estava ressecada, algo a
atormentava, precisava correr do perigo sem rosto que se aproximava e então
ela avistou Darcy que lhe estendia a mão. “Venha Elizabeth, pegue minha mão!”.
Ele gritava por cima do barulho do vento. Lizzy acordou atordoada com o sonho.
Todas as noites ela sonhava com ele. Como queria que esse tormento acabasse.
Mas lá no fundo, sem querer admitir, ansiava que algum dia ele se desse conta e
viesse até ela pedindo perdão e prometendo ficarem juntos.
“Tola... Grande tola você é Elizabeth! Tem seus ternos caros, seus saltos altos,
mas diferente das executivas que você admira não tem realismo e ainda
acredita em desejos românticos”.
Nunca imaginou que sentiria tanta falta dele. Em Paris, ele a fez sentir-se
única, amada e desejada e ela viciou-se nessas sensações.
http://www.youtube.com/watch?v=eUd4RbsB-XA
Queria abraçá-lo, beijá-lo... Olhou a camisa que havia encontrado, jogada na
poltrona á sua frente, desamarrou o roupão e caminhou nua até ela. Ao vestir,
Elizabeth fechou os olhos e respirou fundo, sentindo a textura. Dividida em
desejar e não desejar. Lembrou de um dos momentos no Hitz, quando ela
acordou para admirá-lo, era o mesmo sentimento, foi naquele minuto que ela
resolveu abandonar-se a sorte e se entregar a luxuria que ele lhe causava. Saiu
do quarto em busca de água para se acalmar e em choque deparou-se com
aquela figura lânguida, tensa e sonolenta no sofá.
- William! – Deixou escapar um grito de espanto. Ele que até então massageava
as têmporas levantou-se rápido e a olhou num misto de emoções que Elizabeth
não pôde traduzir.
Sua imagem sempre imponente estava abatida, a barba por fazer e o cabelo
bagunçado. Havia tirado os sapatos e meias, ela admirou as pernas atléticas na
calça jeans preta sob medida e combinando com seu pulôver cinza.
Definitivamente, mesmo abatido ele continuava devastadoramente lindo, o que
a fez lembrar-se de sua própria aparência. Estava nua por baixo de sua camisa,
e pior a camisa era dele. Alguns botões ainda estavam abertos e ela sabia que
ele via seus seios e não pôde fazer nada quando ficaram intumescidos e visíveis
pelo tecido fino.
O momento estático podia ter durado segundos ou anos, aquilo havia deixado
de ser importante. Eram naqueles profundos olhos azuis de desejo que ela se
concentrava. Darcy engolia fundo muitas vezes, fazendo seu pomo de adão
movimentar-se e fazê-la desejar beijá-lo ali.
Ele passou a língua entre os lábios diversas vezes, as mãos nos cabelos outras
inúmeras, e como um bicho selvagem pronto para atacar, deu apenas dois
passos largos para estar de frente a ela e tomar seu rosto nas mãos, e seus
lábios em sua boca. Beijando-a como se quisesse fazer isso desde o momento
que nascera.
Seus dedos longos percorriam seu cabelo, e a presença física dele deixava-a
inebriada.
- Lizzy, minha Lizzy, só minha. – Darcy falava em um fio de voz.
Alto, forte e cheio de desejo, Darcy a sucumbia sem falar nada.
Lentamente ele a suspendeu, fazendo-a enroscá-lo com as pernas em volta de
sua cintura, sem quebrar o beijo, levou-a de volta ao quarto deitando-a
delicadamente no centro da grande cama.
A razão ameaçava voltar, não poderia deixar que isso acontecesse novamente,
não poderia deixá-lo usá-la para depois ir embora a deixando no escuro e no
vazio, como se fosse seu furacão particular.
Mas a visão de seu dorso nu e da camisa voando para parar em algum ponto do
quarto era demasiadamente luxuriante. Ela sentou-se de frente a ele, que em
pé tentava desabotoar a calça. Ajudando-o Elizabeth deixava que suas mãos
esbarrassem de leve sobre áreas sensíveis, fazendo-o sufocar.
Sua consciência tentava alertá-la sobre como ela sairia machucada deste ato,
mas ela não lhe deu ouvidos, principalmente quando Darcy deslizou as mãos com
carinho sobre os seios; ventre, quadris e coxas. Ela fechou os olhos, apreciando
o contato daquelas mãos firmes novamente sobre sua pele.
- William....- ela gemia.
- Não fale Lizzy, sinta! – ele ordenou.
Tocou-a em seu lugar mais sensível, Lizzy gemeu com sensualidade, entregandose
às sensações que ele estava lhe despertando. Darcy conseguia ser firme e
delicado ao mesmo tempo, acariciando-a onde ela desejava ser acariciada, como
se adivinhasse suas necessidades.
“Deus ! Era espantoso o efeito que o toque dele produzia em seu corpo”.
Arqueou o corpo quando ele puxou-a para si e colou seu quadril ao dele.
Quando Darcy inclinou-se para beijá-la, ela abriu os lábios, permitindo que ele a
beijasse com mais ousadia e intimidade, ele insinuou a língua por entre eles e
mordiscou-lhe os lábios, antes de voltar a beijá-la com deliciosa insistência.
Sentiu o peso do corpo nu dele sobre o dela, a camisa dele que estava em seu
corpo, foi totalmente aberta, mas não retirada.
Lizzy deslizou suas mãos pelos braços fortes dele, adorando sentir o contorno
dos músculos firmes sob seus dedos. Puxou-o mais para perto e acariciou-lhe as
costas, enquanto insinuava o quadril sensualmente sob o dele.
Ele a possuiu sem aviso, sustentando-se pelos braços. As pernas de Elizabeth
estavam presas acima de sua cintura. Se retirando lentamente ele fez o
caminho de volta de forma venerada, fechando os olhos em concentração.
Lizzy estremeceu, ofegante, enquanto cada um dos movimentos de Darcy
lançava ondas de desejo por todo seu corpo.
“Que sentimentos eram esses que se apoderavam dela? Paixão, desejo,
loucura? Sim, loucura! Passava por ela uma certeza de que aquilo deveria
acontecer sempre”.
Os movimentos de Darcy eram torturantes, ela precisava de mais e mais para
esquecer os pensamentos de dor e abandono. Forçando-o a deitar-se, Elizabeth
virou-se sobre ele. Prendeu seu olhar no dele, enquanto o trazia para ela
lentamente. Movimentando-se com força e rapidez, ela orgulhava-se do que via;
Darcy completamente absorto de desejo, feroz e insaciável.
Darcy sugou seus seios, mordeu-os suavemente, enquanto se dirigia contra ele
num ritmo frenético. Ela indicou que estava com as pernas cansadas e Darcy
voltou à posição inicial.
Ela perdia-se na sensação de está sendo empurrada com mais força a cada vez
que ele a possuia. Estava perto de seus limites e sentia que ele também.
Agarrou-se ao pescoço dele, fechou os olhos e se movimentou contra ele
ajudando-o a ir mais fundo.
Ele gemeu baixinho, abraçando-a com força, estremecendo em seus braços
protetores.
Sem que ela esperasse, Darcy sentou-se na cama e levou-a consigo.
Segurando-a pelos quadris, envolvendo-a com movimentos intensos e ritmados,
até Lizzy acompanhá-lo, deixando-se levar pela paixão.
O clímax veio com a força de uma explosão de prazer, espalhando-se pelo corpo
de ambos com ondas de calor que os fizeram estremecer.
Prazeroso e intenso demais, parecia não querer ter fim, levando-os a
experimentarem um êxtase inacreditável.
Até um gemido mais alto irromper em sua garganta, chegando ao limite com o
nome dela nos lábios. Elizabeth teve vontade de chorar pela dor que aquilo lhe
causou. Ele tivera seu orgasmo, chamando por ela e isso nunca mais ia se
repetir.
Caíram exaustos um ao lado do outro, ambos olhavam para o teto. Ela notava
que ele queria lhe dizer algo, mas tinha medo de quebrar o silêncio diplomático
estabelecido pelos dois.
“Ela também gostaria de lhe dizer muitas coisas, como o quanto ele estava
sendo cafajeste de vir até ela, levando-a para a cama a usando novamente,
estragando a vida dela, manipulando suas ações, interferindo em sua forma
racional de pensar”.
“Mentira! Queria dizer que foi maravilhoso, quê sentira sua falta, que ele a
completava, queria dizer que o amava, e mais que isso...Queria o ouvir dizer que
a amava”.
Lágrimas ameaçavam cair e ela não seria humilhada em fazer isso na frente
dele. Levantou-se e tentou caminhar com elegância até o banheiro, mas suas
pernas estavam doloridas, sua cabeça rodopiava e de repente tudo ficou
escuro.
- Obrigada por ter vindo, senhora Ruth. - A voz de Darcy estava distante.
- Ela tem andado esgotada. Isso foi resultado daquela discussão com Caroline,
não foi? Pobrezinha. - Ruth tinha a voz embargada.
Elizabeth tentou focalizar três pares de olhos à sua frente, Darcy, Ruth e ao
que parecia, uma enfermeira.
- A senhora sentirá uma picada. - Informou a jovem com um sorriso cúmplice.
Notou que estava num hospital, o que quer que tenha acontecido a tinha
deixado com uma enorme dor de cabeça, mal conseguia abrir os olhos. Achou
que isso fosse uma benção, assim não precisava encarar Darcy no momento.
Ouviu o celular dele tocando e ele indo atender fora da sala onde estava. A
enfermeira havia saído a deixando a sós com Ruth.
- Minha querida, o que aconteceu? Vocês discutiram?- Elizabeth quis rir. “Se
ter sexo tórrido e apaixonante com Darcy for discussão, poderíamos dizer que
travamos uma batalha, querida Ruth!” Ela respondeu mentalmente.
- Preciso embarcar agora para Londres! Senhora Ruth, por favor, cuide dela.
Avise-me sobre qualquer coisa. - Darcy falou sem tirar os olhos de Elizabeth.
Tinha um tom autoritário que a irritava, ele estava indo embora, se
distanciando dela. Ela queria gritar com ele, chamá-lo de covarde e
manipulador, mas engoliu a raiva e olhou para ele fria.
- Adeus Darcy! - Ele beijou-lhe o topo da cabeça ignorando suas palavras.
O vazio que ele deixou era quase palpável. O cheiro dele em sua pele a
embriagava, ela ainda tinha vestígios dele em seu corpo.
- Ruth, por favor, deixe-me sozinha... - Ela pediu num fio de voz.
- Mas minha querida! - Protestou.
- Por favor!
Assim que a porta se fechou, ela permitiu-se chorar a amargura de ter sido
novamente usada pelo o homem que amava. Onde estava seu amor próprio? Ele
balançara seu mundo e ela tinha certeza que nunca mais seria a mesma jovem
forte e confiante. Limpou as lágrimas inutilmente.
- Olá! Olha só quem acordou! - O bondoso médico entrou na sala com uma
prancheta na mão. - Sente-se melhor?
- Acho que sim. Mas então o que eu tenho? – perguntou curiosa.
- Bom acho que a pergunta correta seria : Pra quando vai ser? – Elizabeth o
olhou confusa - Parabéns a senhora vai ter um bêbe, está grávida!
Elizabeth quase desmaiou de novo, só que dessa vez pelo impacto do susto.
- Mas não é possível, eu menstruei há uma ou duas semanas atrás!- ela tentava
convencer o médico de que ele estava enganado.
- Acalme-se, por favor, deixe-me explicá-la – o médico tentava tranqüilizá-la -
Cada organismo reage de formas diversas, algumas mulheres menstruan nos
primeiros meses de gravidez, o que parece ser seu caso. Vamos marcar um
obstetra para melhor lhe acompanhar e tomar as precauções cabíveis. A
senhora precisa de repouso, alimentação adequada, e nada de aborrecimentos.
O mundo dela estava definitivamente abalado. “A senhora está grávida...” As
palavras do médico ecoavam em sua cabeça. Ela não era “senhora”. “Deus! Seria
mãe e nem mesmo era esposa”.
• DCNY – Darcy Corporation New York
FIM DO CAPITULO XV
LETRA E MUSICA DO CAPÍTULO:
João Bosco - Memória da Pele
Eu já esqueci você
Tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
A sonhar em vão
Cor vermelha carne da sua boca, coração
Eu já esqueci você, tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa, sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço a raça da pedra dura
Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim
Em mim
Não sou eu sofro e sei
Não sou eu finjo que não sei, não sou eu
Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram enfim
Não sou eu sofro e sei
Quem se lembra de você em mim
Eu sei, eu sei
Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia
Na minha veia
Bate é no champanhe que borbulhava
Na sua taça e que borbulha agora na taça da minha cabeça
Eu já esqueci você, tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre a sonhar em vão
Cor vermelha, carne da sua boca, coração














