Citações

Há pessoas que por mais que se faça por elas, menos fazem por si mesmas. (Jane Austen)

Quando o Amor Acontece - Capítulo X

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 CAPÍTULO X

Elizabeth encontrou-se com Darcy assim que saiu do elevador

quando chegou ao escritório. Ele a olhou de maneira

penetrante.

- Você ainda está pálida. Não dormiu bem ontem à noite?

- Claro que sim - disse ela friamente. - E você? - "Será que

- Eu também. Estava exausto depois das quatro horas de tédio

que passei, com aquele idiota do jantar. Deixei Jane em seu

apartamento e fui direto para casa. Dormi feito uma pedra.

Lizzy sentiu o coração mais leve. - Ótimo!

- Ela vai retornar pra Califórnia amanhã, e eu vou para a

Nova York esta tarde. Estarei fora durante alguns dias. Será

que você conseguirá se arranjar sozinha? Eu lhe telefonarei.

Gostaria que você mantivesse um contato diário com minha mãe,

para lhe contar o que está acontecendo.

- Claro!

Elizabeth andou muito ocupada durante o dia todo, e ainda

estava trabalhando quando Darcy entrou em sua sala à tarde.

- Já estou de saída - disse. - Não trabalhe demais enquanto

eu estiver fora. E está proibida de ter enxaquecas.. .

principalmente se eu não estiver aqui para tratar delas!

Elizabeth tentou sorrir, mas não conseguiu. Darcy estava em

pé, ao lado de sua mesa, observando-a, seus olhos azuis

cheios de um sentimento que ela não conseguiu definir.

- Bem, faça uma boa viagem - disse com voz rouca.

- Obrigado! - Darcy levantou os ombros e saiu.

Os olhos dela embaçaram. Tensão ocular outra vez, disse a si

mesma, precisava consultar um oftalmologista.

De Nova York, Darcy telefonava para ela todos os dias.

- Minha mãe me contou que você está mantendo um contato

diário com ela. Obrigado por se dar a esse trabalho... sei

que deve estar muito atarefada no momento.

- Irei a Pemberley, vê-la, no domingo.

- Que bom! Dê-lhe um alô por mim.

- Não esquecerei. Quando você volta?

- Na segunda-feira, se conseguir concluir tudo o que vim

fazer. Ainda tenho que ver algumas coisas.

Ela olhou para o calendário e contou ansiosa os dias. Depois,

custou para se concentrar de novo no trabalho.

No sábado, Elizabeth convidou a sua tia e Wickhan para

jantar.

Ele a ajudou na cozinha antes que sua tia chegasse e, quando

abriu a porta usando um avental, a sra. Gardiner ficou

bastante chocada.

- Pobre Jorge. Lizzy não devia fazê-lo trabalhar para merecer

seu jantar. A nossa geração não fazia isso. Aliás, nem eu

queria que meu marido entrasse na cozinha, porque aquele era

meu território. Se o deixasse participar, não haveria mais

nenhum lugar reservado para mim, sabe?

Elizabeth ouvia a tudo, sorrindo. Não discutiu, mas sua tia

sabia que ela não concordava com aquela maneira de ver as

coisas.

- Eu me diverti muito, sra. Gardiner. Quem a senhora pensa

que faz a minha comida? Sou um cozinheiro de “mão cheia”,

modéstia à parte.

- Você precisa de uma esposa, meu filho.

- Puxa como foi que não me dei conta disso? - Jorge falou

rindo - A senhora é muito inteligente. É exatamente isso que

preciso, uma escrava para fazer todo o trabalho doméstico

para mim.

- Não olhe na minha direção, “me mira e me erra”. - falou

Lizzy com naturalidade, mas se arrependendo logo depois.

- É uma proposta? Pois, eu a aceito - disse Wickhan, rindo, e

a sra. Gardiner olhou para um e para outro, querendo saber se

eles estavam mesmo falando a sério.

- Nem pense nisso. Pelo menos pretendo ser remunerada para

trabalhar como escrava.

- Feminista! - Wickhan criticou.

- Obrigada. Por causa disso, você vai lavar a louça.

Depois que eles foram embora, o apartamento pareceu ficar

estranhamente vazio e silencioso. Lizzy deitou-se sentindo-se

muito sozinha, com uma dor esquisita e persistente dentro

dela. Tentou relaxar para ver se conseguia pegar no sono.

No dia seguinte, levantou-se muito cedo para ir a Pemberley.

O domingo estava ensolarado, e era um prazer pegar a estrada.

Embora com muita dificuldade em se concentrar no caminho,

ficava olhando a paisagem de lado.

Aquele amor estava latejando e a corroendo por dentro.

Quando entrou na longa alameda e parou na frente da casa, viu

outro carro estacionado. A sra. Darcy não tinha mencionado

que teria convidados. Lizzy ficou desapontada. Queria

conversar com ela sobre Darcy, mas teria que ser sutil para

que ela não percebesse que estava sendo interrogada.

A porta se abriu inesperadamente, e Lizzy deparou-se com uma

garota usando um maio vermelho.

- Olá - disse Lizzy, indecisa. - Eu sou. . .

- Sei quem Você é. Deve subir ao quarto de vovó. Elas me

deixaram aqui esperando-a, porque Katarina deu uma saída, mas

deve voltar logo. Estávamos na piscina. - Ela sorriu de

repente. - Eu sei mergulhar.

Você sabe? É fácil. - Tinha sardas no nariz e seu sorriso era

travesso. - Eu vou chegar devagarinho por trás de papai, para

empurrá-lo, é isso que os moleques fazem na escola. –

Olhe primeiro de que ele esteja usando calção de banho -

disse Lizzy.

A garotinha riu e saiu correndo. Devia ser filha de Georgiana

e Charles, já que a chata da Anne dissera ter apenas um

menino.

Ela entrou na casa, fazendo figa ao subir a escada. "Tomara

que Anne não esteja aqui", pensou, "pois isso estragaria o

meu dia". Bateu na porta do quarto da sra. Darcy.

- Entre!

- Olá - disse Lizzy, sorrindo, e a Sra.Darcy estendeu-lhe a

mão.

- Foi muita gentileza sua perder uma de suas preciosas folgas

para me ver.

- Está um dia tão lindo, que não consigo imaginar outra

maneira melhor de passá-lo do que aqui. - A sra. Darcy deulhe

uns tapinhas na mão.

- Parece cansada, querida. Tem trabalhado demais?

- Tive que aprender muita coisa em pouco tempo. Este trabalho

está a milhões de anos-luz do que eu fazia antes.

- Mesmo assim, não deve se esforçar demais, pois isso não lhe

trará grandes compensações no final. Meu marido sempre dizia

que trabalhar demais e não conseguir se descontrair depois

que se sai do escritório é o mesmo que procurar encrencas.

Espero que não esteja difícil trabalhar com William.

- Não, de maneira alguma - disse Lizzy, mostrando-se alegre.

- Acho que já consigo entender muita coisa, e seu filho não é

tão rigoroso assim. Estou adorando esse emprego! –

Ela procurou manter um tom despreocupado e um sorriso

natural, lembrando-se que a sra. Darcy não se deixava enganar

com facilidade. - Quem era aquela garotinha que abriu a

porta?

- É Keira, filha de Georgiana, ela me tem feito companhia.

- Ela deve ter uns seis anos, não? A sra. Darcy assentiu.

- Georgiana também tem um menino de três anos, Matthew. Estão

todos na piscina. Devia ter-lhe avisado para trazer seu maio.

Desculpe, eu me esqueci.

- Não tem importância. Prefiro conversar com a senhora.

Gostaria de saber como surgiu a Darcy Corporation

International. Foi seu marido quem a fundou, não?

- Sim. - respondeu a sra. Darcy, olhando para a janela, como

se estivesse voltando ao passado.

Ela falou sobre o marido e os primeiros dias de seu

casamento. Lizzy ouvia a tudo com atenção, percebendo que a

mãe de Darcy quase havia se esquecido de sua presença,

falando mais para si mesma.

- Ele nunca me disse o quanto estava doente - a sra. Darcy

continuou, algum tempo depois. - Quando morreu subitamente, o

choque quase me matou. William ainda era tão novo! Ele já

vinha trabalhando na firma do pai, aprendendo tudo o que

podia, mas alguns diretores achavam que não estava pronto

para ocupar a posição de presidente. Houve vários conflitos

de bastidores e lutas internas, foi muito desagradável, e

acredito que tenha sido isso que endureceu William de uma

hora para outra. Quando achei que ele já havia superado o

pior, e estava apto para assumir o controle, comprei esta

casa e vim morar na Inglaterra. Achei que seria o melhor, eu

fazia parte do passado, e William tinha que forjar as suas

próprias armas. Ele sempre me pedia conselhos, e eu sempre

estive disposta a discutir o que fosse necessário sobre a

firma, mas no final era ele quem tinha que fazer tudo

sozinho. - Ela olhou melancolicamente para Lizzy. - Não foi

fácil eu sair de cena. Passei quase toda a minha vida de

casada discutindo negócios com o pai dele. Gostava de tomar

parte em tudo. Mas é preciso também saber quando parar, e

William tinha que ser livre.

- Ele mesmo me disse o quanto ainda preza os seus conselhos

disse Lizzy com ternura.

A sra. Darcy riu.

- Espero que sim. Mas mesmo sabendo disso eu prefiro aguardar

até que ele peça a minha opinião. Não há nada pior do que uma

mãe que não solta seus filhos, isso dificulta muito o

crescimento deles.

Katarina entrou no quarto trazendo uma bandeja com café, e

Elizabeth se dirigiu a ela:

- Bom dia Katarina.

- Dia - respondeu ela, entregando-lhe uma xícara de café.

Então olhou para a sra. Darcy. - Parece cansada. Precisa

tirar um cochilo antes do almoço. - com um gesto severo

voltou-se para Elizabeth. - Ela tem que repousar pelo menos

uma hora de manhã e de tarde. É melhor você ir dar um passeio

no jardim quando terminar seu café.

Depois que ela saiu, a sra. Darcy disse, tristonha: -

Katarina trabalha para mim desde que me casei. É oito anos

mais velha do que eu, e nunca se esquece disso. Não sei o que

faria sem ela, é tão importante na minha vida quanto qualquer

um de meus filhos. Não se ofenda com o seu jeito, ela não tem

intenção de ser grosseira.

- Estou vendo que ela gosta muito da senhora, e que só está

tentando protegê-la – “Eu devo ter pisado nos calos dela empensou Lizzy achando graça.

outra encarnação”

Dez minutos depois, ela deixou a sra. Darcy e desceu para o

jardim. O dia estava bem quente agora e ela seguiu na direção

de onde vinha o som de vozes.

A piscina ficava perto da casa, e tinha árvores em volta.

Lizzy chegou até lá no exato momento em que Keyra mergulhava

na água com um forte estrondo.

- Não faça isso, Keira - Georgiana queixou-se. Estava deitada

numa espreguiçadeira, deixando sua gravidez em maior

evidência. Ao ouvir os passos de Lizzy, acenou sorrindo.

- Olá, que bom ver você. Venha conversar comigo. Mamãe está

dormindo?

- Katarina disse para ela dormir. Georgiana riu.

- Eu tinha pavor dela quando era pequena.

Lizzy sentou-se.

- A sua prima também veio? - perguntou, e Georgiana meneou a

cabeça.

- Anne está em Nova York.

Elas conversaram durante algum tempo, até que o garotinho de

Georgiana saiu da piscina e se aproximou, tremendo.

- Estou com frio, mamãe, quero me vestir.

- Quer que eu faça isso? - ofereceu-se Lizzy, apanhando a

enorme toalha de banho e começando a esfregar Matthew com

carinho.

Enquanto o enxugava, o menino a olhava fixamente. Lizzy

beijou-o na ponta do nariz.

- Pronto. . .Quer que o ajude a se vestir?

- Katarina fará isso - disse Georgiana. - Ela adora tê-los

aqui durante algum tempo, mas não muito.

Charles, o marido de Georgiana, veio juntar-se a elas naquele

momento e perguntou a Elizabeth sobre o seu trabalho na Darcy

Corporation, dizendo-lhe que também era corretor.

- Não sei como vocês aguentam isso - comentou Georgiana.

- É uma vida tão maçante. Com alguns amigos de Charles,

preciso fazer força para não bocejar!

- O que Georgiana quer dizer é que ela pega no sono logo cedo

e alega que isso acontece porque meus amigos são muito

chatos. Na verdade, ela é uma grande dorminhoca.- disse

Charle alisando a barriga da esposa e lhe dando um beijinho.

- Só quando estou grávida – disse logo.

Charles consultou seu relógio.

- Eu vou me vestir. Vamos, filhota? - Tirou Keira da piscina

e os dois entraram.

Georgiana levantou-se gemendo.

- Acho melhor nós irmos também, do contrário Katarina vai

reclamar. Ela tem mania de pontualidade e pode ficar brava

durante dias, se alguém se atrasar para uma refeição.

Elas caminharam lentamente de volta à casa.

- Minha mãe não vê Jane desde que oficializaram o noivado -

disse Georgiana enquanto andavam. - Você a conhece muito bem,

não é?

- Sim - admitiu Lizzy com cuidado, percebendo alguma coisa no

tom de voz dela.

- Está realmente levando William a sério?

- Pelo que sei, sim. Por quê?

- Ele a trouxe aqui apenas uma vez. Parece que não a vê

muito. Quando minha mãe lhe perguntou sobre isso, William

contou que Jane estava fora há muito tempo.

- Ela é. . . Ela trabalha bastante no exterior como modelo.

- Mesmo assim acho um pouco estranho. Cheguei até a pensar

que ela não estava muito segura sobre o casamento. As pessoas

quando ficam noivas procuram estar sempre juntas.

- Acho que eles se verão com mais frequência quando Jane não

estiver tão ocupada. - Lizzy defendeu a amiga, sem entender a

verdadeira razão de sua atitude.

- O noivado foi tão repentino! Mamãe sabe que eles só se

conheciam há uns dois meses. Ela está muito preocupada.

- Jane deve voltar em breve, e tenho certeza de que ela virá

visitar a sua mãe.

Ao chegarem à casa, Georgiana subiu para se vestir e Lizzy

dirigiu-se para uma das salas, onde ouviu música, esperando

encontrar Charles. Quando abriu a porta, porém, ficou

paralizada ao deparar-se com Darcy.

- Você está vendo uma miragem - disse ele brincando.

- Quando foi que voltou? Pensei que ainda estivesse em Nova

York...

- Viajei esta noite. Estava muito cansado, por isso vim para

cá. Mas, se soubesse que Georgiana e os pestinhas estariam

aqui, teria ido direto para casa.

Lizzy se recompôs e entrou na sala procurando se manter

calma.

- Deu tudo certo? - perguntou.

- Acho que sim.

Darcy começou a falar sobre o que tinha feito em sua viagem.

Elizabeth ouvia a tudo tentando acalmar as batidas de seu

coração. Ele parecia cansado, estava pálido e com olheiras.

- Pensei em ir nadar um pouco, quando Katarina me contou que

vocês todos estavam na piscina. Como precisava fazer a barba

e parecer gente, resolvi deixar pra mais tarde.

Georgiana e Charles chegaram, e ele virou-se para eles.

- Posso preparar uma bebida para vocês dois?

- Suco pra mim. Não estou bebendo por causa do bebê - disse

Georgiana, acomodando-se cuidadosamente numa cadeira.

- Eu vou tomar um licor - Charles decidiu. Darcy olhou para

Lizzy.

- Desculpe.. . Esqueci de lhe perguntar. O que vai beber?

- A mesma coisa. Um licor, por favor. -Pouco depois, Katarina

apareceu com as crianças.

- O almoço está pronto. Agora! - acrescentou, quando Darcy se

aproximou das garrafas dispostas no bar.

- Eu só vou deixar o meu copo – Darcy protestou. Desligou o

aparelho de som e todos saíram.

O almoço foi demorado e depois os adultos voltaram à sala

para tomar café.

- Precisamos ir embora daqui a pouco - disse Charles, olhando

para o relógio em cima da lareira. - Nós levamos uma hora

para chegar em casa, Elizabeh. O domingo parece que voa, não

é?

Logo depois, eles estavam saindo com as crianças, e Lizzy

disse:

- É melhor eu ir andando também.

- Por quê? - perguntou Darcy, contrariado. - Pensei que íamos

nadar agora.

- Infelizmente não posso. Não trouxe maiô.

- Já cuidei disso. .. Georgiana guarda alguns aqui, e eu pedi

a ela para deixá-los sobre a cama dela, assim você poderá

escolher um. Um deles deve lhe servir.

Muito disconsertada, Lizzy discordou, meneando a cabeça.

- Foi muito gentil de sua parte ter-se dado a esse trabalho,

mas preciso mesmo voltar, ainda tenho que concluir uns

relatórios.

- Minha mãe me deu uma bronca por fazer você trabalhar

tanto. E ela tem razão. É hora de você diminuir o ritmo.

Todos nós precisamos de descanso. - Agora vá, troque de

roupa e esteja na piscina daqui a dez minutos. Parece

estar tão cansada quanto eu; um pouco de ar puro e

exercícios serão ótimos para nós dois. - Ele a conduziu

até a escada, e Lizzy parou de discutir.

Quando chegou à piscina, Darcy já estava na água, de

costas para ela. Sentindo sua presença, virou-se e a

contemplou com um olhar enigmático, Elizabeth sustentou o

olhar se perguntando o que ele estava pensando. O sol

agora não estava tão forte e ao entrar na água, respirou

fundo e fechou os olhos aproveitando a sensação de

relaxamento e deixou-se flutuar sobre a água.

- Preguiçosa - Darcy censurou, aparecendo ao seu lado. -É só

isso que vai fazer a tarde toda?

- Talvez - respondeu ela, sem abrir os olhos tentando não

ficar tonta com toda aquela proximidade.

Sentiu Darcy flutuando muito perto, e o braço dele tocar no

seu. Uma espécie de corrente elétrica atravessou seu corpo.

Abriu os olhos e tomou fôlego quando seus olhares se

encontraram; e os lábios dele tocaram os seus. Começou com um

beijo tímido, mas sentir as mãos dele percorrendo suas costas

foi como um convite para abrir a boca e ser bem vinda num

quente, preguiçoso e molhado beijo. Suas línguas duelavam

suavemente sentindo o gosto, a textura e o poder que aquela

combinação exercia neles. Seus seios estavam pressionados

contra o peito de Darcy e suas mãos aventuravam-se em seus

cabelos.

Darcy trouxe seu quadril mais junto do seu e ela pode sentir

o tamanho do desejo dele. Era tentador e parecia

devastadoramente quente entregar-se a ele, mas ela não seria

mais uma em sua lista, ela não era qualquer uma. Elizabeth

recuou bruscamente, virando-se para nadar até a borda.

Depois, saiu da água tentando caminhar, precisava se acalmar

e precisava acima de tudo de um pouco de ar e força nas

pernas.

Darcy conseguiu segurá-la, obrigando-a a encará-lo. O sol o

iluminava, deixando-o mais divino. Seus cílios, cabelo,

lábios... Tudo nele brilhava. Ela observou a água que

escorria de seus cabelos e caia em seu peito para rolar

mais abaixo.

- Não, William... – Sua voz era um fio mas ainda assim,

determinada.

- Há dias que eu estou querendo fazer isso. – Sua voz era

baixa como se contasse um segredo.

“Transformar-me em mais uma, levar para cama mais uma

mulher ao seu redor e trair Jane...” Elizabeth não poderia

deixar de se ver como um objeto a ser possuído. Esse com

certeza, era o homem mais egoísta que já conheceu. Os

olhos dela estavam cheios de lágrimas, quando o afastou,

furiosa.

- Você é mesmo um bastardo! Jane é minha amiga. . .

- Não queria que isto acontecesse, não pretendia beijá-la,

mas quando você olhou para mim... - Fez uma pausa. - Estou

tão cansado por causa da viagem, que não pude evitar.

- Faz isso com todas as mulheres que encontra? Meu Deus,

se eu fosse bonita como Jane, talvez compreendesse o seu

impulso repentino. – Elizabeth viu o olhar de choque em

Darcy e achou repulsivo que ele fosse tão cínico - Como

é, não vai me dizer que me acha irresistível? Ora, não sou

tão idiota assim! - Seu rosto ardia de raiva.

- Detesto que tomem liberdade comigo!

- Você não é idiota; é doida varrida! - disse Darcy,

irritado. - Sei que já percebeu como eu me sinto, pois é

inteligente demais. . .

Lizzy estava desorientada. Olhou admirada para Darcy,

tentando encontrar algum indício de verdade nisso tudo.

“Sobre o que ele estava falando, afinal?”

- Tenho que lhe pedir desculpas por ter me apaixonado por

você? Não posso, sou realista.

- Mas como pode ser?! - protestou ela. – Quando isso

começou?! Não está acontecendo!! – Lizzy estava desorientada.

- Já aconteceu, e não há nada que eu possa ou queira fazer

para mudar isso.

- Mas não sou bonita como Jane. Eu...

- Mesmo que você fosse tão feia que tivesse que andar com um

saco na cabeça, eu ainda ia querer estar ao seu lado o tempo

todo – Darcy interrompeu-a com um súbito sorriso. Bonita?

Não, meu amor, você é linda. Amo seu modo de pensar, sua

perspicácia e rapidez, o senso de humor, e a sua maneira de

encarar as coisas. Fiquei noivo de Jane num impulso maluco.

Queria uma esposa. Ela era bonita, bondosa e doce, não

parecia ter nenhum defeito. Assim me decidi precipitadamente,

e todo mundo pareceu ficar feliz. Minha mãe aceitou

encantada, Georgiana gostou dela, tudo estava perfeito. - Ele

desviou o rosto com tristeza. - Até que conheci você e me

apaixonei, então compreendi que tinha cometido um erro

terrível.

Elizabeth ficou chocada. Foi cambaleante até uma das

espreguiçadeiras. Darcy sentou-se a seu lado.

- Como ia saber que a encontraria cinco minutos depois de ter

ficado noivo? Mas se eu não tivesse pedido Jane em casamento,

nunca teria conhecido você. . . É essa a ironia da história.

Num minuto estava me sentindo feliz com a vida, porque tinha

uma noiva exatamente como eu queria, no outro aconteceu

aquela nossa briga na boate, e comecei a me apaixonar por

você. Senti vontade de quebrar tudo, quando você me olhou

como se eu fosse um marginal. Tentei me convencer que não

ligava a mínima para você, mas sabia que isso era mentira.

Elizabeth parou de tremer, e respirou fundo.

- É melhor eu ir embora. Vamos fazer de conta que esta

discussão nunca aconteceu, e vou procurar outro emprego -

disse tentando parecer calma. - Você não pode desistir do

casamento agora, magoaria Jane demais.

- Será muito pior se me casar com ela amando você.

- Jane não deve saber.

- Está falando sério?

- O amor não dura para sempre, você vai me esquecer algum

dia.

- Acho que me apaixonei no minuto em que a vi pela primeira

vez...

- Nessa ocasião você nem tomou conhecimento de mim. Nos

conhecemos em Nova York no último outono.. .

Darcy pareceu ficar confuso.

- No último outono? É mesmo? Quando?

- Não fomos apresentados. Você, na verdade, nem olhou duas

vezes para mim, me deu às costas.

- Isso não altera nada. Elizabeth, eu te amo agora - falou

irritado. - Não posso me casar com Jane. Ela é boa demais

para mim. Estaria realmente enganando-a se insistisse no

casamento. Foi minha culpa ter ficado noivo sem sentir nada

por ela. Gostava de estar a seu lado e pensei que pudesse

fazê-la feliz, era tudo o que importava. Como eu poderia

adivinhar que iria encontrá-la no momento seguinte?

- Não diga isso! - gritou Lizzy, levantando-se.

Darcy também se levantou e a segurou, abraçando-a. Seus

corpos estremeceram com a proximidade.

- Agora sou uma pessoa diferente - continuou ele. Antes de

conhecê-la nada me incomodava, tudo era calmo e comum. Ia

para o escritório todas as manhãs, participava de reuniões,

tratava de negócios com minha secretária, lia os meus jornais

e almoçava com quem quer que estivesse comigo. Depois voltava

ao escritório e trabalhava mais. A noite ia para casa, tomava

um banho, e saía para jantar. Teatros, salas de reuniões,

aviões para os Nova York, Austrália ou Paris. O dia todo

ocupado, e todos os dias a mesma coisa. Vivia completamente

satisfeito. A única falha era que nunca tinha pensado em

casamento, e resolvi fazer alguma coisa a respeito. Prometi a

minha mãe que lhe daria netos. Parecia bastante simples.

Procuraria uma boa moça, me casaria com ela e continuaria a

viver como sempre.

- Aí encontrei Jane e pensei, ela servirá. – continuou Darcy,

e encostou o queixo nos cabelos molhados de Lizzy. - Foi bemfeito,

por ser tão arrogante e estúpido. Não me importei

muito com os sentimentos de Jane, só achei que ela era

adequada, que serviria. Eu sou rico, e posso comprar o que

quiser. Mereço estar nessa situação agora.

- Eu não discuto isso. - disse Lizzy com voz rouca. Estava

ansiosa por abraçá-lo e lhe acariciar o rosto.

- Quando você ri ou sorri, me deixa muito feliz. Acho que

descobri que a amava quando estávamos jogando super-nintendo,

outro dia. Queria tanto que aquele domingo não terminasse.

Enquanto estava viajando, contava as horas para lhe telefonar

de novo, queria ouvi-la. Só assim não ficava tentado a tomar

um avião e abandonar todas as negociações. Até prejudiquei os

meus planos atuais, e nem sei o que teria feito mais, se não

falasse com você todos os dias.

Ele a abraçou com mais força.

- William, não faça isso - Lizzy murmurou.- Não vai adiantar

nada. Você é noivo de Jane, e ela nem imagina seus

sentimentos. E mesmo que rompesse o compromisso, não poderia

me casar com você de modo algum. Jane jamais me perdoaria e

eu me sentiria culpada por ter-lhe roubado você.

- Como roubar uma coisa que nunca foi dela? Eu não a amo.

- Ela não sabe disso. Pensa que você a ama. . . e está

loucamente apaixonada por você. – Darcy empalideceu e ficou

tenso. - Jane ficaria tão magoada...

Continuou Lizzy, triste:

- Não gostaria de fazer isso com ela, William. Não sou esse

tipo de pessoa. Minha consciência nunca me deixaria em paz, e

nós não seríamos felizes.

- Lizzy! - murmurou ele, de modo suplicante.

- Solte-me Sr.Darcy, e não me chame de Lizzy! - pediu ela,

procurando se controlar. Aquele contato físico era uma

tortura, e Elizabeth não conseguia aguentar por muito tempo.

Ele a olhou em silêncio durante algum tempo, seus dedos

enterrados na pele macia de seu queixo.

- Preciso ir - ela sussurrou

- Ainda não. - Darcy beijou-a de novo.

- Não, William, não!

Ele então a soltou, respirando com dificuldade. Elizabeth

afastou-se com passos inseguros. Pareceu levar anos até

entrar na casa de novo. Darcy não a seguiu.

Depois de se trocar, ela encontrou Katarina e ficou sabendo

que a sra. Darcy estava dormindo.

- Pode lhe dar minhas lembranças, e avisar que tive que

voltar para Londres? - Lizzy pediu, simulando calma, e

Katarina concordou de má vontade.

Assustada, ela voltou para Londres mais depressa que o normal

com medo que Darcy pudesse alcançá-la. Não conseguia pensar

em mais nada a não ser nas palavras dele.

Elizabeth deu uma ultima olhada para Pemberley, entrou em seu

carro e saiu pelos portões.

Ao pegar a via expressa para Londres uma musica não saia de

sua cabeça e ela cantava e chorava ao mesmo tempo.

The path that I'm walking

I must go alone

I must take the baby steps until I'm full grown

Fairytales don't always have a happy ending, do they

And I foresee the dark ahead if I stay …..

…… And I'm gonna miss you like a child misses their blanket

But Ive got to get a move on with my life

Its time to be a big girl now

And big girls don't cry

Don't cry

Don't cry

Don't cry

Fim do Capitulo X

Musica, letra e tradução inspiradora deste Capitulo.

http://www.youtube.com/watch?v=8udje9aHsZw

Black Eyed Peas - Big Girls Don't Cry

Da Da Da Da

The smell of your skin lingers on me now

Your probably on your flight back to your home town

I need some shelter of my own protection baby

To be with myself and center, clarity

Peace, Serenity

[CHORUS]

I hope you know, I hope you know

That this has nothing to do with you

It's personal, Myself and I

We've got some straightenin' out to do

And I'm gonna miss you like a child misses their blanket

But Ive got to get a move on with my life

Its time to be a big girl now

And big girls don't cry

Don't cry

Don't cry

Don't cry

The path that I'm walking

I must go alone

I must take the baby steps until I'm full grown

Fairytales don't always have a happy ending, do they

And I foresee the dark ahead if I stay

[CHORUS]

I hope you know, I hope you know

That this has nothing to with you

It's personal, Myself and I

We've got some straightenin' out to do

And I'm gonna miss you like a child misses their blanket

But I've got to get a move on with my life

Its time to be a big girl now

And big girls don't cry

Like the little school mate in the school yard

We'll play jacks and uno cards

Ill be your best friend and you'll be mine

Valentine

Yes you can hold my hand if u want to

Cause I want to hold yours too

Well be playmates and lovers and share our secret worlds

But its time for me to go home

Its getting late, dark outside

I need to be with myself and center, clarity

Peace, Serenity

[CHORUS]

I hope you know, I hope you know

That this has nothing to do with you

It's personal, Myself and I

We've got some straightenin' out to do

And I'm gonna miss you like a child misses their blanket

But I've got to get a move on with my life

Its time to be a big girl now

And big girls don't cry

Don't cry

Don't cry

Don't cry

La Da Da Da Da Da

Fergie - Big Girls Don't Cry - Tradução

(Grandes Garotas Não Choram)

da da da da...

O cheiro da sua pele persiste em mim agora

Você provavelmente está no seu vôo voltando pra sua cidade

Eu preciso de algum abrigo pra minha própria proteção, baby

Estar comigo mesma no centro, claridade, paz, serenidade...

Eu espero que você saiba, eu espero que você saiba

Que isso não tem nada a ver com você

Isso é pessoal, sobre mim mesma e eu

Sempre temos algumas coisas a ajeitar

E eu sentirei sua falta como uma criança sente de seu cobertor

Mas eu tenho que ir adiante com a minha vida

É hora de ser uma garota grande agora

E garotas grandes não choram

Não choram, não choram, não choram

Pelo caminho que estou seguindo, eu devo seguir sozinha

Devo engatinhar até ter crescido finalmente

Contos de fada nem sempre têm finais felizes

E eu só encontrarei a escuridão se ficar.

Eu espero que você saiba, eu espero que você saiba

Que isso não tem nada a ver com você

Isso é pessoal, sobre mim mesma e eu

Sempre temos algumas coisas a ajeitar

E eu sentirei sua falta como uma criança sente de seu cobertor

Mas eu tenho que ir adiante com a minha vida

É hora de ser uma garota grande agora

E garotas grandes não choram

Como coleguinhas de escola na hora do intervalo

Nós jogaremos cartas e trocaremos figurinhas

Eu serei sua melhor amiga

E você será o meu amor

Sim, você pode segurar minha mão se quiser

Porque quero segurar a sua também

Nós seremos parceiros e namorados e dividiremos nossos maiores segredos

Mas está na hora de eu ir pra casa

Está ficando tarde, está escuro lá fora

E eu preciso estar comigo mesma no centro, claridade, paz, serenidade...

Eu espero que você saiba, eu espero que você saiba

Que isso não tem nada a ver com você

Isso é pessoal, sobre mim mesma e eu

Sempre temos algumas coisas a ajeitar

E eu sentirei sua falta como uma criança sente de seu cobertor

Mas eu tenho que ir adiante com a minha vida

É hora de ser uma garota grande agora

E garotas grandes não choram

Não choram, não choram, não choram

da da da da da da...

 

ficou acordado fazendo amor com Jane?", pensou.

 

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