Citações

Há pessoas que por mais que se faça por elas, menos fazem por si mesmas. (Jane Austen)

Quando o Amor Acontece - Capítulo IX

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 CAPÍTULO IX

Elizabeth foi trabalhar com uma forte dor de cabeça, no dia

seguinte, e ainda teve que suportar a tediosa reunião num

estado permanente de tensão. Cansada, seguiu depois para a

sua sala, debruçando a cabeça sobre a mesa e pressionando as

têmporas para aliviar a dor.

- O que houve? - perguntou Darcy preocupado.

- Estou com enxaqueca. Não consigo raciocinar, não consigo

abrir os olhos.

- Vem comigo, vou te levar pra casa. Eu tenho isso de vez em

quando. - Darcy segurou-a pelo braço e ajudou-a a levantarse.

No estacionamento, até o som de seus passos pareciam ecoar

dentro de sua cabeça. Elizabeth gemeu antes de entrar no

carro, recostou a cabeça no banco traseiro e fechou os olhos.

Darcy a levou até seu apartamento e, assim que entraram,

acomodou-a em seu quarto. Depois trouxe-lhe um copo dágua e

comprimidos para enxaqueca.

- Tome isto - ordenou.

Ela tomou os comprimidos e se deitou de novo. Preocupado,

Darcy cobriu-a com um edredon e fechou as cortinas.

- Vou voltar ao escritório. Não se preocupe com o trabalho,

apenas durma. Se não estiver bem até amanhã, não precisa

ir... - murmurou ele.

Elizabeth suspirou de alívio.

- Obrigada - disse, baixinho. Era difícil falar, impossível

pensar!

Darcy sentou-se na beirada da cama e acariciou de leve os

seus cabelos.

- Sinto muito - disse, antes de beijar-lhe os lábios com

delicadeza e ir embora.

Quando Elizabeth ouviu a porta se fechar deixou as lágrimas

escorrerem livremente pelo rosto, até que adormeceu.

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*Absence Of Fear*

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Elizabeth só foi acordar bem mais tarde, e levou algum tempo

até saber onde estava. Então levantou-se e acendeu a luz.

Eram nove horas da noite. Darcy a tinha deixado em casa por

volta das duas, havia dormido bastante. Tomou um banho,

vestiu um roupão branco e foi preparar um pouco de chá.

Estava sentada diante do televisor, com a xícara de chá na

mão, quando o telefone tocou.

- Lizzy?

- Jane? Onde você está?

- Em meu apartamento. Cheguei hoje.

- Como foi o teste? - Elizabeth não conseguia distinguir se

Jane estava alegre ou deprimida. Sua voz não revelava nada, e

ela não queria perguntar diretamente à amiga se tinha

conseguido o papel.

- Foi de abalar os nervos, mas ainda não sei o resultado,

disseram que me avisariam.

- Então, ainda há possibilidades?

- Meu empresário disse que talvez tenha que voltar para fazer

outros testes, se eles gostarem do primeiro. Vim porque tenho

um compromisso de trabalho em Londres, amanhã, mas vou

retornar logo. É importante que eu esteja lá, caso eles

precisem de mim.

Do modo mais natural que conseguiu, perguntou:

- Você já viu Darcy?

- Ele não estava no escritório quando telefonei. Cheguei há

duas horas, e estou cansada da viagem.

Parece que faz cem anos que saí de lá. A secretária dele me

disse que ia tentar lhe dar o recado. Ele saiu para jantar

com um político, e parece que não vai voltar tão cedo.

Elizabeth, posso ir até aí para tomar um café? Estou tão

agitada. Eu não queria vir, tenho medo de perder minha

oportunidade se não estiver lá, mas meu empresário me

aconselhou a fazer o trabalho de amanhã. Não posso ficar aqui

sentada sozinha, preciso conversar com alguém!

- Então, considere-se minha convidada - disse Elizabeth,

mesmo não desejando vê-la. Jane tinha uma especial

desconsideração pela vontade dos outros. Por que será que

nunca se deu conta disso?

Elizabeth desligou o telefone, arrumou a sala e fez um pouco

de café. Estava tudo em ordem quando Jane chegou.

- Lizzy !! Estou tão feliz em vê-la, foi muita bondade sua me

receber.

Foram para a sala e serviram-se de um pouco de café.

- Como está se saindo com William? Você não lhe contou sobre

o meu teste, não é? - Jane dirigiu-lhe um sorriso confiante,

certa de que ela havia cumprido a sua promessa. - Telefonei

para ele todas as noites. Deu para perceber que ele não sabia

de nada.

Lizzy estava num daqueles estados serenos que vêm depois da

enxaqueca, quando nada parece incomodar.

- Achei engraçado quando desembarquei aqui e vi tantas

pessoas brancas iguais a velas, todos na Califórnia são tão

bronzeados! Nas praias a gente vê homens com portes atléticos

maravilhosos, como os californianos gostam de se manter em

forma! William fica tanto tempo no escritório, preciso

convencê-lo a tomar um pouco de ar puro. Poderíamos nos

divertir tanto lá. A maior parte de seus negócios é de lá,

mas quando vai aos Estados Unidos, não sai de Nova Yorque,

onde o clima não é bom. Eu gosto de ir à praia.

- Com todos aqueles homens magníficos? – “Acho que minha

- Não seja maliciosa. Se você os visse, Elizabeth. . .

aqueles músculos fortes e peles douradas. . . É fantástico!

Se conseguir esse papel, vou ter que passar muito tempo por

lá. Todo mundo vive na Califórnia!

- Todo mundo? – “ Aí meu Deus eu não devia ter saído da cama”

- As pessoas importantes - Jane acrescentou. - Não há nenhum

motivo para que William não possa passar boa parte do ano lá.

- Você já lhe sugeriu isso? - disse Lizzy, e Jane olhou-a

pesarosa.

- Claro que não, nunca mencionei isso. Se eu perder esse

papel, também não terá sentido.

- Desculpe, foi bobagem minha. Mas Jane, se não conseguir

passar no teste o que você vai fazer?

A amiga encolheu os ombros.

- Vou me casar e ter filhos, acho. . É isso o que William

quer. Se não conseguir trabalhar no cinema, acho que também

vou desistir de ser modelo, e começar uma família

imediatamente.

Ao observá-la bem, Elizabeth concluiu que, de fato, seria uma

pena se ela perdesse essa oportunidade.

- Oh, Lizzy, você acha mesmo? Confesso que vou morrer se

perder esse papel!

- Eu duvido, Jane!

- Oh, você não entenderia... Eu sei que isso será bom para

mim. Aliás, tenho absoluta certeza!

- Bem, espero que consiga o que deseja.

- Charllote pensa que estou louca - confidenciou Jane de

repente. - Ela também não compreende. Escolheria sempre um

homem em lugar de uma carreira. Você não é tão tola assim.

Não tenho razão, Lizzy? Quero dizer, eu não sou uma feminista

fanática. É claro que adoro os homens e não saberia viver sem

eles. Mas me sentiria sufocada se tivesse que viver como

Charllote. Richard é bacana, e eu gosto muito dele, mas seria

horrível ficar presa o dia todo naquela casa, fazendo compras

e cuidando das crianças. – Jane parecia muito eufórica,

inclinada para a frente no sofá.

- Isso depende do que cada um pretende da vida - Lizzy

admitiu.

“Não podia censurar o raciocínio de Jane, se era uma carreira

que ela realmente queria, quem poderia criticá-la?”

- Mas, e quanto a Darcy? – insistiu Lizzy.

- Eu sei... Estou dividida ao meio, Lizzy, e esta sensação é

horrível. Fico muito perturbada sempre que penso em lhe

contar que quero trabalhar no cinema. Tenho certeza de que

isso iria chocá-lo. Prefiro morrer a partir seu coração,

porque sou louca por ele. Mesmo que não tivesse um tostão, eu

ainda ia querer ser sua esposa. O dinheiro não significa nada

para mim, é William que quero. Mas será que amar é ter que

renunciar a tudo mais? Quero dizer, ele não vai sequer pensar

em desistir de sua própria carreira por minha causa, vai? Já

imaginou isso? Seria tão engraçado. ..

"Jane deve mesmo trabalhar em filmes", Lizzy pensou. "Ela

parece ter nascido para isso."

A campainha da porta tocou inesperadamente e Elizabeth

sobressaltou-se.

- Quem será a esta hora da noite? - Ela olhou para o relógio

indo atender a porta.

Eram mais de onze horas.

- Oh, Darcy! – Disse Lizzy alarmada, dando espaço pra que ele

visse Jane na sala.

- Vim saber se você estava precisando de alguma coisa, e...

- William! – Jane correu até a porta – Então você recebeu meu

recado para vir me buscar aqui. Que bom ! Seria difícil

conseguir um táxi para voltar para casa tão tarde. E não

queria que Lizzy saísse no meio da noite para me levar.

Elizabeth, virou-se e foi recolher a bandeja de café,

tentando esconder seu embaraço.

- Oh, como senti a sua falta... – Jane disse.

Nesse instante Elizabeth viu os dois abraçados. Darcy olhou

para ela e afastou a noiva bruscamente com as duas mãos.

- Despeça-se de Elizabeth e vamos embora.

- Não seja rude, William - protestou Jane, fingindo-se

ofendida. - Venha cumprimentá-la. Só porque trabalha para

você não há razão para tratá-la desse jeito?

Elizabeth bateu o açucareiro na bandeja, e Jane puxou Darcy

para dentro da sala.

- Nós estávamos tomando café. .. Ainda tem Elizabeth? Oh,

você já recolheu as xícaras. .. Bem, não tem importância.

Darcy tirou a bandeja das mãos de Lizzy, e caminhou para a

cozinha, perguntando baixinho:

- Como vai a cabeça?

-Muito bem, obrigada.

- Ótimo!

- Você fez Lizzy ficar com dor de cabeça, seu explorador? -

Jane perguntou de repente. - Mas como é malvado! Não pode ser

cruel com ela, porque é a minha melhor amiga, a mais antiga.

- Obrigada - disse Lizzy, sentindo-se mais velha do que

qualquer outra pessoa no mundo. - Costumo ter enxaquecas de

vez em quando, isso é tudo. Não teve nada a ver com o

trabalho.

- Teve, sim - Darcy disse. - Você tem trabalhado demais. Não

devia tê-la forçado tanto.

- Você não fez isso. É o meu próprio ritmo.

- Mesmo assim, procure diminuí-lo. Estava muito abatida hoje.

Fiquei preocupado.

- Oh, ele não é mesmo um amor? – Jane falou sorrindo.- Não

acha que fui esperta em encontrar Lizzy para você?

- Demais - concordou ele. Neste instante Jane levantou-se

para beijá-lo.

- Jane, já são mais de onze horas, é melhor irmos andando. -

Darcy parecia estar pouco à vontade.

- Antes, preciso ir ao toilete. Mas não vou demorar, querido.

Lizzy, você não tem alguma bebida para dar a esse monstro? -

E saiu da sala sem esperar por uma resposta.

- Tenho um pouco de uísque.

- Já bebi demais esta noite - informou Darcy. - Saí para

jantar com um dos sujeitos muitos chatos e a bebida foi a

única escapatória.

Elizabeth riu, enquanto Darcy a observava de maneira

sedutora. Teve vontade de lhe pedir que não fizesse isso, que

não a olhasse daquele jeito, mas calou-se.

- Passei uma noite infernal - prosseguiu Darcy. - Fiquei

pensando o tempo todo em você, em como poderia estar, no que

poderia precisar. No restaurante não conseguia reprimir os

bocejos, enquanto aquele idiota falava sem parar. Teria dado

qualquer coisa para estar jogando uma partida de xadrez

com...

- Com um dos mestres, em sua casa - concluiu ela no tom mais

calmo que conseguiu.

Darcy sorriu, triste.

- Claro! - Fez uma pausa. - Você dormiu bem?

- Durante sete horas.

- Meu Deus! Devia estar morta de cansaço! Você não pode se

deixar abater desse jeito.

- Nós nem sempre fazemos o que queremos - disse Elizabeth,

com naturalidade.

Darcy olhou-a com uma expressão séria e penetrante.

- Não- concordou.

Jane voltou, tinha retocado a maquiagem e penteado os

cabelos. Estava como sempre muito bonita.

- Querida, você é um amor. Foi uma noite muito gostosa.

Garanto que William prefere que eu me encontre com você do

que com algum homem maravilhoso, não é mesmo, querido?

- De fato.

- Precisamos dar outra festa muito em breve, uma reunião

íntima. E temos que encontrar alguém para Lizzy.

Ela ficou indignada, mas, antes que pudesse explodir, Darcy

conduziu Jane para fora da sala, quase empurrando-a.

- Boa noite! - disse, conciso.

Lizzy conteve-se para não bater a porta nas costas deles.

Voltou para a sala e pegou uma das almofadas onde Jane

estivera encostada. Ainda conservava o formato de seu corpo.

Ela a atirou no chão.

"Encontrar um homem para mim. . . Mas que atrevimento!"

Elizabeth não conseguiu dormir. Ficou imaginando se Jane e

Darcy estariam na casa dele, em sua cama. Para onde mais

iriam àquela hora da noite? Sentiu ciúmes e esmurrou o

travesseiro, furiosa consigo mesma.

Fim do capítulo IX

Letra E Tradução Da Música Que Deu Inspiração A Este

Capítulo.

* Absence Of Fear *

Inside my skin there is this space

It twists and turns

It bleeds and aches

Inside my heart there's an empty room

It's waiting for lightning

It's waiting for you

And I am wanting

And I am needing you here

Inside the absence of fear

Muscle and sinew

Velvet and stone

This vessel is haunted

It creaks and moans

My bones call to you

In their separate skin

I make myself translucent

T o let you in, for I am wanting

And I am needing you here

Inside the absence of fear

There is this hunger

This restlessness inside of me

And it knows that you're no stranger

You're my gravity

My hands will adore you through all darkness aim

They will lay you out in moonlight

And reinvent your name

For I am wanting you

And I am needing you here

I need you near

Inside the absence of fear

Jewel - Absence Of Fear (tradução)

Ausência do medo

Dentro da minha pele há este espaço

ela desvia-se e muda

ela sangra e dói

dentro do meu coração há uma sala vazia

ela está esperando por iluminação

ela está esperando por você

e eu estou querendo

e precisando de você aqui

dentro da ausência do medo

músculo e tendão

veludo e pedra

este barco é mal-assombrado

ele range e geme

meus ossos chamam por você

na pele separada deles

eu me faço translúcida

para deixar você entrar, pois...

eu estou querendo

e precisando de você aqui

dentro da ausência do medo

há esta ânsia

esta inquietação dentro de mim

e ela sabe que você não é um estranho

você é a minha gravidade

minhas mãos adorarão você durante todos os propósitos

obscuros

e elas te deitarão ao luar

e reinventarão o seu nome

porque eu estou sentindo a sua falta

e eu estou precisando de você aqui

eu preciso de você por perto

dentro da ausência do medo.

 

 

enxaqueca vai voltar.” Pensou Lizzy.

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