Citações

Dinheiro não pode comprar felicidade. Acima do necessário, não traz satisfação verdadeira.(Jane Austen)

Quando o Amor Acontece - Capítulo V

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 CAPÍTULO V

Elizabeth não teve outra alternativa senão telefonar para Darcy,

aceitando o emprego.

- Ótimo! Pode começar na próxima segunda-feira? - perguntou ele, de

maneira indiferente.

- Sim - respondeu ela no mesmo tom.

- Minha assistente anterior deixou tudo em desordem; há uma série de

coisas a serem feitas. Pode estar aqui às nove horas?

- Sim.

- Passe no escritório central para preparar seu contrato esta semana.

- Marcarei uma hora.

- Você é uma garota extraordinária! - Darcy disse rindo e então desligou.

Na sexta-feira o contrato estava pronto para ser assinado.

Wickham convidou-a para sair na noite de sábado. Era a segunda vez que se

viam naquela semana, e a sra. Gardiner começava a ficar curiosa.

- Por que não o convida para jantar aqui qualquer dia? - sua tia sugeriu.

- O que está planejando? Quer lhe perguntar sobre as suas intenções? Ora

vamos, titia, só porque saímos duas vezes esta semana, isso não significa

nada!

- Eu gosto de conhecer seus amigos!

- Você não me engana. Sei que é uma senhora romântica. Sem fazer caso do

comentário da sobrinha a sra. Gardiner estudou-a,com um brilho especial

nos olhos.

- Você está muito bonita - falou, enquanto Lizzy lhe dava um beijo.

- Eu sei como estou.

- Não se subestime. Sua mãe não devia tê-la deixado tão sozinha. Você é

distante demais. Não sabe o que está perdendo.

- Céus, Jorge não é o meu primeiro namorado! Eu me diverti muito em Nova

York.

Dançando com Wickham à noite, pensou em levá-lo para conhecer a sua tia.

Ele era um dos homens mais simpáticos que tinha conhecido.

A essa altura, Elizabeth já sabia que ele fora casado dez anos antes, mas

sua esposa morrera de uma estranha moléstia tropical que contraíra na

índia, durante uma viagem de férias. Wickham se sentira culpado durante

anos, por isso não quis se casar de novo.

- Agora está tudo superado? - ela lhe perguntou, observando-o com

simpatia.

- Às vezes parece que isso aconteceu com outra pessoa; mesmo me

lembrando, não consigo sentir a mesma coisa. Graças a Deus, passou. Foi

uma época penosa demais. Eu não conseguia ver e nem ouvir nada. Acho que

levei uns dois anos para começar a viver de novo.

A boate estava na penumbra. Quase não se distinguiam as pessoas que

estavam nas outras mesas. Uma música suave e envolvente vibrava no

pequeno salão quando Wickham puxou-a de encontro a seu corpo forte e

atraente, enquanto dançavam.

- Gosto de seu perfume. . . Como se chama?

- Patou. Ganhei de presente no meu último aniversário. Mas eu o tenho

usado muito pouco, só em ocasiões especiais.

- Fico contente que esta noite seja especial para você murmurou ele

encostando o rosto no dela.

Eles dançaram em silêncio durante algum tempo, Lizzy estava com os olhos

semicerrados, quando avistou um casal a pouca distância deles. Surpresa,

constatou que eram William Darcy e Caroline Snake.

Ao vê-la, Darcy demonstrou um certo espanto.

Elizabeth, por sua vez, ficou gelada, sentindo muita raiva. O que Darcy

fazia não era de sua conta, mas ficou furiosa mesmo assim. Jane tinha

razão de se preocupar com Caroline.

Elizabeth olhou-os novamente quando a música parou, e então deixou que

Jorge a conduzisse de volta à mesa. Uma garrafa de champanhe gelado

aguardava por eles.

- Está se divertindo? - perguntou ele, e Lizzy assentiu, conseguindo

sorrir. A penumbra escondia seu olhar frio. Tomou um gole de champanhe

enquanto Wickham lhe falava sobre uma viagem que faria no mês seguinte à

América do Sul.

- Se você estiver com vontade de conhecer o Brasil... - ele a convidou,

afetuoso.

- Até lá eu já estarei trabalhando, tenho uma amiga chamada Andreia que

mora lá no Rio de Janeiro, é uma pena mas obrigada assim mesmo. - Estava

achando difícil se concentrar no que Wickham estava dizendo. Não

conseguia pensar em outra coisa a não ser em William Darcy e Caroline

Snake. Jane estava fora há apenas um dia. Darcy não perdia tempo!

- No Austen Bank? - quis saber Wickham.

- Não, vou trabalhar para William Darcy - informou, carregada de tensão,

e Wickham, percebendo, a olhou admirado.

- É mesmo? E qual será sua função?

- Vou ocupar a vaga deixada por Caroline. - Dito isto, Lizzy olhou em

volta do salão à procura dela e de Darcy.

- Puxa! Quando isso ficou decidido?

- Oficialmente, ontem, assim que assinei o contrato. Mas o sr. Darcy me

ofereceu o emprego na segunda-feira passada.

Wickham recostou-se na cadeira, estudando-a por um momento, com a taça de

champanhe equilibrada na palma da mão.

- Espero que saiba o que está fazendo, Elizabeth. Ouvi dizer que ele não

é um homem muito fácil de se trabalhar.

- A sua informante sabia o que estava dizendo, tenho certeza.

- Para falar a verdade, foi um homem - Wickham disse. Então colocou a

taça sobre a mesa e olhou para ela atenção. - Parece que você não gosta

muito dele!

Ela estava sentindo tanta raiva e desprezo por Darcy que precisou se

conter para não deixar Wickham chocado.

- Não! William Darcy é um. ..

- Boa noite. - Uma voz calma interrompeu-a, e ela ergueu os olhos.

- Oh, olá, Darcy! - disse Wickham, com voz um pouco tensa.- Eu não tinha

visto você. Acabou de chegar?

- Não, faz muito tempo que estou aqui.

Aonde estava Caroline? Estaria mal-humorada em algum canto escuro? Há

quanto tempo estavam dançando? Elizabeth pensou furiosa.

- Jane está com você? - Wickham perguntou, olhando em volta.

- Não, eu estou com um grupo de clientes. - Darcy olhou para Wickham e

depois para Elizabeth. - Vim convidá-la para dançar. – Elizabeth olhou

com raiva para a mão estendida à sua frente.

- Sinto muito, mas acabei de me sentar e estou cansada. - Darcy ficou

tenso, com um gesto brusco pegou-a pelo braço e,com um único puxão, a

colocou de pé.

- Preciso conversar com você - disse ele, apertando o seu pulso. - Com

licença, Wickham, ela voltará em um minuto.

Elizabeth não quis fazer uma cena em público, por isso resolveu segui-lo

até a pista. Darcy continuou segurando a sua mão enquanto dançavam.

- Está bem, você me viu com Caroline. Mas não vai sair correndo para

contar a Jane, porque o fato tem uma explicação.

- Então diga isso para ela.

- Deixe Jane fora dessa história. . .

- Claro que sim. - Elizabeth falou com desdém, e sentiu que ele apertava

sua mão até machucá-la.

- Eu não trouxe Caroline. Ela veio com um antigo cliente de Amsterdam.

Eles sempre saem juntos quando ele vem a Londres. Quando cheguei já

estavam aqui.

Elizabeth deixou escapar uma risada.

- Então, como não gosta mais dela, dançaram bem juntinhos!

- Escute, eu não tenho que lhe dar satisfação dos meus atos! - disse ele,

asperamente.

- E quem lhe pediu?

- Está me olhando como se eu tivesse cometido o maior dos pecados!

- Se não gosta de meu jeito de olhar a solução é fácil: rasgue o meu

contrato. Quer me levar de volta à minha mesa, por favor? Não estou me

divertindo, e acho que nem o senhor está.

- Eu, me divertindo? Deve estar brincando! Só quero a sua promessa de que

não vai comentar nada com Jane. Eu lhe disse a verdade. Caroline e meu

cliente holandês já se foram.

- Muito interessante!

- Céus, que diabos você pensa que é? - Darcy encarou-a furioso.

- Sou uma velha amiga de Jane! Vocês mal acabaram de ficar noivos e hoje

já está aqui com outra mulher... E não me diga que estavam falando sobre

negócios, porque eu não sou idiota..

- É sim! Está tirando conclusões precipitadas, só porque me viu dançando

com ela. Em todo caso, o problema não é da sua conta. Se for procurar

Jane com essa história, estará apenas criando problemas. Não pense que

vai fazer algum favor para sua amiga; só vai fazê-la sofrer!

A música terminou e eles se separaram. Confusa, Elizabeth caminhou para

sua mesa. Devia contar tudo a Jane, ou seria melhor cuidar apenas de si

mesma, e manter a boca fechada?

Wickham olhou-a curioso, quando ela se sentou.

- Você está bem? Daqui parecia que vocês estavam tendo a maior das

discussões. Achei que iam trocar uns tapas a qualquer momento.

- Falávamos sobre uma questão de princípios - explicou Lizzy. - Jorge,

estou cansada. . . Se incomodaria se fôssemos embora agora?

Ele consultou o relógio.

- É quase uma hora da manhã. . . como o tempo passou rápido! Claro, eu

vou chamar um táxi.

FIM DO CAPÍTULO V

 

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