Capitulo 2
O inverno chegou rigoroso, tornando a cidade gelada e Elizabeth andou
muito atarefada. Não tinha tempo sequer para ir ao teatro, quanto mais
para sair com frequência. Sua vida amorosa também estava um tanto
monótona. Havia namorado um Técnico em Informática,que não saia da frente
o micro, tinham um relacionamento a distancia morando no mesmo bairro.
Ele era bastante atraente e até muito animado quando iam a festas ou
saíam para jantar fora, mas não a impressionava. Depois de algum tempo,
Lizzy desistiu do namoro, solidão a dois era uma coisa insana.
As últimas nevascas já estavam se transformando em lama nas calçadas de
Nova York, quando Lizzy recebeu um telefonema no meio de uma noite fria.
Seu tio havia falecido em Londres. Ela seguiu para lá de avião na manhã
do dia seguinte, pensando que talvez tivesse que deixar os Estados Unidos
de vez. Não podia permitir que sua tia, a sra.Gardiner, vivesse sozinha
no outro lado do Atlântico.
Depois do funeral retornou a Nova York apenas para desligar-se do AUSTEN
BANK. Levou algum tempo até organizar suas coisas, despachá-las para a
Inglaterra e rescindir o contrato de locação de seu apartamento.
A primavera chegava com todo seu esplendor quando ela voltou para
Londres: o verde das árvores já estava começando a aparecer por toda
parte. Elizabeth pretendia morar provisoriamente com a tia.
A Sra. Gardiner parecia ter rejuvenescido durante os últimos anos;
demonstrava a vivacidade de uma criança, embora estivesse muito magra.
Somente seus cabelos prateados e sua pele enrugada demonstravam que ela
tinha quase setenta anos. Mas ainda se recusava a depender das pessoas e
vivia insistindo para que Lizzy voltasse para Nova York.
- Eu não sou uma inútil, sabe, querida? Não se preocupe comigo. Céus,
qualquer um pensaria que sou uma criança! - protestou.
- Não vou voltar para Nova York, a menos que a senhora vá comigo. . . Mas
eu sei que não deixaria esta casa. Portanto, não vamos começar a discutir
de novo, vamos? Estou com pressa, pois tenho que almoçar com Charllote.
Elas vinham discutindo há várias semanas. A sra. Gardiner podia ser
pequena e frágil, mas também era incrivelmente teimosa e nunca desistia
de uma luta. Lizzy, porém, tinha o seu sangue, e era também muito
obstinada.
- Dê lembranças minhas a Charllote e às crianças - a sra. Gardiner disse,
mal-humorada, antes dela sair para tomar o ônibus.
Era um belo dia de abril; o céu estava profundamente azul e, sob aquela
luz brilhante, Londres parecia outra. Durante o trajeto, Lizzy foi
pensando em como sua vida mudara. Mais cedo ou mais tarde teria que
procurar um emprego. Poderia ir para a filial londrina do Austen Bank, se
eles a aceitassem. Mas ela ocupara um cargo importante em Nova York,
recebendo por isso um salário muito bom, e talvez não conseguisse uma
oferta equivalente ali.
Lamentou de várias maneiras a súbita interrupção de sua carreira. Ela
gostava de trabalhar em Nova York e das pessoas com as quais convivera, e
ficara fascinada com a cidade. Se não fosse pela morte de seu tio, nem
teria pensado em voltar a Londres. Sabia, porém, que não podia discutir
nada disso com a sra. Gardiner, que simplesmente insistira para que ela
retornasse à vida anterior.
Apesar dos protestos da tia, Lizzy desconfiava que ela se sentia contente
com a volta da sobrinha. Só que não admitia isso. A sra. Gardiner era uma
mulher irritadiça e independente, mas mesmo assim Elizabeth queria estar
por perto caso ela precisasse de alguma coisa.
Quando tinha seis anos o pai de Elizabeth morreu e ela e a mãe foram
morar com os tios maternos. Ela passava o dia todo em companhia de sra.
Gardiner,enquanto sua mãe trabalhava.
Estava com quatorze anos quando sua mãe se casou de novo. Nunca se
entendeu bem com seu padrasto, que sempre foi indiferente para com ela,
provando isso definitivamente depois que a esposa deu à luz a três filhas
dele (Mary,Kitty e Lidya).
A família toda mudou-se para os Estados Unidos mais tarde, e lá Elizabeth
passou a se sentir como uma estranha no meio deles. Para compensar o
crescente isolamento que havia em casa, passava a maximo de tempo
possível na escola, mas estava preocupada e triste demais para fazer
amizades, além de ter saudades de sua terra natal, de seus tios e de
todas as coisas com as quais havia crescido.
Quando terminou os estudos voltou a Londres para viver com seus tios.
Conseguiu um emprego num banco e, embora não pretendesse fazer carreira,
aos vinte anos já era considerada uma excelente funcionária.
Logo que seu chefe foi transferido para a filial de Nova York, ele a
convidou para ir junto. Ela aceitou e ambos progrediram na firma,
ganhando várias promoções.
Elizabeth sentiria falta de John Collins; mesmo não havendo nada de
romântico entre eles, tinham sido bons amigos e confiavam um no outro.
Ele não era do tipo doméstico e tranquilo, estava decidido a ser uma peça
importante nos meios bancários internacionais.
- Você não pode estar falando sério! Está jogando fora uma carreira
maravilhosa! - protestara ele, quando ela se demitira.
Mas, embora sabendo que ele tinha razão, Lizzy não podia permitir que sua
tia ficasse sozinha em Londres.
O ônibus parou com um solavanco e ela se deu conta de que havia chegado
ao seu destino e desceu rapidamente.
A única amiga que lhe restava dos tempos de colégio era Charllote Lucas
(Agora Sra.Richard Fitzwilliam), cujos pais moravam defrente à casa dos
Gardiner. A moça se casara aos dezoito anos, e Elizabeth fora uma de suas
damas de honra; junto com a irmã mais nova da noiva, Jane Lucas. Já
naquela época, Lizzy tinha sentido as diferenças entre ela e as duas
amigas, pois se achava ridícula no papel que lhe fora confiado.
Ela era muito magra nessa época. Pálida, de cabelos lisos, olhos
arredondados e escuros, uma boca razoavel, e o nariz arrebitado. Seu
corpo se parecia com o de um rapaz; seios pequenos, os quadris estreitos
e pernas finas. Muito tímida, passava sempre despercebida, o que preferia
do que ser chamada de feiosa.
Charllote era miúda, meiga, tinha cabelos lisos compridos e um sorriso
lindo. Era bondosa, cordial e alegre, e, desde adolescente, muito
namoradeira. A sua autoconfiança atraía as pessoas, enquanto que a
franqueza de Elizabeth as afastava.
Elizabeth nunca se incomodou com a popularidade de Charllote; era a sua
melhor amiga e gostava muito dela. Mas Jane a aborrecia. Ela era linda e
Elizabeth sempre se sentia feia a seu lado, embora a moça não fosse má e
nem culpada de ser tão encantadora e atraente. Tinha belos cabelos
loiros, grandes olhos azuis e uma boca perfeita. Seu corpo era repleto de
curvas; os seios cheios e altos, a cintura fina, os quadris suavemente
arredondados e as pernas compridas e bem-feitas.
Quando menina, Charllote costumava chamar a irmã de Rosamund Pike. Mas,
apesar daquele temperamento alegre, meigo e cheio de vitalidade, Jane
também era espantosamente recatada. Se algum rapaz a convidava para sair,
pensando que mais cedo ou mais tarde a levaria para a cama, logo
descobria o quanto estava enganado, e até podia receber uns tapas. Os
pais a adoravam, e ela poderia ter crescido antipática e mimada, mas isso
não aconteceu. Aos vinte anos Jane era quase a mesma garota que fora aos
doze, apesar de ter sido manequim durante três anos. Talvez por isso,
Lizzy se achasse tão feia.
Foi exatamente isso que ela sentiu quando chegou e Jane abriu a porta da
casa de Charllote. Estava com uma calça branca de brim e uma blusa de
seda preta muito decotada. Dirigindo um sorriso radiante a Elizabeth,
falou:
- Olá, querida, como vai você? Há séculos que não a vejo.. . Você está
maravilhosa; tão bronzeada!
- Você também está linda! - disse Elizabeth com sinceridade. Ela ainda
não tinha visto Jane desde que voltara dos Estados Unidos. Só Charllote
fora ao funeral de seu tio. Há poucos dias, as duas amigas haviam
combinado por telefone um encontro. Charllote convidou Lizzy para
almoçar, mas não mencionou que a irmã estaria presente.
- Entre. Está todo mundo no jardim - disse Jane. Sinto muito por seu tio;
ele era um amor e eu gostava muito dele. Como está a sua tia?
- Ela sente falta dele, mas não quer demonstrar isso. Vai almoçar
conosco, Jane? Como vai seu trabalho de manequim? Continua tendo muito
sucesso? - perguntou Lizzy. Já sabia a resposta, pois vira naquela manhã
um retrato da moça na capa de uma revista feminina, e era óbvio que a
carreira dela ainda estava em ascensão.
- Tenho muita coisa para lhe contar - Jane respondeu sorrindo de maneira
encantadora. - Talvez eu faça um filme.
- Que maravilha! - Elizabeth murmurou, embora não tivesse ficado muito
surpresa. Jane sempre tivera muita sorte.
- Em Hollywood - acrescentou a amiga.
- Que tipo de filme?
- Um Classico de Jane Austen. Sabe aquele livro que é best-seller,
Orgulho & Preconceito? Ainda não está resolvido e não sei se consegui o
papel. O diretor fez testes com centenas de moças, mas meu empresário
disse que ele gostou muito de mim. - Jane parou no pequeno pátio da casa,
suspirou profundamente e olhou para Elizabeth. - Mas mesmo que me
ofereçam o papel, não sei ainda se aceitarei.
Nesse momento Charllote levantou-se da espreguiçadeira onde estava
tomando banho de sol, aproximou-se e abraçou Elizabeth com carinho.
- Você está com uma aparência muito melhor agora, querida. Como vai a
sra. Gardiner? Por que não a trouxe com você?
- Ela ainda não está muito bem e não tem disposição para conversar com as
pessoas, mas mandou lembranças e disse que espera que você vá visitá-la
com as crianças. - Elizabeth olhou para os filhos de Charllote e sorriu.
Estavam sentados na beirada do tanque de peixes, puxando pequenas redes
entre as folhas de lírio. - Como estão grandes! Eu não os estou
reconhecendo!
Charllote riu.
- Claro que não! Quando você esteve aqui pela última vez, Colin ainda era
bebê e Jeniffer estava começando a andar. - Charllote puxou a criança que
estava mais perto. - Cumprimente tia Elizabeth, Jeniffer.
A menina enfiou um dedo na boca, olhou para Lizzy, mas não falou nada.
Charllote levantou o garotinho, que também ficou calado, olhando para
ela.
- Eles sabem falar, embora você não acredite. Daqui a pouco verá que
tenho razão, vamos ter que implorar-lhes para se calar! - Charllote
concluiu.
- O sol está forte demais! - Jane comentou, abrindo o zíper da calça.
Elizabeth olhou surpresa para ela, que tirou a roupa e ficou só de
biquini. Seu corpo bronzeado tinha um brilho perfeito, quase dourado.
Deitou-se graciosamente numa das espreguiçadeiras e fechou os olhos.
Colin aproximou-se e ficou olhando.
- Venha me ajudar a preparar o almoço, Lizzy - disse Charllote. - Pensei
em fazer carne assada e salada. Está bem?
- Está ótimo! - respondeu ela, observando Colin, que mergulhava a sua
rede no tanque e espirrava água em Jane. Sem abrir os olhos, a moça
disse:
- Não faça isso, Colin. Seja um bom menino.- Se vocês não se comportarem
direito, eu vou guardar essas redes! - disse Charllote séria para o
menino, que então foi para o outro lado do tanque e continuou brincando.
As duas amigas entraram na casa, Charllote tinha engordado um pouco, e
seus cabelos, embora mais curtos, continuavam lisos e escuros.
- O casamento parece que lhe fez bem - disse Lizzy. Como está Richard?
Charllote sorriu.
- Está muito bem; mas anda ocupado demais na agência.
Ricahrd dirigia uma imobiliária em Hampstead, e pelo jeito devia estar se
saindo muito bem, a julgar pela casa elegante em que moravam. Ele era
quase dez anos mais velho que Charllote; um homem bem humorado,
observador, cheinho mas não gordo e muito simpático.
- Jane lhe contou as novidades? - perguntou Charllote, enquanto pegava
uma grande vasilha cheia de salada já preparada da geladeira.
- A respeito do filme? Sim, ela comentou comigo...
- Oh, não é isso - disse Charllote. - Sobre o seu noivado.
- Noivado? Ela? não mencionou nada. Quando foi que aconteceu? E quem é
ele?
Charllote riu.
- Não deixe a maionese desandar, está bem?
- Desculpe - disse Elizabeth, sorrindo, concentrando-se novamente no
trabalho de temperar a salada.
Charllote estava ao seu lado, cortando ovos cozidos e queijo, com
movimentos rápidos e eficientes, mas falando enquanto trabalhava.
- Ainda não é oficial. Eles vão comprar as alianças esta tarde, e o
noivado será anunciado no Times de amanhã.
- Parece que o felizardo tem dinheiro, não? - comentou Elizabeth, com um
sorriso travesso, e Charllote olhou-a de relance.
- Bote dinheiro nisso! Adivinhe com quem ela vai se casar? Você talvez o
conheça. Aliás, tenho certeza de que o nome dele lhe deve ser familiar.
- Eu não conheço muitos homens ricos, exceto os clientes de Nova York.
Ele é americano?
- Hum-hum.
- Céus! Mesmo assim, fica difícil. Você vai ter que me dizer, do
contrário vou passar toda a tarde tentando adivinhar.
- Desmancha-prazeres - disse Charllote, rindo. - É William Darcy! -
disse, triunfante, e não ficou decepcionada ao ver a expressão de espanto
de Elizabeth.
- William Darcy em pessoa?
- Existe algum outro?
- O William Darcy que dirige a Darcy Corporation International?
- Lizzy mal acreditava no que estava ouvindo. Já tinha passado o tempo em
que as coisas que Jane fazia a surpreendiam, mas essa notícia a deixou
sem fala. Tudo era possível para uma pessoa de sorte e linda como ela.
- Feche a boca, meu bem, você está com cara de pateta! - comentou
Charllote, dando uma gargalhada.
- Estou bestificada!
- Dá para se ver pela sua cara. Você o conhece? Achei que talvez o
conhecesse de Nova York. Jane falou sobre você com ele, mas William não
demonstrou que a conhecia.
- Não, ele não se lembraria de mim - Lizzy concordou secamente. Talvez se
lembrasse se tivesse permitido que John Collins a apresentasse. - Homens
como William Darcy não se relacionam com funcionários comuns de bancos. -
Como foi que Jane o conheceu?
- Numa festa no Havaí. Jane estava trabalhando de modelo lá, e alguém os
apresentou. Parece que foi amor à primeira vista. Não acha romântico? Foi
um namoro rápido. Ele a seguiu até Nova York e lhe propôs casamento,
depois de um mês. – Charllote lavou as mãos enquanto falava. - Eu mesma
não consigo acreditar, mas Jane aceitou logo. Ele é terrivelmente rico,
sabe?
- Sim. Jane fisgou um homem muito escorregadio. Centenas de outras já
tentaram fazer isso sem sucesso.
Elizabeth achou estranho que Jane não tivesse falado sobre seu noivado.
Comentara sobre o possível filme, mas não dissera uma só palavra sobre
William Darcy. Talvez achasse que ela já sabia.
Charllote pareceu ficar preocupada de repente.
- Você acha que ele não está levando isso a sério? Puxa, Jane ficaria tão
desapontada! Quando éramos crianças, eu costumava desejar que ela fizesse
alguma coisa desagradável.. só para provar que era humana, entende?
Puxava seus cabelos ou então a beliscava, esperando que fosse correndo
contar para os meus pais, mas ela nunca fez isso. Jane simplesmente ia
para um canto e chorava, fazendo com que eu me sentisse envergonhada. Era
de enlouquecer!
- Pobre Charlotte! Deve ter sido difícil conviver com ela.
- De fato. Eu comecei a sentir muita pena das irmãs mais velhas de
Cinderela desde então.
Charllote foi saindo da cozinha com uma bandeja, e Lizzy seguiu-a com
outra, sorrindo.
Jane continuava deitada na espreguiçadeira; estava tão distraída que nem
as notou.
- Chegou a comida - Charllote falou alto.
Ela se sentou, e as crianças rodearam a mesa.
- Não gosto de salada - resmungou Colin.
- Não encha a boca demais - a mãe disse com firmeza.
- Está parecendo um porquinho. Coma carne!
- Charllote me falou sobre o seu noivado. Jane - disse Lizzy. - Espero
que você seja muito feliz.
A moça lhe dirigiu um sorriso radiante.
- Oh, obrigada, Lizzy. Você é um doce. O que vai fazer agora que voltou
para Londres? Já conseguiu emprego?
- Ainda estou procurando - respondeu ela, evasivamente.
- Você vai morar com sua tia?
- Ela é independente demais para me querer ao seu lado o tempo todo.
Estou procurando um apartamento perto da casa dela. - Espetou um pedaço
de queijo e fitou-o com olhar pensativo.
- Acho que não é pedir muito... Um bom emprego e um apartamento.
Jane riu e disse:
- Quero que você venha à nossa festa de noivado. Sabia que William também
trabalha em banco? Hoje nós vamos ficar noivos. Ele vem me buscar às
três, para irmos escolher as alianças. Estamos planejando dar uma grande
festa no Savoy, com muitos convidados. Vou pedir a William que lhe
apresente algumas pessoas do seu meio, assim de repente você pode receber
uma oferta para um novo emprego.
- Obrigada - falou Elizabeth com certo constrangimento. Como sua tia, ela
era muito independente, e não gostava de ser ajudada.
Jane estudou-a pensativamente.
- William conhece todo mundo. Falarei com ele a seu respeito.
- Por favor, não faça isso - pediu Lizzy, lembrando-se da última vez em
que o vira.
- Não há nenhum problema. – Jane dirigiu-lhe um sorriso encantador, cega
à irritação de Lizzy. - Eu não entendo nada de assuntos bancários. Se
William me falar sobre o seu trabalho, eu não saberei o que dizer. Ele
não parece ligar muito para isso, e nem quer conversar sobre dinheiro
comigo.
Ela deu uma risadinha e Elizabeth fitou-a com um sorriso triste.
- Eu até tentei demonstrar interesse. Pensei que ele gostasse de falar de
seu trabalho, como a maioria dos homens. Eles geralmente pensam que as
mulheres são burras demais para entender de negócios. Mas William é
diferente.
Lizzy sorriu, pensando: "É mesmo? Não foi essa a impressão que tive
dele!"
- Sei que a maioria dos homens acha que as mulheres são burras -
continuou Jane. - Mas a assistente de William é mulher, e sei que ele
confia inteiramente nela. No início fiquei um pouco preocupada com isso.
Ela é muito atraente, e deu para perceber que não gostou de mim. Dirigiume
cada olhar frio! Tentei várias vezes fazer amizade, mas ela não quis
saber disso.
- Não deve se preocupar com ela. William vai se casar com
você. Se tivesse interesse nela, já a teria pedido em casamento.
- Lizzy tentou tranquilizá-la, mas ficou com a impressão de que poderia
mesmo haver alguma coisa entre William Darcy e sua assistente.
- Acho que estou me preocupando porque é a primeira vez que me apaixono.
Você nunca se apaixonou, Elizabeth?
- Não, nunca senti uma grande paixão. - respondeu ela, olhando para a
amiga com simpatia.
No fundo queria que William Darcy se danasse se não conseguisse fazer
Jane feliz; a vida raramente era tão boa para as pessoas como tinha sido
para ela. A amiga não estava preparada para a dor e o sofrimento. Como
reagiria se tivesse que enfrentar isso agora?
Fim do Capitulo II














