Contando uma estória para Sophia
- Elizabeth, eu amo você!
Treinei em frente ao espelho tantas vezes que fiquei confiante.
Não, eu não posso simplesmente chegar e dizer que a amo! Ela nem gosta de mim! Oh céus, onde estava com a cabeça quando fui me apaixonar por Elizabeth Bennet! Eu não devia ter ido àquela festa com Charles!
Fui a pé até a casa dela, precisava pensar.
O fato é: estou perdidamente apaixonado. Não consigo me concentrar no trabalho, apenas penso nela o dia inteiro. Aqueles olhos escuros me perseguem até quando eu fecho os olhos.
Perdido em meus pensamentos não percebi que havia chegado. O apartamento de Elisabeth, minha Lizzie! Como ela pode morar numa espelunca dessas! Vou pedi-la em casamento e comprar uma casa para morarmos. Não, meu Deus, eu não tenho um anel! E agora?! Estou começando a ficar aflito, mais do que já estava! Não! Céus! Eu não posso pedi-la em casamento! Nós ainda nem namoramos, namoro, eu preciso pedi-la em namoro. Namoro, namoro, namoro...
Já faz 40 minutos que eu estou aqui, parado em frente ao prédio em que ela mora, eu vou tomar coragem, eu vou tomar coragem, eu vou tomar corag...
- William?
Quando viro meu rosto e ouço o meu nome, não imaginava que a pouca coragem que tinha se transformaria em nada em um segundo. Definitivamente eu devia ter conversado com Georgiana antes de vir para cá, ela me diria como pedir uma garota em namoro depois de tê-la ofendido dizendo que ela não era bonita para o marido da irmã dela.
- Elizab-be-beth!
- Oi! O que você está fazendo aqui Darcy?
- Ah! Nada, estou esperando um táxi.
- Um táxi? Por que você não vai para a rua principal esperar?
- Ah!- Era agora ou nunca – Na verdade precisava falar com você e como não estava em casa, eu ia embora, mas que bom que chegou!
- Ah...
Lizzie fez uma cara que dizia claramente que não entendia o que eu queria falar com ela.
- Vamos subir, eu te preparo um chá, aqui fora está muito frio.
De fato, estava muito frio, mas só de vê-la eu já começava a suar.
- Claro, um chá seria ótimo Lizzie.
Ela me olhou com surpresa novamente, eu sempre a chamava de senhorita Elisabeth, nunca de Elisabeth ou Lizzie, pelo menos não na frente dela.
Subimos as escadas em silêncio, nem elevador aquele prédio tinha e o pior é que o apartamento ficava no penúltimo andar. Quando chegamos ao apartamento Lizzie abriu a bolsa para pegar as chaves, mas na hora que abriu a bolsa soltou um lamurio.
- Ah não!
- O que aconteceu? Você está bem?
- Eu troquei minha bolsa com Jane, nós fomos jantar e por coincidência fomos com as bolsas que ganhamos de nossa tia, que por acaso são iguaiszinhas. Na hora de irmos embora acho que me confundi e peguei a bolsa dela, agora estou sem minha chave e trancada do lado de fora.
- Mas você não tem alguma chave reserva em algum lugar?
- Sim, com Jane, mas está no apartamento dela.
- Por que você não liga para casa dela avisando que vai buscar as chaves?
- Eu não vou ligar e atrapalhar o programa de final de semana de um casal, seria muito inconveniente.
- Ah mas eu te levo lá, se você quiser é claro.
- Darcy, você não ouviu o que eu disse?
- Ouvi.
- Eles devem estar fazendo algo que ficariam bastante irritados se fossem interrompidos. Afinal são recém-casados e eu não vou atrapalhá-los.
- Ah...
Fiquei olhando para ela com cara de otário, essa ela não deixou passar.
- Você não vai passar a noite aqui fora né?
- Claro que não.
- Se você quiser pode passar a noite na minha casa, minha irmã voltou de viagem e pode te emprestar alguma roupa.
- Vem cá você não tomou seu remédio hoje ou o quê?
- Hã? – respondi meio atônito.
- Primeiro você me liga durante a semana com o pretexto de perguntar sobre Jane e Charles, agora vem a minha casa e ainda por cima me chama de Lizzie? Você está apaixonado por mim ou só está tentando me aturar agora por que teremos que nos encontrar mais vezes por causa do seu amigo e de minha irmã?
Ela cogitou a possibilidade de estar apaixonado por ela? O que eu respondo, ela está esperando a resposta e provavelmente minha cara de desespero deve fazê-la discordar da primeira opção, eu tenho que falar!
- Eu estou apaixonado por você!
Ela me olhou primeiro com espanto e depois com descrença, espanto e descrença. Depois de alguns segundos com aquela expressão abriu a boca para falar mas fechou. Virou de costas para mim imediatamente e tornou a me olhar de frente.
- Você está falando sério?
- Sim, eu amo você! Ardentemente! Não consigo evitar, apenas sei que amo e que não consigo viver sem você. Penso todos os dias o quão estúpido e preconceituoso fui e me arrependo profundamente de minhas atitudes. Peço que me perdoe e me permita mudar sua opinião sobre mim, garanto que não sou totalmente arrogante e grosso como você uma vez me disse.
Elizabeth parecia confusa, seus olhos demonstravam isso, mais que confusão, meu pequeno discurso lhe causou um choque.
- Eu não sei o que dizer – Ela respondeu.
Fiquei em silêncio, a dor de saber que não era correspondido instalou-se em meu peito dificultando minha respiração, eu tinha conhecimento que ela não admirava minha pessoa, mas ouvir de seus lábios que não sabia o que dizer realmente feriu meus sentimentos. Sem saber o que fazer eu simplesmente e sem forças para ficar em pé, eu me sentei encostado na parede do apartamento dela. Passei as mãos pelos cabelos e disse:
- Não, você não precisa dizer nada.
Levantei e me dirigi às escadas sem olhar para trás. Já estava no primeiro degrau quando ouvi:
- Você só vai me dizer isto?
Me virei para encará-la e disse num tom de voz elevado por causa da decepção.
- O que você quer que eu diga?
- Eu não sei, você simplesmente chega, diz que ama e vai embora!
- Mas você disse que não tinha nada a dizer!
- Você não me perguntou nada, só se declarou. Geralmente as declarações vêm acompanhadas de pedidos ou perguntas.
- Mas e pedi uma chance de lhe demonstrar que sou uma boa pessoa.
- Não esse tipo de pedido, pedidos mais específicos se é que você me entende.
- Não, eu não entendo.
Ela me lançou um olhar de impaciência por eu não estar entendendo o que ela dizia. Eu conhecia bem aqueles olhos, os observava a tanto tempo que saberia dizer o que ela diria antes de falar ou ainda o que ela estava sentindo. Então, numa fração de momento entendi o que aquele olhar dizia: namoro, eu vim pedi-la em namoro! É isso.
Ajoelhei-me em frente a ela, peguei sua mão e comecei o meu pedido:
- Elisabeth, eu sei que não tenho o direito de amá-la, mas meu amor por você é sincero. Sei que fui muito rude com você, mas peço que esqueça o passado e lembre-se que se aceitar ser minha namorada, meu desejo é nunca mais ser separar de você a partir de agora.
Terminei beijando sua mão. Ela que antes me olhava com extrema concentração me dedicou um imenso sorriso de satisfação.
- O senhor tem noção, Mr. Darcy, que tenho a chance de rechaçar o homem que criticou minha beleza chamando-me de tolerável e duvidou da honestidade dos sentimentos de minha irmã em relação ao amor de sua vida?
-Sim, sei que pode fazer isso, mas sei também que tem um coração generoso e que pode me perdoar e aceitar ser minha namorada e se mudar desse prédio horrendo nesse bairro perigoso que me tira o sono de preocupação por sua segurança.
Ela soltou uma sonora gargalhada que me fez levantar. Continuei segurando sua mão e olhando suplicante me seus olhos.
- Você realmente não sente nada por mim? Nenhum sentimento bom?
- Sinto, sinto uma imensa vontade de me perder em seus olhos azuis, eles parecem um lago, azul e calmo, sempre tive vontade de olhá-los tão de perto como estou olhando agora.
Aquelas palavras me deram tanta esperança que não pude evitar de pegar sua outra mão e entrelaçar seus dedos aos meus.
- Isso é um sim? – perguntei.
- Acho que disse que gosto dos seus olhos, não que quero ser sua namorada.
O sorriso que veio após essas palavras não me deixou dúvida. Larguei uma de suas mãos para tocar em seu rosto. Acariciei sua bochecha devagar, ela ainda estava sorrindo. Aproximei meu rosto do seu e meus lábios procuraram a boca que sonhei beijar há um ano atrás. Quando estava prestes a beijá-la ela disse:
- Sim!
Eu não pude evitar rir da situação, então, finalmente, beijei aquela que pensei que nunca seria minha.
- Então, depois desse dia, mamãe e papai nunca mais se separaram!
- A história de vocês é tão linda papai! Conta de novo?
- Não, não, nada disso, está na hora de você dormir, aliás, você já devia estar dormindo!
- Só mais uma perguntinha.
- Só uma, papai precisa dormir porque amanhã precisa trabalhar bem cedo.
- Se você era o Príncipe Encantado da mamãe, quando se casaram você virou Rei?
- Sabe que eu nunca tinha pensado nisso? É acho que virei Rei, O Rei de Pemberley.
- Então a mamãe virou Rainha?
- Sim, a mamãe virou Rainha.
- Então eu sou Princesa?!
- Claro que é, você é a princesa do papai, e agora vai dormir, não vai Sophia? Não é hora de uma garotinha de seis anos estar acordada.
- Só mais uma pergunta papai.
- Tudo bem, pode perguntar.
- Quem foi que me colocou dentro da barriga da mamãe?
- Ah...bem...Papai já contou que foi o tio Charles que apresentou a mamãe para mim?
- Já, o senhor disse que foi numa festa!
- Mas não contei direito, vou contar de novo.....
The End
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